A legalização dos jogos físicos no Brasil tem sido debatida nos últimos anos, especialmente após a apresentação do Projeto de Lei nº 2.234/2022, conhecido como “PL dos Cassinos”. Uma das principais justificativas para autorizar resorts integrados e cassinos físicos no país está diretamente ligada ao estímulo ao turismo, o que, como consequência, ampliará a arrecadação governamental.
Esse será o primeiro tópico a ser abordado no SBC Summit Rio 2026, principal evento de apostas esportivas e de jogos do Brasil e um dos maiores encontros promovidos pela SBC. O painel “Destino de entretenimento: o futuro do Brasil através do turismo e lazer” abrirá a agenda de conferências do evento, marcado para quarta-feira, 4 de março, no palco “Leadership”, às 12:20.
Com Bruno Omori, presidente do Instituto de Desenvolvimento, Turismo, Cultura, Esporte e Meio Ambiente (IDT-CEMA), e Fabio Tiberia, vice-presidente da VBET para o Brasil, confirmados como palestrantes, a sessão discutirá como os cassinos físicos podem atuar como motor econômico para o país e de que forma o Brasil pode se consolidar como a próxima capital de entretenimento da América Latina.
Em entrevista ao SBC Notícias Brasil, Omori aprofundou essa análise ao destacar o potencial dos resorts integrados para ampliar o fluxo de turistas, estimular o desenvolvimento regional e fortalecer a imagem do Brasil como destino de entretenimento. O presidente do IDT-CEMA também ressaltou a importância do marco regulatório sólido para garantir a credibilidade do setor e maximizar os benefícios econômicos e turísticos da eventual legalização.
Por que participar do SBC Summit Rio
Sobre sua participação no SBC Summit Rio 2026, Omori afirmou que eventos como este permitem a discussão de boas práticas entre líderes de diversos segmentos públicos, expandindo o alcance de pautas — como a legalização dos jogos físicos — entre grupos que ainda não conhecem ou entendem a relevância do tema.
“Hoje, o mercado de jogos precisa estar cada vez mais unido”, disse Omori, explicando que é preciso difundir tópicos relacionados à indústria de apostas para pessoas de fora desse ecossistema.
O presidente do IDT-CEMA reforçou, ainda, que os jogos são apenas entretenimento e que essa mensagem precisa ser passada adiante. Em adição, Omori explicou que o setor ajuda a gerar impostos e a promover empregos, elevando o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, e destacou que o mercado é uma atividade formal, assim como o turismo e a gastronomia.
Votação do PL dos Cassinos
Um dos tópicos abordados na entrevista foi a possível votação do PL nº 2.234/2022, que prevê a legalização de cassinos e de bingos físicos e do jogo do bicho no Brasil. Segundo Omori, o projeto está pronto para ser aprovado. O executivo afirmou que, quando colocado em votação, o texto deverá contar com o apoio da maioria dos senadores.
No entanto, isso ainda não ocorreu porque 2025 foi marcado por temas de grande impacto na agenda política, como o tarifário adotado por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), e a prisão de Jair Bolsonaro, ex-presidente da República, exemplificou Omori.
“Como você consegue colocar para votar uma outra pauta, uma pauta-bomba no Brasil?”, questionou o presidente do IDT-CEMA.
Ainda assim, Omori avaliou que o PL dos Cassinos pode ser votado este ano. Segundo o executivo, após o recesso parlamentar, que deve se encerrar no início de fevereiro, o texto tende a ser analisado entre fevereiro e março, antes do início do período de campanha dos senadores que disputarão a reeleição.
Caso isso não ocorra, a entrada dos parlamentares na campanha eleitoral tende a inviabilizar a votação da proposta. Nesse cenário, a deliberação ficaria para o fim do ano e, se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) for reeleito, a votação poderia ocorrer em novembro. Em caso de vitória da oposição, Omori acredita que o projeto seria novamente adiado por cerca de 100 dias, com análise apenas em 2027.
Desafios regulatórios e culturais
Omori afirmou que, desde 2021, participou da elaboração do PL dos Cassinos junto a 12 deputados, incluindo demandas sobre ludopatia, lavagem de dinheiro e segurança. O projeto prevê que parte da arrecadação seja destinada ao atendimento de jogadores com transtorno do jogo, garantindo suporte para quem precisa.
A formalização do setor também resolveria questões históricas relacionadas à ilegalidade. Hoje, bingos e cassinos que operam fora da lei estão sob controle de contraventores ou de criminosos. Com a regulamentação, os estabelecimentos passam a ser geridos por empresários legalmente responsáveis, com todas as licenças e fiscalização necessárias.
Omori ressaltou que os cassinos não fomentam atividades ilícitas dentro das instalações. Além disso, os cassinos integrados criam zonas de segurança próximas ao fluxo de visitantes, com centros de convenções, monitoramento e infraestrutura de lazer, atendendo às principais demandas regulatórias e culturais.
Durante a entrevista, o executivo relembrou o início da proibição dos cassinos no Brasil em 1946, mas ressaltou que o jogo nunca desapareceu totalmente. Omori citou exemplos como a Telesfera de Silvio Santos e a Mega Sena. Segundo o presidente do IDT-CEMA, a legalização dos jogos físicos colocaria o Brasil de volta no mapa turístico internacional.
Potencial dos jogos físicos no Brasil
Omori reforçou o potencial dos jogos físicos no Brasil, alegando que o setor turístico está entre os principais beneficiados da atividade: “Aprovando essa lei [nº 2.234/2022], nós vamos ter uma entrada de aproximadamente US$ 70 bilhões de investimentos no Brasil”.
Em relação ao setor imobiliário, Omori destacou que a implantação de resorts integrados ou a adaptação de hotéis para receber turistas de diferentes partes do mundo exige a atuação conjunta de profissionais como arquitetos, advogados e engenheiros. Na etapa seguinte, o empreendimento passa pelo processo de decoração e de ambientação, no qual outros segmentos, como o setor moveleiro, se tornam essenciais. Como resultado, o país passaria a contar com novos estabelecimentos, ampliando a geração de empregos em diversas áreas.
A expectativa é que, com a legalização dos jogos físicos no Brasil, cerca de 30 milhões de trabalhadores sejam impactados positivamente, sendo 10 milhões de forma direta e 20 milhões de maneira indireta.
O executivo afirmou que muitos turistas brasileiros preferem destinos internacionais como Cancún, que conta com cassinos, em vez de Ilhabela, arquipélago localizado no litoral norte do estado de São Paulo, conhecido pela beleza natural de suas praias e cachoeiras e cercado pela Mata Atlântica.
Segundo Omori, o entretenimento é um fator determinante para a atração de visitantes ao país. Em 1994, Brasil e México receberam cerca de 4 milhões de visitantes internacionais cada. Dados mais recentes mostram que o Brasil dobrou esse volume, alcançando aproximadamente 8 milhões, enquanto o México registrou um salto de quase 12 vezes, chegando a 47 milhões.
Além disso, o executivo disse que o mercado interno também seria beneficiado. Conforme explicou, cerca de 60 milhões de brasileiros realizam viagens pelo país a turismo atualmente, seja a negócios ou a lazer. Omori argumentou que, caso os mais de 28 milhões de brasileiros que hoje viajam ao exterior passassem a permanecer no país, estimulados pela oferta de cassinos físicos, o turismo interno poderia alcançar cerca de 88 milhões de viagens.
Para o presidente do IDT-CEMA, os cassinos favoreceriam a retenção desse público no Brasil, levando brasileiros que hoje optam por destinos como Cancún, Las Vegas e Macau a permanecer no território nacional, especialmente no Nordeste e em São Paulo.
Cassinos impulsionam o Brasil
Após contextualizar a lei sobre a distribuição de cassinos no Brasil, Omori explicou que todas as regiões seriam beneficiadas com a aprovação do PL 2.234/2022, fortalecendo o turismo.
No Estado de São Paulo, grandes cidades como a capital, Campinas e Ribeirão Preto poderiam receber cassinos integrados, ou seja, resorts completos com hotel, gastronomia, entretenimento e cassino. Destinos turísticos como Guarujá, Ilhabela e Campos do Jordão poderiam abrigar cassinos turísticos, voltados principalmente aos visitantes.
Cidades menores com apelo turístico, como Águas de São Pedro, poderiam receber cassinos urbanos, popularmente denominados bingos. No Norte, Omori destacou o Amapá, que combina potencial turístico e econômico, podendo receber tanto cassinos integrados quanto urbanos.
Prevenção e segurança
Os cassinos também contam com amplos sistemas de vigilância, equipados com câmeras e tecnologias de alto nível, voltados à segurança de todos os frequentadores. Caso uma pessoa procurada pela polícia esteja no local, os recursos de monitoramento permitem sua identificação e a atuação conjunta com as autoridades competentes. Temas como o tráfico de pessoas, citado durante a entrevista, exemplificam situações em que esse controle pode ser aplicado, assim como a restrição à prática de jogos por ludopatas, sem impedir o acesso às demais áreas do empreendimento.
“Quando você cria um estabelecimento como um cassino internacional, voltado ao turismo, seja cassino ou bingo, e ele é bonito, iluminado, conta com hospedagem, segurança, gastronomia e entretenimento, ele se torna mais seguro e mais abrangente. O comércio ao redor começa a prosperar, porque passa a haver demanda por farmácia, padaria, e o condomínio valoriza o metro quadrado. Ou seja, há apenas aspectos positivos para o empreendimento e para o entorno”, afirmou Omori.
Oportunidades e novas experiências
Quando questionados sobre potenciais parcerias entre operadores e órgãos de turismo e a criação de experiências diferenciadas para os turistas, Omori afirmou que “essa integração vai ser muito interessante”. Segundo o executivo, muitos resorts, hotéis e fazendas já possuem acordos que permitem converter espaços em bingos, em cassinos turísticos ou em cassinos integrados, e grupos internacionais já demonstraram interesse no Brasil.
Além disso, Omori destacou que o IDT-CEMA possui acordo com o Instituto Federal (IF) e com órgãos ligados à Comissão de Jogos de Nevada e à Comissão de Jogos Europeia, com o objetivo de trazer conhecimento e qualificar profissionais para o setor. Como o IF está vinculado ao Ministério da Educação (MEC), o treinamento pode ser repassado a instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Universidade Presbiteriana Mackenzie (Mackenzie), ampliando a capacitação de forma abrangente.
O executivo explicou que, quando se considera o turismo como um todo, a iniciativa fortalece toda a cadeia local. Em cidades pequenas, por exemplo, um restaurante não concorre com os melhores meios de hospedagem, mas se beneficia do aumento do fluxo de visitantes e ajuda a movimentar o comércio e a economia local.
Omori também citou exemplos internacionais, como Las Vegas, onde os turistas aproveitam atrações externas, compras e passeios. O presidente do IDT-CEMA disse que esse modelo também pode ser aplicado no Brasil, aumentando a demanda para guias turísticos, locadoras de carros, restaurantes e eventos corporativos.
Um caso prático é Foz do Iguaçu. Hoje, turistas acabam atravessando a fronteira para jogar em cassinos no Paraguai ou na Argentina à noite. Segundo Omori, com cassinos integrados a resorts no território nacional, grande parte desse público permaneceria no país — retenção que fortaleceria o turismo interno e poderia aumentar em 20% a 30% o fluxo de brasileiros em destinos nacionais.
Equilíbrio entre oferta de jogos e imersão cultural
Em relação ao equilíbrio entre a oferta de jogos e a imersão cultural, Omori destacou que a experiência em cassinos internacionais serve de exemplo para o Brasil. O presidente do IDT-CEMA usou o Marina Bay Sands, em Singapura, como exemplo. Nos últimos 30 anos, o número de turistas na região passou de zero para 25 milhões. O espaço conta com mais de 2 mil apartamentos, 80 lojas de grife, cerca de 25 restaurantes, arenas de eventos e de esportes, além de 800 mesas de jogos e 4 mil máquinas caça-níqueis.
Omori explicou que é possível ficar cinco ou seis dias sem repetir atividades dentro do cassino integrado, variando entre diversão, gastronomia, shows e congressos corporativos.
O executivo também comparou o cenário brasileiro a destinos menores, como Interlaken, na Suíça, onde cassinos turísticos operam de forma integrada a hotéis de luxo, música ao vivo e entretenimento voltado a um público diferenciado. Para Omori, no Brasil, os resorts ainda oferecem poucas opções de lazer para adultos, concentrando-se majoritariamente em atividades infantis ou em entretenimento de menor apelo.
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A legalização dos jogos físicos no Brasil tem sido debatida nos últimos anos, especialmente após a apresentação do Projeto de Lei nº 2.234/2022, conhecido como “PL dos Cassinos”. Uma das
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