A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) contestou nesta quinta-feira (26) um estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) e da FIA Business School que aponta o mercado de apostas como o principal motor do endividamento familiar no Brasil.
A entidade setorial criticou duramente a metodologia do levantamento, afirmando que a pesquisa ignora dados oficiais de crédito e baseia suas conclusões em métricas frágeis de engajamento em redes sociais, falhando ao tentar medir o real impacto financeiro no bolso do consumidor.
Por que a análise de redes sociais distorce o diagnóstico financeiro
A princípio, o levantamento tentou cruzar a evolução das dívidas com uma variável de “interesse por apostas” extraída da internet.
No entanto, a ANJL classificou essa abordagem como uma falha conceitual grave.
Ao medir apenas o volume de menções digitais, o estudo confunde visibilidade midiática, impulsionada por debates políticos como a “CPI das Bets”, com gasto financeiro efetivo.
Essa correlação superficial impede a identificação de qualquer relação de causa e efeito, já que não quantifica o volume de recursos que as famílias de fato transferem para as plataformas de iGaming.
Para contrapor a pesquisa, a associação utilizou relatórios oficiais do Ministério da Fazenda que comprovam que a imensa maioria dos apostadores brasileiros gasta, no máximo, R$ 50 na atividade.
Esse ticket médio baixo demonstra que o entretenimento digital ocupa uma fração mínima do orçamento doméstico, derrubando a tese matemática de que o setor lidera a inadimplência nacional.
Dados oficiais expõem inconsistências na análise de juros e crédito
Além da fragilidade nos dados de consumo, a entidade apontou erros na série histórica de taxas de juros apresentada pelos pesquisadores.
O gráfico do Ibevar ignorou as oscilações reais da política monetária do Banco Central ao longo da última década, apresentando uma estabilidade irreal para o período.
Em contrapartida, a ANJL reforçou que a verdadeira raiz da inadimplência reside na oferta de crédito e nas taxas de juros aplicadas aos consumidores, mecanismos econômicos diretos que o estudo distorceu ao tratá-los como variáveis independentes.
O presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, exigiu mais rigor técnico e responsabilidade no debate público.
“Em síntese, o estudo levanta uma hipótese relevante, mas não apresenta evidências robustas para sustentar que as apostas online tenham se tornado o principal fator de endividamento das famílias no Brasil”, pontuou o executivo.
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