Bingos clandestinos no Brasil: o lado oculto do entretenimento e a importância da legalização

Bingo! – expressão que possivelmente se popularizou em 1913, nos Estados Unidos, ao celebrar vitória em jogos lotéricos e em jogos de comunidade. Atualmente, o termo refere-se ao jogo de azar em que apostadores tentam a sorte com cartelas numeradas com diferentes prêmios.

Mas a história do bingo é ainda mais antiga – acredita-se que o jogo surgiu na Idade Média, na Itália, mais especificamente na cidade de Gênova, quando tinha-se o costume de substituir os membros de conselhos políticos periodicamente por meio de sorteios. Os nomes eram colocados em bolas, as quais eram retiradas de uma urna de maneira aleatória.


O atual jogo do bingo teria sido inspirado nessa tradição, quando criaram o Lo Gioco Del Lotto, espécie de loteria, por volta da década de 1530. Ao longo dos anos, o jogo teria expandido para a Europa e, posteriormente, para as Américas. 

Até 1960, o bingo era jogado de forma amadora. Em 1966, as coisas começaram a mudar – a Inglaterra criou as primeiras regras para o jogo. Então, muitos empresários, ao perceberem a oportunidade, abriram salas de bingo para atrair pessoas para jogar. 

Na Espanha, o bingo conquistou espaço e ganhou uma adaptação – de 75, o jogo passou a contar com 90 números para serem sorteados. Essa nova versão do bingo é a que conhecemos nos dias de hoje, adotado pela maioria dos países – incluindo o Brasil. 


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Com o avanço da internet, o bingo ganhou novas variantes, com inúmeras possibilidades de vitórias e de prêmios. No entanto, as salas de bingo clandestinas permanecem em funcionamento no Brasil. Apesar de não ser permitido no país, sabe-se que muitos estabelecimentos físicos operam jogos de azar ilegalmente. Estimativas do Instituto Jogo Legal (IJL) de 2016 indicam que o Brasil possuía mais de 300 bingos clandestinos. 

Bingo! Por trás das cortinas

O SBC Notícias Brasil conversou com um jovem que trabalha em uma sala de bingo há nove anos. Para preservar sua identidade e garantir sua segurança, o chamaremos de Roberto. Quando questionado sobre o que o levou a aceitar trabalhar com uma atividade não regulamentada no Brasil, explicou que estava relacionado ao recebimento de seu salário. Roberto afirmou que, por receber diariamente, “sempre tem dinheiro” em mãos. Outra questão levantada por Roberto foi o fato de sua remuneração ultrapassar os valores pagos em empregos de carteira assinada no Brasil, em que o salário mínimo é de R$ 1.518,00 (2025). 

“Acabamos ficando pela comodidade”, afirmou Roberto, alegando ser fácil de entrar e não precisar passar pelo processo de entrevista. 

Conforme o tempo passa, a lista de clientes aumenta  – quanto mais clientes você tem, melhor. O objetivo, segundo Roberto, é fidelizá-los para sempre retornar. Então, o bingo em que trabalha – e muitos outros – oferece refeições e bebidas gratuitas ao longo do dia, como bolo, sanduíches, café, refrigerantes, entre outros, além de pagar o deslocamento de ida ou de volta do cliente, conforme a preferência do mesmo. Outros benefícios dados a clientes fiéis incluem bônus de 10% do valor perdido ou descontos ao pagar – sempre a critério do apostador.

Integridade de máquina caça-níqueis

Apesar do nome, os bingos clandestinos não oferecem apenas bingo (jogo de sorteio), mas também outros jogos de azar – como as populares máquinas caça-níqueis. Roberto explicou que algumas delas são terceirizadas, então, o estabelecimento não consegue “zerar o caixa, como eles dizem”.

O termo refere-se à manipulação das máquinas quando estão a fornecer prêmios muito frequentes. Assim, o jogo é reiniciado, reduzindo a distribuição de recompensas financeiras.  

Outras possuem acumulados – também conhecidos como jackpots – de R$ 2 mil, R$ 4 mil ou até R$ 10 mil, “dependendo da máquina”. 

Nas sextas-feiras à noite, o local oferece bingo de cartela para os clientes, com diferentes prêmios que totalizam R$ 500 a rodada. Aos sábados, o bingo oferece sorteios de R$ 50 e R$ 100 durante todo o dia, totalizando R$ 1 mil em prêmios. 

Além disso, para assegurar o funcionamento contínuo do bingo, o estabelecimento mantém acordo com as autoridades locais. Embora não saiba o valor exato pago quinzenalmente, Roberto acredita que a quantia não seja alta, já que se trata de um “bingo pequeno”.

Mas afinal, qual a importância da regulamentação?

O relato de Roberto é apenas mais um em uma imensidão de bingos clandestinos no Brasil. Afinal, todo mundo já soube de um lugar que operava jogos de azar ilegalmente ou conhece alguém que frequenta esse tipo de estabelecimento. 

Especialistas alertam que a falta de regulamentação abre brechas para o mercado ilegal, colocando em risco a população, perdendo de arrecadar com impostos e fortalecendo a operação cladestina – com os bingos no Brasil. E o primeiro passo para garantir a regulamentação do jogo físico é a legalização da atividade em território nacional.

A ausência da estrutura regulatória não é apenas um detalhe técnico – é uma porta aberta para a ilegalidade. Quando o Estado se omite, o mercado não deixa de existir, apenas muda de mãos. O Brasil conhece bem esse roteiro. 

O histórico dos bingos é emblemático – onde não havia regra, cresceu a clandestinidade. Onde não havia fiscalização, floresceram redes informais – sem controle, sem proteção ao consumidor e ao trabalhador e sem qualquer retorno ao poder público.

O jogo responsável também pode ser apontado como um quesito fundamental para legalizar e regulamentar os jogos físicos no Brasil. Embora a história de Roberto pareça tentadora, o ecossistema por trás da atividade não garante nenhuma segurança ao jogador. Manipular máquinas de caca-níqueis para reduzir prêmios é apenas a ponta do iceberg – o perigo está em toda a estrutura de funcionamento desses estabelecimentos. Muitos deles são coordenados por grupos criminosos, situação retratada pela série Os Donos do Jogo, da Netflix, que mostra os bastidores do jogo do bicho no Rio de Janeiro. 

Em um país em que a prática do jogo seguro e saudável é pilar fundamental para o mercado online, como é possível ignorar a proteção de centenas de brasileiros em um setor visivelmente consolidado no Brasil?

É ilusório imaginar que proibir resolve. O que resolve é regulamentar, fiscalizar e tributar. A prova está nos números. Em menos de um ano de mercado regulamentado, as apostas online já renderam mais de R$ 7 bilhões aos cofres públicos. No ano anterior, quando a Lei das Apostas ainda não estava em vigor, a arrecadação girava em torno de R$ 49 milhões – aumento de 16.000%.

Não se trata de incentivar o jogo ou de liberar sem regras, mas de retirar o brasileiro dos riscos do mercado ilegal e de dar ao Estado a capacidade de ordenar o setor. Regulamentar os jogos físicos no Brasil, incluindo estabelecimentos como os bingos, é sinônimo de proteção, de fortalecer a economia do país e de garantir que a atividade ocorra com transparência e segurança para todos os envolvidos. 

Bingo! – expressão que possivelmente se popularizou em 1913, nos Estados Unidos, ao celebrar vitória em jogos lotéricos e em jogos de comunidade. Atualmente, o termo refere-se ao jogo de 


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