Marca esportiva mais antiga do Brasil, a Athleta iniciou suas atividades em 1935, vestiu grandes esquadrões e craques do futebol nacional, tendo sido inclusive fornecedora oficial da seleção brasileira entre as Copas do Mundo de 1954 e 1974, mas acabou sucumbindo à concorrência das gigantes internacionais, até ser desativada em 2004.
O ressurgimento ocorreu em 2009, pelas mãos da japonesa The Brand’s Company. Depois de dar a volta ao mundo, a Athleta enfim regressou à Série A do Brasileirão, na condição de parceira do Mirassol, que se converteu na grande surpresa da temporada 2025 no país.
O vínculo com o time do interior paulista é um dos trunfos da marca, neste ano em que o clube fará sua estreia na Copa Libertadores, principal competição de clubes do continente.
Mas não é só isso. A Athleta tem procurado avançar em suas parcerias no futebol. No último fim de semana, a marca oficializou um acordo com o Londrina, atual vice-campeão paranaense e que disputa também a Série B do Brasileirão e a Copa do Brasil (foi eliminado nesta terça-feira (17), na 4ª fase, pelo Operário-PR) em 2026.
Os acordos no futebol são considerados essenciais para a estratégia da Athleta, já que servem para resgatar e fortalecer o legado histórico da marca na modalidade.
O CEO da Athleta Brasil, Ricardo Tiwata, concedeu entrevista à Máquina do Esporte e comentou sobre a a retomada da marca no país.
Brasilidade na Terra do Sol Nascente
Para se compreender como investidores japoneses decidiram comprar a Athleta, é preciso lembrar o papel fundamental que o Brasil teve na popularização do futebol na Terra do Sol Nascente.
Tudo começou na década de 1980, quando alguns atletas japoneses vieram atuar no Brasil. O caso mais emblemático foi o de Kazu, que alcançou certa notoriedade jogando por clubes como Santos, XV de Jaú, CRB e Coritiba.
Com a criação da J. League, nos anos 1990, Kazu foi repatriado, ao mesmo tempo em que a competição japonesa abriu os cofres para contratar ídolos de diferentes países, especialmente do Brasil. Esse movimento era parte do esforço nacional para sediar a Copa do Mundo, fato que viria a se concretizar em 2002, tendo a Coreia do Sul como coanfitriã.
E foi assim que pelos gramados do Japão desfilaram nomes como Zico (que se tornou um dos maiores ídolos esportivos do país em todos os tempos), Alcindo e Bismarck.
O time de Kazu nos primórdios da J. League era justamente o Verdy Kawasaki, hoje chamado de Tokyo Verdy (por conta da mudança de sede), que chegou a ser campeão das duas primeiras edições do campeonato nacional do país.
A chegada da Athleta ao Japão ocorreu, portanto, em uma época em que o futebol brasileiro ainda estava em alta no mundo todo e desfrutava de um prestígio enorme na nação do Leste Asiático.
Ao se tornar parceira do Verdy, a marca não se limitou a fornecer uniformes.
“A ideia era contar a história do futebol brasileiro e usar a Athleta para falar a respeito do Brasil”, explicou Tiwata.
Partindo dessa lógica, a operação da Athleta no Japão ultrapassa o universo esportivo e busca investir em elementos relacionados à brasilidade, especialmente a culinária.
Isso inclui restaurantes com decoração que remete à Bahia e que serve o legítimo churrasco brasileiro, o Café Athleta, que tem pão com mortadela no menu, e carros de cozinha (“kitchen cars”) que funcionam nos jogos do Verdy, levando ao público opções de comidas típicas preparadas por brasileiros.
A brasilidade, portanto, tornou-se um elemento fundamental para a estratégia da Athleta no Japão. Não demorou muito, porém, e os proprietários perceberam que a marca teria de retomar seus laços com o país de origem.
“Precisávamos de mais histórias. Para isso, tínhamos de fazer o Brasil acontecer de novo”, salientou Tiwata.
Futsal e esportes de areia
Em um mercado dominado por grandes conglomerados internacionais, a Athleta escolheu o futsal para marcar o regresso ao país natal. Tiwata havia sido treinador desse esporte.
A estratégia à época consistiu na marca adquirir a vaga no Campeonato Brasileiro da modalidade e firmar parceria com o Magnus Futsal, time de Falcão. O acordo durou seis anos.
Ao mesmo tempo, a Athleta passou a investir em produtos para esportes de areia, como vôlei de praia e futevôlei.
Esse movimento aproximou a marca de diversos ídolos do futebol, como o ex-atacante Romário, praticante assíduo de futevôlei.
“São esportes que cresceram demais. Mas sentíamos que a Athleta precisava de algo mais. Então pensamos: ‘por que não retornar ao futebol?’”, recordou-se Tiwata.
A primeira parceria da marca na volta aos gramados foi com o São Bento, de Sorocaba (SP), em um acordo que durou dois anos. Além disso, a empresa fornecia uniformes a diversas escolinhas de futebol.
Aos poucos, o comando da Athleta no Brasil passou a entender o mercado de outra forma. Foi quando os caminhos da marca se cruzaram com o de um fenômeno do interior paulista.
Mirassol
A Athleta contava com uma loja licenciada em São José do Rio Preto, maior cidade do Noroeste Paulista e que está localizada a apenas 16 quilômetros de Mirassol.
Foi por meio dessa relação que a marca se aproximou da diretoria do clube paulista e fechou a parceria, quando o Leão ainda estava na Série B. O time subiu para a elite do Brasileirão e manteve a Athleta como fornecedora de uniforme.
“Estávamos no momento e no lugar certo”, celebrou Tiwata.
A parceria não se restringe ao fornecimento de material esportivo. A marca já realizou, por exemplo, duas corridas na cidade paulista, de modo a fortalecer a relação com o clube e sua torcida.
Além do Mirassol e do Londrina, a Athleta possui atualmente acordos de material esportivo com América-RJ, Pouso Alegre, Santa Catarina, Desportivo Brasil e Gaúcho.
No Japão, a marca possui contratos com 1,5 mil instituições, especialmente escolas e universidades, que são responsáveis pela formação dos jogadores do país.
Segundo Tiwata, a estratégia adotada pela empresa no Brasil é distinta da que vigora no mercado asiático. A ideia, por aqui, é fortalecer a linha casual da marca.
“A intenção é seguir com nosso legado no futebol. Mas queremos crescer não apenas em decorrência das parcerias com os clubes. Temos planos de avançar em segmentos como streetwear, roupas para academia e assim por diante”, destacou.
Operação 360°
Apesar de estar focada no crescimento de sua linha casual, a Athleta está atenta a oportunidades no futebol. Tiwata admitiu que a empresa gostaria de retornar a algum dos times considerados grandes no país.
Até o fim dos anos 1970, a marca foi fornecedora de clubes como São Paulo e Santos. Hoje, de acordo com o CEO, não existe qualquer conversa em andamento com os chamados grandes.
“Retornar está em pauta na empresa. Mas hoje há zero abordagem”, garantiu.
Porém, ele afirmou que a Athleta teria plenas condições de bater de frente com as gigantes internacionais, tanto em termos financeiros quanto de entregas para o mercado.
“Nossos produtos são específicos e individualizados, de acordo com a necessidade do parceiro. Também conseguimos oferecer qualidade e volume, o que é um grande desafio nesse mercado. Além disso, temos história para contar”, explicou.
Hoje, de acordo com o executivo, a Athleta opera em um modelo 360°, em que a marca controla todas as etapas do negócio, desde a concepção e produção, passando pela comunicação e marketing, até a distribuição, que é concentrada nas lojas próprias (físicas e on-line).
Quando Tiwata concedeu entrevista, a Athleta contava com 19 lojas próprias, mas já planejava lançar outras quatro. A parceria com o Londrina agregará duas unidades à rede, nos Shoppings Catuaí (entrará em funcionamento no mês que vem) e Boulevard (que será inaugurada nesta quarta-feira (18)), ambas na cidade paranaense.
Athleta Oficial
A empresa conta ainda com a subdivisão chamada Athleta Oficial, que segue sob o comando da família Bulgarelli (proprietária original da companhia) e se dedica a preservar a história da marca, com peças retrôs que reproduzem ou fazem alusão a modelos históricos usados pela seleção brasileira e clubes como Santos, São Paulo, Juventus, Internacional e Fluminense.
Conforme noticiou a Máquina do Esporte, a Athleta Oficial ficou em evidência nas redes sociais e na mídia em geral, depois que o cantor porto-riquenho Bad Bunny, ganhador do Grammy deste ano e que estrelou o Show do Intervalo no último Super Bowl, optou por se apresentar no Allianz Parque, em São Paulo (SP), trajando uma camisa da marca que homenageia a seleção brasileira de 1962.
Em seu segundo show, o cantor utilizou um agasalho original usado pela seleção em 1966, também fabricado pela Athleta, que integra a coleção de Cássio Brandão, do projeto “Alambrado Futebol e Cultura”.
Neste mês, a empresa ainda lançou a coleção Athleta Retrô Pelé, alusiva às três Copas vencidas pelo maior jogador brasileiro de todos os tempos (1958, 1962 e 1970).
As três versões da coleção Athleta Retrô Pelé foram desenvolvidas com base no desenho original criado à época, mantendo as características estruturais que marcaram aquelas conquistas.
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Marca acabou de fechar com o Londrina e vem aproveitando o bom momento vivido pelo Mirassol, que estreará na Copa Libertadores
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