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Flamengo lança campanha “Amigo do Esporte” sem articulação com clubes olímpicos

flamengo lança campanha “amigo do esporte” sem articulação com clubes olímpicos

Flamengo lança campanha “Amigo do Esporte” sem articulação com clubes olímpicos

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Apesar de o Flamengo ter lançado na última segunda-feira (2) a campanha “Amigo do Esporte”, voltada a defender os clubes associativos e o papel social que exercem no desenvolvimento do esporte olímpico, a iniciativa não conta com a participação de outras agremiações, incluindo algumas que foram citadas pelo presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, no dia do lançamento da campanha.

“Isso não é um pedido em nome do Flamengo. É um chamamento a todos os clubes coirmãos que trabalham na formação dos esportes olímpicos e de atletas brasileiros, seja Pinheiros, Minas, Sogipa, Praia Clube, Flamengo, Corinthians. Todos estes clubes vão ter uma situação de deterioração dos seus números”, conclamou Bap, em entrevista à Flamengo TV, no lançamento da campanha.

Sem articulação

No entanto, alguns dos principais clubes brasileiros, que desenvolvem modalidades olímpicas e costumam ceder muitos representes ao Time Brasil, responderam não ter havido articulação para integrar o movimento.

Consultados na semana passada, Pinheiros e Paulistano nem sabiam da existência da campanha. As tradicionais agremiações paulistanas afirmaram que integrariam a iniciativa se ela tivesse articulação com seu representante de classe, o Sindicato dos Clubes do Estado de São Paulo (Sindi Clubes). Consultada, a entidade informou que a campanha não está em seu radar.

O Palmeiras, outro clube com várias modalidades olímpicas além do futebol, também não foi consultado antecipadamente nem pretende participar. Há divergências recentes entre a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, e Luiz Eduardo Baptista sobre a distribuição de receitas dos direitos de transmissão da Liga do Futebol Brasileiro (Libra).

Outra agremiação importante no ecossistema olímpico brasileiro, o Minas Tênis Clube, foi o mais aberto à iniciativa. A entidade informou que não integra a campanha, mas no momento realiza um estudo sobre o tema.

Tributação

O objetivo da campanha lançada pelo Flamengo é sensibilizar o Congresso Nacional para a derrubada do Veto nº 8/2026 (Item 10), que manteve os clubes associativos submetidos a uma carga tributária mais elevada do que a aplicada às Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs).

Com o veto ao PLP 108/2024, as SAFs passaram a ter tributação fixada em 6%, enquanto as equipes associativas permanecem com carga em torno de 11%.

“Tenho convicção de que o marco legal não foi concebido para criar desigualdade entre clubes associativos e SAFs”, afirmou Bap, em entrevista à Flamengo TV.

“As SAFs surgiram posteriormente, e o veto presidencial acabou produzindo um efeito indesejado: colocou os clubes associativos em desvantagem tributária. Isso inverte a lógica do sistema, já que entidades sem fins lucrativos jamais deveriam ser mais tributadas do que estruturas criadas com objetivo de lucro”, defendeu.

Impacto

Segundo o Flamengo, os clubes associativos são responsáveis por sustentar modalidades olímpicas como judô, vôlei, ginástica, remo, natação e atletismo.

A campanha defende que equiparar entidades sem fins lucrativos a empresas com fins lucrativos fará com que os clubes deixem de investir no esporte olímpico, que o dirigente apontou como deficitário, inclusive no Flamengo, clube com maior arrecadação no Brasil. O efeito disso seria a redução de investimentos nessas modalidades e na formação de atletas.

Neste ano, por exemplo, o Flamengo alegou falta de estrutura de base para justificar a demissão do canoísta Isaquias Queiroz, dono de cinco medalhas olímpicas (1 ouro, 3 pratas e 1 bronze), incluindo a prata no C-1 1.000m em Paris 2024. Também foi encerrada a equipe de remo paralímpico do clube.

Bap contou que o Flamengo investe R$ 70 milhões por ano em esportes olímpicos, mas arrecada entre R$ 24 milhões e R$ 25 milhões em estímulos, o que gera um déficit anual de R$ 46 milhões, que é coberto pelo caixa do futebol.

“O Flamengo não vai botar mais R$ 700 milhões nos próximos sete anos para aprofundar esse investimento que nós fazemos hoje, porque isso vai afetar sobremaneira o futebol rubro-negro”, apontou.

O Flamengo defende que estimular os clubes associativos é proteger o esporte olímpico brasileiro. A campanha defende que a revisão do veto e a construção de um novo marco legal são fundamentais para garantir a sustentabilidade financeira do modelo de gestão dos clubes.

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Mobilização busca sensibilizar o Congresso Nacional sobre a carga tributária dos clubes associativos em comparação com as SAFs
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