Alexandre Padilha, médico, político e ministro da Saúde do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), comentou sobre o vício em apostas online na quinta-feira, 9, em entrevista ao programa radiofônico Alô Alô Brasil, conduzido pelo experiente apresentador José Luiz Datena.
Ao decorrer do programa, Padilha afirmou que o Brasil precisa restringir a publicidade das casas de apostas igual restringiu a propaganda do cigarro.
“Para mim hoje, o problema das ‘bets’ é um problema de vício na mesma dimensão que foi o do cigarro. O cigarro tinha propaganda de acesso à criança, propaganda esportiva. A Fórmula 1 era praticamente toda pautada pela indústria do cigarro”, disse Padilha.
Segundo o ministro da Saúde, ao proibir a publicidade do cigarro em emissoras de televisão, rádio e revistas, o uso do cigarro pela população brasileira diminuiu.
“Foi uma luta que tivemos e isso teve um impacto positivo ao reduzir o uso do cigarro”, acrescentou.
A fala de Padilha é corroborada por Tania Cavalcante, médica do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e secretária-executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (Conicq), que afirmou em 2019 que o número de fumantes no Brasil reduziu em 40% graças às medidas antitabagismo.
Atualmente, há um projeto de lei tramitando no Senado Federal que visa proibir totalmente a publicidade de apostas no Brasil. O PL nº 3.563/2024 foi aprovado na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) em fevereiro e está parado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).
Durante a entrevista, Padilha também fez menção ao programa de teleatendimento focado em ludopatia, que é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). E o ministro mencionou que mais de 300 mil pessoas acessaram o sistema de autoexclusão de sites de apostas, desenvolvido pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF).
Padilha comenta sobre apostas na mesma semana que Lula ameaçou acabar com o setor

As declarações de Padilha, que também é filiado ao PT, vêm em meio a uma escalada do governo federal contra o setor de apostas. Nesta semana, o presidente Lula disse que se depender dele, ele acaba com as casas de apostas no Brasil.
Para o governo federal, as apostas estão causando o endividamento de famílias brasileiras. Atualmente, segundo dados do Serasa, 81,7 milhões de brasileiros estão endividados. Porém, a principal causa de endividamento são os juros praticados por dívidas ligadas ao cheque especial e ao cartão de crédito.
Dados recentes do Ministério da Fazenda revelaram que 53% dos brasileiros apostam até R$ 50 por mês em plataformas de apostas autorizadas pela SPA.
Este alto número de endividados é um dos maiores problemas de Lula, junto com a Segurança Pública, em meio à campanha eleitoral de 2026. O governo federal está perto de elaborar um programa de renegociação de dívidas para a população, que poderia proibir aqueles que renegociarem suas dívidas de apostarem.
Ao falar mal das casas de apostas — que ele mesmo ajudou a regulamentar, ao sancionar a Lei nº 14.790/2023 —, Lula também pode angariar votos dos evangélicos, que são contrários a este hábito e correspondem a uma grande parte da população brasileira. Na última década, Lula e o PT viram o voto evangélico migrar majoritariamente para políticos de direita.
Em 2025, o PT elaborou a campanha ‘Taxação BBB: bilionários, bancos e bets’, à qual Lula e ministros como Guilherme Boulos vêm fazendo menções indiretas.
Para se aprofundar sobre vício em apostas, leia nossa entrevista com Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde, aqui.
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Alexandre Padilha, médico, político e ministro da Saúde do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), comentou sobre o vício em apostas online na quinta-feira, 9, em entrevista ao programa 
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