Anunciada em outubro do ano passado, a migração do Atlético-MG para o Futebol Forte União (FFU) ainda não foi oficializada e corre o risco de nem ocorrer.
A Máquina do Esporte apurou que, mesmo sem haver assinado com o bloco, o Galo já fechou acordo com a investidora Sport Media Participações e vendeu 10% de seus direitos de transmissão e comerciais, pelo período de 50 anos. O valor não foi divulgado.
O clube havia sido membro da antiga Liga Forte Futebol (LFF), precursora do FFU, mas optou por deixar o bloco em 2023, logo após se tornar Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
O Atlético-MG uniu-se à Liga do Futebol Brasileiro (Libra), encabeçada por clubes como Flamengo, Palmeiras e São Paulo, e que, à época, tinha na mesa a proposta de venda de 12,5% de seus direitos comerciais e de mídia à Mubadala Capital, pelo período de 50 anos.
O negócio envolvendo a fatia dessas propriedades naufragou, porém, depois que Gustavo Oliveira, então diretor de comunicação e marketing do Flamengo, declarou em entrevista ao podcast Maquinistas, da Máquina do Esporte, que o clube carioca não toparia vender os direitos ao investidor nos termos que eram oferecidos.
O Atlético-MG permaneceu na Libra, mas, recentemente, passou a demonstrar insatisfação com os rumos do bloco, sobretudo depois que Luiz Eduardo Baptista, o Bap, assumiu a presidência do Flamengo e passou a atacar publicamente o acordo de mídia firmado coletivamente pelos clubes do grupo.
O cartola rubro-negro ainda ingressou com uma ação na Justiça do Rio de Janeiro e bloqueou, durante alguns dias, pagamentos de cerca de R$ 80 milhões que seriam feitos pelo Grupo Globo às equipes da Libra, em uma decisão que depois seria derrubada.
Ao comunicar sua saída da Libra, em 28 de outubro do ano passado, o clube mineiro aproveitou para mandar uma indireta ao Flamengo.
“O Galo acredita que atitudes individualistas comprometem o diálogo e enfraquecem o propósito comum. O desenvolvimento do futebol só é possível por meio da cooperação entre os clubes”, disse a nota.
A intenção declarada do Atlético-MG era unir-se à Liga Forte União (LFU), que depois mudou o nome para FFU. Porém, esse processo não é tão simples quanto aparenta.
Entraves
Por volta daquela época, os dois blocos de times passaram a ser investigados pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), pela suposta prática de “gun jumping”, que é uma operação de concentração econômica realizada antes de se obter a aprovação prévia obrigatória do órgão antitruste.
Em fevereiro deste ano, a Libra acabou sendo multada em R$ 559 mil, valor que terá de ser pago pelos membros mais ricos do grupo, no caso Flamengo, Palmeiras, São Paulo, Santos e Grêmio, que também se movimenta para entrar no FFU.
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O Forte União também se tornou alvo do Cade, mas depois teve seu contrato homologado pelo órgão, que afastou as suspeitas de “gun jumping” envolvendo o grupo.
Dirigentes de clubes que já são membros do FFU ouvidos pela Máquina do Esporte disseram que a questão do Cade teria sido a justificativa que adiou a entrada do Atlético-MG no bloco. Mas essa está longe de ser a única causa.
Caso do Grêmio
Nas últimas semanas, o FFU tem sido agitado pela movimentação do Grêmio, que realizará uma votação no Conselho Deliberativo na próxima terça-feira (17) para autorizar a saída da Libra e a entrada no grupo rival, além da venda de 10% dos direitos comerciais e de transmissão para a investidora Sport Media Participações, pelo prazo de 50 anos.
O ingresso de clubes no FFU não é algo tão simples quanto aparenta. Conforme já noticiou a Máquina do Esporte, a cláusula 4.10.2 da Convenção do Condomínio Forte União estabelece quórum de aprovação de 90% dos votos para a entrada de novos membros.
E o CEO Gabriel Lima admitiu que será necessária a aprovação dos demais integrantes do bloco para que a entrada do Tricolor Gaúcho se concretize.
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Hoje, o FFU conta com 30 membros. Assim, em tese, bastariam quatro clubes para barrar a entrada do Grêmio ou do Atlético-MG no grupo.
Vale lembrar que a Sport Media Participações S.A. detém 20% das cotas do Condomínio Forte União. Isso torna impossível aos clubes aprovarem sozinhos a entrada de um novo integrante, sem que haja o aval da investidora.
No caso do Atlético-MG, por ser atualmente uma SAF, o clube não depende de votações internas no Conselho Deliberativo para mudar de bloco.
Vale destacar que, mesmo não integrando oficialmente o grupo, o Galo já está atrelado à investidora. Se o acordo firmado entre o clube e a Sport Media for similar ao vigente no Condomínio Forte União, o fundo passaria a ter exclusividade para negociar os contratos comerciais e de mídia do Atlético-MG pelas próximas cinco décadas.
Esse modelo de parceria pode acabar se convertendo em uma alternativa para o Grêmio se capitalizar, caso o Tricolor Gaúcho enfrente resistência em sua tentativa de ingresso no FFU. Estimativas que circulam na mídia indicam que o clube receberá R$ 100 milhões para fechar com a Sport Media.
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Entrada do clube mineiro no bloco precisa ser aprovada pelos demais membros, com quórum de pelo menos 90% de votos favoráveis
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