Afinal, Samir Xaud, da CBF, proibiu o goleiro Alisson de usar camisa vermelha diante da Escócia?
Depois de passar as últimas semanas sob ataques intensos na mídia e nas redes sociais, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, pôde desfrutar de alguns instantes de trégua, nos dias que antecederam a partida do Brasil contra a Escócia, nesta quarta-feira (24), válida pela última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026.
Não que ele não tenha sido alvo de notícias polêmicas. Porém, elas não diziam respeito a questões íntimas do cartola, mas sim um espectro que rondou a seleção brasileira no ano passado.
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Uma informação que tem circulado desde o último fim de semana dava conta de que o goleiro Alisson jogaria de uniforme vermelho contra a Escócia.
Segundo as mesmas fontes, o fato não se materializou, porém, porque Samir teria barrado pessoalmente o uso dessa cor pelo atleta da seleção.
Quem assistiu ao jogo notou que Alisson vestiu um fardamento verde, não no tom da bandeira nacional, algo mais próximo do verde-limão.
De onde surgiu a história do uniforme vermelho?
O fundamento da história de que Alisson vestiria vermelho tem a ver com regra 4 da The International Football Association Board, entidade independente responsável por determinar as regras oficiais do futebol, que são adotadas pela Fifa em suas competições, entre elas a Copa do Mundo.
A norma diz que “cada goleiro deve usar cores que o distingam dos outros jogadores (tanto companheiros de equipe quanto adversários), do goleiro adversário e dos membros da equipe de arbitragem”.
Para que a regra funcione em um torneio de “tiro curto” como a Copa do Mundo, a Fifa estabelece que cada seleção deve registrar três opções completas de uniforme de goleiro, com camisa, calção e meias.
No dia do jogo, os goleiros são os últimos a escolher o uniforme, depois dos jogadores de linha e dos árbitros. A regra prevê que os arqueiros de cada time deveriam usar cores distintas, mas abre exceções para casos em que as opções de camisa se esgotaram.
No caso específico da partida contra a Escócia, as fontes que divulgaram a história da camisa vermelha de Alisson alegavam esta seria a única cor disponível para o guarda-metas brasileiro.
Samir proibiu o vermelho?
A resposta para essa pergunta é sim. Samir barrou o uniforme vermelho. Porém, a informação circulou de uma maneira completamente fora de contexto.
O veto à camisa nessa cor ocorreu em 2025, depois que ele assumiu a presidência da CBF. Para quem não se lembra, naquele ano o site especializado Footy Headlines vazou imagens de um modelo de uniforme da seleção brasileira que era predominantemente vermelho e com detalhes em preto.
No lugar da logomarca da Nike, a camisa trazia o símbolo da Jordan, que hoje é usado no uniforme azul (número 2) da seleção.
Se o design seria aquele ou não, isso seguirá sendo mistério. Mas que haveria um uniforme vermelho do Brasil, isso é um fato (detalhe: em ano de eleição presidencial polarizada entre esquerda e direita, que costuma adotar a camisa amarela e verde em seus atos políticos). Com a chegada de Samir ao poder na CBF, a ideia foi vetada.
Então, não foi nesta semana que o dirigente decidiu barrar o uso de vermelho por Alisson. Na verdade, a seleção brasileira foi para a Copa sem nenhum uniforme vermelho.
As opções de camisa de goleiro com logomarca da Nike são nas cores preta e verde (usado contra a Escócia).
Já no modelo da Jordan predominam os tons rosas. Esse uniforme foi utilizado por Alisson na sexta-feira passada (19), diante do Haiti. Não existe camisa vermelha de goleiro do Brasil nesta Copa.
Fair play financeiro domina atenção da cartolagem
A Máquina do Esporte apurou que os rumores sobre a vida afetiva de Samir Xaud não foram o grande tema que mobilizou a cartolagem brasileira nos últimos dias.
A questão que tem chamado a atenção dos dirigentes é aplicação das novas regras de fair play financeiro no Brasileirão, especialmente na janela de transferências de meio de ano.
Em edições recentes da competição, têm sido recorrentes notícias de clubes que contratam reforços de adversários, mas no fim acabam dando calote.
Os cartolas estão atentos às possíveis sanções que a Anresf, agência criada pela CBF para regular a execução do fair play financeiro, irá aplicar nesses casos.
A expectativa dos dirigentes é de que a isso possa mudar de maneira positiva a janela de transferências.
Denúncia
Nesta sexta-feira (24), a Anresf emitiu comunicado informando que concluiu a análise da primeira denúncia recebida pela agência.
O caso em questão envolve uma cobrança do Botafogo-SP contra o Náutico, relativa à transferência de um atleta.
Após ser intimado pela Anresf, no último em 16 de junho deste ano (a denúncia havia sido apresentada na data anterior), o clube pernambucano efetuou o pagamento do valor principal na mesma data e quitou os encargos contratuais no último dia, regularizando a pendência e evitando assim uma punição, com base na regra do fair play.
Rodrigo Ferrari é jornalista da Máquina do Esporte desde 2022. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), atua com política desde 2010
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Polêmica em torno da cor do uniforme foi ressuscitado, nos últimos dias, em meio uma série de ataques sofridos pelo cartola nas redes e na mídia
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