Banco Master: Nova prisão amplia incertezas sobre futuro dos investimentos esportivos de Daniel Vorcaro

A nova prisão do banqueiro Daniel Vorcaro pela Polícia Federal (PF), ocorrida na manhã desta quarta-feira (4), amplia as incertezas quanto ao futuro dos investimentos feitos pelo dono do Banco Master no esporte.

Vorcaro já havia sido preso pela PF (quando tentava embarcar para a Europa) na Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro do ano passado, mas acabou sendo posto em liberdade pela Justiça.


Segundo a PF, a nova detenção do banqueiro está relacionada à “possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”.

A PF suspeita que, de 2023 a 2024, o Banco Master tenha desviado R$ 11,5 bilhões em triangulações, nas quais a instituição emprestava dinheiro a supostos laranjas, que depois investiam esses recursos em fundos geridos pela Reag Investimentos, que aplicavam o capital em ativos sem valor, como, por exemplo, títulos de bancos que já deixaram de existir, como o antigo Besc, de Santa Catarina.

O Master oferecia carências de até cinco anos, reduzindo seu índice oficial de inadimplência, e usava novos Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), com remunerações muito acima das praticadas pelo mercado, para remunerar investidores antigos, em uma operação que, segundo as autoridades que investigam o caso, poderia caracterizar uma pirâmide financeira.


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A Reag Investimentos administrava seis fundos que receberam dinheiro das operações do Master e que, juntos, possuíam ativos declarados de R$ 102,4 bilhões, por onde os recursos circulavam até chegar aos beneficiários do esquema.

Atlético-MG

A nova prisão de Vorcaro levanta dúvidas quanto ao futuro do investimento feito pelo banqueiro no fundo Galo Forte FIP, que comprou uma participação de 20% na Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Atlético-MG por R$ 300 milhões.

Conforme já noticiou a Máquina do Esporte, a Procuradoria-Geral da República (PGR) está apurando qual a real participação do fundo Astralo na operação que viabilizou o investimento de Vorcaro na SAF atleticana.

Entre abril e maio de 2024, o Astralo movimentou, juntamente do Reag Growth 95, um total de R$ 1,45 bilhão no Banco Master, em operações que teriam como beneficiário João Carlos Mansur.

Mansur é dono da Reag Capital Holding, que, no ano passado, chegou a integrar o consórcio escolhido para assumir a SAF do Juventus, em uma operação avaliada em R$ 20 milhões.

A empresa se tornou alvo da Operação Carbono Oculto, que investigou a prática de lavagem de dinheiro pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), utilizando fundos de companhias sediadas na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo (SP), coração financeiro do país.

Após o escândalo, a Reag Capital Holding decidiu, em outubro do ano passado, fechar seu capital e deixar de operar na Bolsa de Valores. A companhia também acabou não ingressando na SAF do Juventus.

A Reag Investimentos também atuava como gestora e administradora do fundo da Neo Química Arena. Em agosto de 2025, em decorrência da Operação Carbono Oculto, o Corinthians iniciou uma análise, em parceria com a Caixa, para substituir a instituição financeira nesse negócio.

Subsidiária da Reag, a Revee administra a Arena Fonte Luminosa, em Araraquara (SP), e também integrava, ao lado da Tauá Partners e da XP Investimentos, o consórcio que assumiu a SAF da Portuguesa, sendo responsável por viabilizar a reforma do Estádio do Canindé, orçada em R$ 500 milhões. Atualmente, a Lusa busca um novo parceiro para assumir o projeto da obra no estádio.

Após a eclosão do escândalo do Banco Master, Vorcaro foi afastado do Conselho de Administração da SAF do Atlético-MG. Porém, ele segue como sócio do negócio. A prisão ocorre em um momento delicado para o clube, que recentemente promoveu mudanças no estatuto da SAF (o capital mínimo exigido nas mãos do clube associativo passou de 25% para 10%), buscando viabilizar a entrada de novos investidores, de modo a equalizar a dívida, hoje estimada em algo entre R$ 1,3 bilhão e R$ 2,3 bilhões.

Por enquanto, o Atlético-MG ainda não se posicionou quanto às medidas que serão tomadas em relação à presença de Vorcaro como investidor da SAF.

BRB

Em uma estratégia para demonstrar que teria liquidez, o Banco Master simulou a compra de uma carteira de crédito de R$ 6 bilhões da empresa Tirreno, operação que existia apenas no papel e não envolveu nenhum pagamento real, já que, segundo uma investigação feita pelo Banco Central (BC), os créditos eram inexistentes.

A carteira de crédito foi vendida pela instituição de Vorcaro ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12 bilhões, após suposta manipulação da taxa de juros.

Vale lembrar que, às vésperas de o BC decretar a liquidação do Master, o BRB tentou comprar parte do banco de Vorcaro. À época, o Master já não era capaz de honrar nem ao menos 15% de seus vencimentos mensais.

O BRB possui diversos patrocínios no esporte, inclusive tendo sua logomarca estampada na camisa do Flamengo.

As parcerias incluem ainda a Confederação Brasileira de Tênis (CBT), a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), a equipe Alpine de Fórmula 1 e o piloto Gabriel Bortoleto, único brasileiro na F1, além dos naming rights da Stock Car. O banco também já patrocinou o Sertões, chegando a adquirir os naming rights da principal competição de rali do país.

O BRB era ainda o principal parceiro do Real Brasília, mas o acordo chegou ao fim, representando o motivo principal para o encerramento das atividades do departamento de futebol feminino do clube.

No mês passado, o banco anunciou o corte de 60% no orçamento destinado a patrocínios em 2026, em comparação ao valor aplicado em 2025.

“O BRB informa que está realizando uma avaliação técnica e estratégica de todos os seus contratos de patrocínio, incluindo os esportivos, como parte do processo contínuo de gestão responsável dos recursos e de alinhamento às diretrizes do banco”, informou o banco, à Máquina do Esporte.

Apesar desse corte, o BRB pretende honrar o contrato que tem com o Flamengo e, após esse prazo, reestruturar a parceria no banco digital Nação BRB Fla.

Em abril de 2024, o BRB assinou um novo contrato com o Flamengo, válido por dois anos, no valor de R$ 50 milhões (R$ 25 milhões por ano).

Uma das esperanças do banco para se livrar da crise é a aprovação do projeto de lei que autoriza o Governo do Distrito Federal a executar ações para capitalizar o banco utilizando nove imóveis públicos, que inicialmente integrariam um fundo imobiliário, mas que poderão até mesmo ser privatizados, de modo a viabilizar recursos para salvar a instituição financeira.

Moriah Asset e Will Bank

O empresário e pastor evangélico Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e considerado homem de confiança do banqueiro, entregou-se à Superintendência da PF nesta quarta-feira (4).

A suspeita das autoridades é de que o líder religioso da Igreja Bola de Neve possa ter informações relevantes sobre os desvios que teriam sido praticados por Vorcaro no Master.

Zettel é fundador da Moriah Asset, que administra ativos avaliados em mais de R$ 1,8 bilhão e tem no portfólio empresas como Desinchá, o Grupo Frutaria, a marca de moda fitness Army, a linha de suplementos Super Nutrition e a rede de academias de luxo Les Cinq Gym.

A companhia de Zettel é a principal investidora da marca brasileira de açaí Oakberry, que patrocina eventos esportivos e atletas no país e no mundo.

A Oakberry conta, por exemplo, com a tenista bielorrussa Aryna Salabenka, atual número 1 do mundo no ranking da WTA, como embaixadora, e também é parceira de competições como US Open, Miami Open e World Surf League (WSL).

No automobilismo, a marca chegou a patrocinar as equipes Haas e Alpine na Fórmula 1, e foi fornecedora oficial do Grande Prêmio de São Paulo da categoria, além de haver marcado presença na Fórmula 4 e na Porsche Cup.

A bancarrota do Master ainda atingiu o Will Bank, banco digital do grupo, que declarava possuir 12 milhões de clientes e tinha como foco a população de baixa renda, com 60% dos correntistas residindo na Região Nordeste.

O Will Bank tinha o atacante Vinicius Júnior, do Real Madrid, como um dos embaixadores. Após a liquidação da empresa principal do grupo, a fintech passou a enfrentar dificuldades financeiras, acumulando passivos que totalizavam R$ 7 bilhões, e teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo BC em 21 de janeiro deste ano.

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Denúncias contra o banqueiro, que ainda é sócio da SAF do Atlético-MG, agravam crise no BRB e impactam diversos patrocínios no esporte
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