Oito meses após a entrada em vigor da regulamentação brasileira do jogo online e das apostas esportivas, a indústria atravessa um momento “intenso e de verdadeiro progresso”, como definiu Natalia Nogues, cofundadora da Associação de Mulheres da Indústria do Gaming (AMIG) em entrevista ao SBC Noticias.
“Estamos presenciando um avanço real, com um setor cada vez mais unido em torno de um objetivo maior: conquistar respeito, direitos e a aceitação do jogo como uma atividade legítima. Nesse contexto, a AMIG caminha ao lado dessa evolução, garantindo que as oportunidades para as mulheres cresçam na mesma proporção das que se abrem para todo o mercado”, afirmou a executiva, que também é CEO da Control F5.
Nogues ressaltou que, “comparado aos anos em que vivíamos em um mercado não regulado, estes meses foram intensos e marcados por avanços significativos”, o que trouxe também um novo sentido de legitimidade e respeito social para a atividade.
A associação nasceu durante a primeira edição do SBC Summit Rio, como resposta à falta de representação feminina em cargos de liderança, e já reúne mais de 1.200 profissionais do setor no Brasil.

“A ideia surgiu quando notamos que, embora houvesse muitas mulheres trabalhando, elas permaneciam invisíveis nos espaços de decisão. Isso era evidente nos eventos: éramos minoria no público e quase nunca havia palestrantes mulheres, apesar do enorme talento disponível. Foi então que sentimos a urgência de agir”, relatou Teresa Caeiro, cofundadora da AMIG.
Para ela, o risco era claro: “Sem uma rede forte, corríamos o risco de repetir no jogo online as mesmas desigualdades históricas vistas em outros setores”.
Crescimento além do esperado

O crescimento da AMIG foi mais rápido do que se imaginava. “Pensávamos em chegar a 50 associadas nos primeiros meses, mas em três já éramos 300 e hoje superamos as 1.200 mulheres”, contou Ana Helena Pamplona, sócia do Beck Advogados Associados. Para ela, esse avanço revela “a necessidade latente de representação, apoio e troca genuína”.
Pamplona destacou ainda que “foi um movimento orgânico que transformou a AMIG em um verdadeiro hub de conexão e pertencimento”, reforçando que não se trata apenas de aumentar números, mas de consolidar uma comunidade.

Ela acrescentou que iniciativas como a WE, do SBC Summit, ampliam esse impacto ao conectar redes internacionais e mostrar que “a inclusão não é um tema isolado, mas uma necessidade urgente para toda a indústria”.
O SBC Summit Rio 2025 também foi palco da celebração do primeiro aniversário da AMIG. Para Bárbara Teles, o Brasil, por ser um mercado jovem e diverso, tem a oportunidade de construir “desde o início uma indústria mais equilibrada e inclusiva”.
“Diferente de mercados mais consolidados, aqui temos a chance de levantar uma indústria diversa desde a base”, afirmou, valorizando também o papel estratégico da SBC como vitrine para dar visibilidade ao protagonismo feminino brasileiro no cenário global.

Durante os painéis, uma das mensagens mais reforçadas foi a de que a luta pela equidade de gênero não admite rivalidade.
“Quando falamos de igualdade de gênero, não existe competição: existe uma causa compartilhada”, resumiu Ana Bárbara Teixeira.
Ela detalhou: “As empresas podem competir no mercado, mas devem cooperar em iniciativas de diversidade, programas de liderança feminina e políticas de inclusão. O benefício é coletivo: uma indústria mais diversa também é mais inovadora, ética e atraente para investidores e consumidores”.
Capacitação e networking
A AMIG também tem investido em programas práticos de formação e conexão profissional. Nogues destacou os workshops gratuitos com certificação oficial, elaborados de acordo com as prioridades das próprias associadas.
“Convidamos especialistas, emitimos certificados AMIG e garantimos um espaço de aprendizado saudável e acolhedor”, disse, reforçando que não se trata apenas de capacitação, mas de formação validada em um ambiente seguro.
A associação ainda promove a troca de ofertas de trabalho e organiza happy hours temáticos que “fortalecem vínculos em um ambiente descontraído, mas enriquecedor”.
Para Ana Helena Pamplona, a presença feminina em cargos de liderança amplia a perspectiva sobre responsabilidade social e bem-estar do consumidor.
“As líderes tendem a valorizar mais a transparência, a ética e o cuidado com o usuário. Essa visão holística é essencial para que a indústria seja sustentável, inovadora e confiável no longo prazo”, explicou, lembrando que a sustentabilidade não depende apenas da inovação tecnológica, mas também da priorização do consumidor e da transparência.
Já Teresa Caeiro trouxe sua perspectiva como mulher millennial em cargos executivos: “O primeiro desafio é conquistar respeito em ambientes ainda dominados por homens, onde muitas vezes é preciso provar competência mais de uma vez. Mas também é nossa oportunidade: podemos trazer frescor, inovação e novas perspectivas às decisões estratégicas”.
Segundo ela, esse desafio abre outra possibilidade: “Podemos transformá-lo em uma oportunidade de mostrar que a diversidade geracional também agrega valor”.
Projeção internacional e legado
De olho no futuro imediato, Bárbara Teles antecipou que, na próxima edição do SBC Summit, a AMIG apresentará painéis liderados por mulheres, ações de networking e um Happy Hour no estande C150, no dia 17 de setembro, patrocinado pela Betboom.
Ela também celebrou a indicação ao SBC Awards na categoria “Iniciativa Socialmente Responsável do Ano”, graças à publicação da Guia de Jogo Responsável da AMIG.
“Nossa agenda vai além do jogo, porque a diversidade é um tema universal”, reforçou Teles, sublinhando que a AMIG quer se posicionar como um ator global, e não restrito ao Brasil.
Com uma visão de longo prazo, Ana Bárbara projetou a consolidação da organização como plataforma de apoio e desenvolvimento profissional: “Queremos dar às mulheres todas as ferramentas para avançarem em suas carreiras. Nosso legado será abrir caminhos, derrubar barreiras e mostrar que a inclusão não é apenas importante, mas essencial para o crescimento sustentável da indústria”.
E concluiu: “Visualizo muitas mais mulheres em posições de liderança, conscientes de seu valor e ocupando o lugar que lhes pertence”.
Oito meses após a entrada em vigor da regulamentação brasileira do jogo online e das apostas esportivas, a indústria atravessa um momento “intenso e de verdadeiro progresso”, como definiu Natalia 
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