Bate-bola com Amilton Noble, HEBARA: regulamentação, tributos e impacto social das apostas

Amilton Noble, CEO da Hebara e palestrante do SBC Summit Rio 2026, adiantou temas que serão discutidos no evento entre os dias 3 e 5 de março, no Riocentro, no Rio de Janeiro.

Noble será um dos palestrantes da sessão “Do Local ao Nacional: A Força Social das Apostas Reguladas”, ao lado de Mauricio Lima, Market Lead da Oddin.gg no Brasil, e Martin Lycka, especialista em jogo responsável.


Nesta entrevista, Noble abordou o impacto das apostas em projetos sociais, o equilíbrio entre o crescimento econômico e as práticas de integridade e de proteção a grupos vulneráveis, o papel das apostas no desenvolvimento esportivo, entre outros tópicos relevantes ao mercado brasileiro – incluindo o aumento de tributos no setor. 

Noble também destacou a importância do SBC Summit Rio, afirmando que “o evento permite troca real de conhecimento, contato com experiências internacionais e discussão de temas essenciais como jogo responsável, tecnologia e sustentabilidade”. 

SBC Notícias Brasil: O mercado regulamentado de apostas tem sido apontado como potencial motor de investimento social e esportivo. Na sua avaliação, qual é o impacto concreto das apostas em projetos sociais atualmente? De que forma o setor pode contribuir de maneira estruturada para o desenvolvimento local e para a construção de um futuro mais sustentável para o esporte brasileiro?


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Amilton Noble: Hoje é impossível falar do esporte brasileiro sem reconhecer um fato: o futebol só alcançou o nível atual porque as casas de apostas passaram a investir pesado em patrocínio. Essa relação já sustenta boa parte dos clubes, das federações e até da indústria de transmissão. Se houver pressão excessiva, instabilidade regulatória ou aumento desproporcional de custos para as bets, corremos o risco de desregular toda a cadeia esportiva, que depende dessas receitas para funcionar. 

Outro fato relevante é o grande impacto do mercado ilegal ainda no cenário das apostas. E toda essa fatia faz com que os recursos gerados escorram entre os dedos da sociedade, que não se beneficia dos impostos gerados. Já é importante, mas pode melhorar muito caso o combate ao mercado ilegal seja bem-sucedido.

Atualmente, temos os últimos 4 campeões da Copa Libertadores da América, por exemplo. Não teríamos chegado a esse estágio, com todos os clubes brasileiros fazendo bonito em campeonatos mundiais, se não tivéssemos o investimento no setor proporcionado pela indústria de apostas.

SBC Notícias Brasil: Ao considerar a relação entre operadores, clubes, federações e autoridades locais, quais modelos de parceria têm maior potencial para garantir que os recursos das apostas realmente cheguem às comunidades e gerem impacto social de longo prazo?

Amilton Noble: O impacto social das apostas já pode ser notado, mas pode ser muito maior. O que falta é organização. O modelo atual de repasses do Governo, distribuído entre vários ministérios de forma fracionada, espalha as informações e dificulta a visibilidade. Quando você pulveriza dados e responsabilidades, a visibilidade social fica fraca e o resultado se perde. 

É importante que a SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda) e o Ministério do Esporte capitaneiem as iniciativas de consolidação e divulgação desses dados, para que toda a sociedade saiba dos benefícios proporcionados pela indústria de apostas. Atualmente só vêm à tona as externalidades, e, muitas vezes, de forma distorcida.

Um setor recém-regulado que já gerou repasses só de gaming taxes da ordem de R$ 3,3 bilhões em nove meses não é desprezível. Além disso, tiveram outros R$ 5 ou 6 bilhões em impostos gerais e taxas. Estamos falando de um mercado potencial de geração de tributos e repasses da ordem de R$ 10 bilhões no primeiro ano. 

Costumo comparar o mercado com um bebê. Ainda está engatinhando e já gera esse montante de recursos, com todas as dificuldades do primeiro ano do mercado regulado. Imagine quando o “bebê” tiver a segurança de andar com suas próprias pernas!  

SBC Notícias Brasil: A regulamentação cria oportunidades, mas também responsabilidades. Como equilibrar o crescimento econômico do setor com práticas de integridade, de transparência e de proteção de públicos vulneráveis, especialmente jovens atletas?

Amilton Noble: Esse equilíbrio se alcança com duas bases: tecnologia e educação. A tecnologia garante monitoramento de integridade, rastreabilidade de apostas e identificação rápida de comportamentos de risco. Já a educação prepara apostadores, atletas, clubes e até famílias para lidar com o tema de forma responsável.

Não adianta crescer rápido se não crescer com credibilidade. O setor só se consolida quando protege quem é mais vulnerável, especialmente os jovens atletas que vivem sob pressão esportiva e financeira, bem como os apostadores que apresentam tendência de comportamento compulsivo.

Não interessa para ninguém da indústria a externalidade causada pela ultrapassagem de limites pelos apostadores. O jogo precisa ser encarado por todos como entretenimento. 

Aliás, gosto sempre de ressaltar o que os números oficiais nos mostram. Recentemente, foi divulgado que tivemos R$ 27,7 bilhões arrecadados em nove meses de atuação do mercado regulado. E isso foi obtido através de apostas de 25 milhões de apostadores. Esses dados são oficiais e divulgados pela SPA. Fazendo uma conta simples, atinge-se uma média de apostas de R$ 123 por mês por apostador, ou pouco mais de R$ 4 por dia, confirmando o comportamento médio do apostador recreativo.

Basta comparar com um chopp para constatar que a aposta média custa menos do que 50% do valor de um chopp. Isso, na prática, indica que se uma pessoa se reúne com os amigos diariamente para tomar um chopp e diminuir o stress do dia a dia, gastará o dobro do que um apostador médio aposta por mês. É o equivalente a um sorvete de casquinha.

A lição disso tudo é que dá para a indústria ser tratada como ela efetivamente precisa ser tratada. Ou seja, uma indústria que gera entretenimento para quem entende sua dinâmica e que não quer gerar apostadores compulsivos e que excedam os seus limites individuais. E os números oficiais mostram que isso está ocorrendo. 

SBC Notícias Brasil: Na sua visão, o que ainda falta para que a sociedade perceba com mais clareza o papel positivo das apostas no desenvolvimento do esporte e de iniciativas sociais no Brasil?

Amilton Noble: Para que a sociedade perceba melhor o lado positivo das apostas, precisamos de clareza, dados e informação sem viés. Ainda existem muito ruído, pouca informação concreta e pouca comunicação estruturada. Quando mostramos o que foi investido, onde chegou, quantos empregos foram gerados e qual impacto trouxe, a percepção muda rapidamente. Mas ainda sofremos uma campanha sistemática de vários “atores” envolvidos que não se conformam com a escolha dos apostadores em mudarem o seu eixo de entretenimento para as apostas. 

Gosto sempre de recomendar a leitura do livro “Quem Mexeu no Meu Queijo?”. O livro retrata fielmente o que está ocorrendo com o segmento de apostas. Os setores impactados pela perda de protagonismo reagem culpando o setor pelo endividamento excessivo da população, falta de investimento em outros setores, etc., ao invés de olharem para as suas deficiências e para melhorar os serviços ou produtos que oferecem à população.

O setor de jogos e apostas, no mundo todo, é muito importante para a geração voluntária de tributos e para repasses sociais. Por isso, precisa ser encarado como uma indústria que gera empregos, renda, tributos e externalidades. Mas as externalidades só podem ser mitigadas se tratadas à luz do dia. Os que defendem a proibição dos jogos ou excesso de restrições não percebem que estão contribuindo para que as externalidades sejam tiradas do holofote. E isso é muito perigoso, pois, se não enxergamos o problema, deixamos de tomar as providências para mitigá-lo.

De forma objetiva, faltam informação qualificada e debate maduro sobre tudo o que ocorre na indústria, sem preconceito e sem viés ideológico ou de costumes. É uma indústria importante no mundo todo. Continuará existindo mesmo se proibida e com sequelas muito maiores do que regulamentada e com as ações que a própria lei e as portarias da SPA procuraram trazer para a proteção dos apostadores.

SBC Notícias Brasil: Com o aumento dos tributos sobre as apostas, o poder público costuma justificar a medida pela destinação dos recursos a áreas sociais, ao mesmo tempo em que parte do discurso ainda estigmatiza a indústria. Como transformar essa arrecadação em políticas públicas eficientes e transparentes, garantindo impacto social real e relação mais equilibrada entre Estado, setor e sociedade, sem comprometer a sustentabilidade e o desenvolvimento do mercado regulamentado?

Amilton Noble: Sobre tributos, o desafio é transformar arrecadação em política pública real. Isso exige modelos de distribuição mais eficientes, que evitem perdas burocráticas, e transparência ativa, com relatórios públicos, auditorias independentes e plataformas acessíveis ao cidadão. A previsibilidade regulatória também é essencial: sem estabilidade, o setor deixa de investir, e quem perde é a sociedade.

Mas o mais importante é que o governo e o parlamento precisam deixar de ver o setor como a solução de todos os problemas tributários do país. O excesso de carga tributária que está se discutindo atualmente, tal qual a CIDE-Bets e a cobrança retroativa de tributos, é altamente pernicioso para a indústria, pois gera uma insegurança jurídica brutal e afasta investimentos. 

Os atores políticos precisam ter transparência e entender que eventuais perdas tributárias são originadas pelo mercado ilegal que nada contribui para o país. Apontar a artilharia para o mercado regulado é ineficiente e, principalmente, desleal com quem acreditou no modelo apresentado pelo governo para uma operação de cinco anos e que, com menos de um ano, já está a ponto de ser mutilada e inviabilizada.

Racionalidade e análise técnica são duas medidas que precisam nortear a dinâmica deste mercado. E, principalmente, com previsibilidade regulatória. O mercado precisa de estabilidade para continuar investindo. Quando Estado, setor e sociedade dialogam com equilíbrio, todos ganham, principalmente o esporte e os projetos sociais.

SBC Notícias Brasil: Além de posicionar o Brasil no cenário global de apostas, o que torna o SBC Summit Rio um espaço estratégico para líderes do setor? Na sua visão, por que é importante participar ativamente de eventos como esse?

Amilton Noble: O SBC Summit Rio é estratégico porque o Brasil hoje é observado globalmente. Está a caminho de se transformar no segundo maior mercado mundial, apesar de ser um mercado jovem, em plena formação e com um nível de insegurança jurídica maior do que o desejado. 

O evento permite troca real de conhecimento, contato com experiências internacionais e discussão de temas essenciais como jogo responsável, tecnologia e sustentabilidade. Participar não é só networking: é demonstrar compromisso com um mercado profissional, moderno e alinhado às melhores práticas mundiais.

Enfim, o SBC Summit Rio virou um ponto de encontro essencial porque o Brasil hoje é um dos mercados mais observados do mundo. Quem quer operar, inovar ou regular bem precisa estar lá.

Os ingressos para o SBC Summit Rio 2026 estão disponíveis aquiOperadores e afiliados podem solicitar ingressos VIP gratuitamente. 

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O evento conta, ainda, com o Expo+ Pass, disponível por R$ 500, que garante acesso integral ao piso de exposição e às conferências, além do Expo Only Pass, gratuito, que oferece acesso restrito ao piso de exposição.

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Amilton Noble, CEO da Hebara e palestrante do SBC Summit Rio 2026, adiantou temas que serão discutidos no evento entre os dias 3 e 5 de março, no Riocentro, no 


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