A proposta embrionária de criação de uma liga unificada de clubes, elaborada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na tarde desta segunda-feira (6) aos clubes das Séries A e B do Brasileirão, traz à tona conceitos tão básicos que fazem com que o país consiga, finalmente, chegar ao que outras nações encontraram há quase 40 anos.
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Foi em 1991 que a Inglaterra instituiu a Premier League, com o objetivo de transformar o futebol decadente praticado por seus jogadores em um produto comercial que reconduzisse o protagonismo também dentro de campo para os fundadores do esporte.
Reformas em estádios, qualificação e padronização dos gramados, melhoria na segurança para o público, unificação da venda de direitos comerciais e estímulo para os fãs irem aos estádios. Estas foram algumas das propostas estimuladas pelos ingleses para que o futebol virasse um produto de melhor qualidade.
O resultado começou a ser colhido depois de 20 anos, com os times do país virando novamente centros de atração de talentos. Além disso, com o passar do tempo, os ingleses foram colocando a Premier League na vanguarda da gestão de negócios do futebol. Hoje, nenhum campeonato no mundo atrai tantos investimentos quanto a liga inglesa.
Por aqui, no afã de se fazer uma liga antes mesmo de se ter um produto, as cartelas furadas do futebol nacional venderam a preço de banana seus direitos para investidores achando que isso solucionaria seus problemas.
Aumentamos a dívida a custo do inflacionamento do mercado. O resultado está cristalino. Menos dinheiro e mais pressão aos combalidos cofres do futebol nacional.
A situação chegou ao limite. Quem comprou o produto a preço de banana não tem nada a perder. Por pior que esteja a qualidade desse produto, ele já se paga e dá lucro sem qualquer esforço. Com a dependência do capital só aumentando, o cenário fica ainda melhor. Dá pra continuar comprando, ou emprestando, e tirando o lucro a partir de cada real a mais investido.
A CBF conseguiu um feito que nunca antes houve no futebol brasileiro. Ela não entregou a solução a terceiros, mas sim passou a estimular a melhoria a partir de um plano coordenado de trabalho. Está usando, para isso, a força política que possui.
Agora, é entender se quem comanda o futebol perceberá que o único caminho para se ter uma liga é ter um propósito único de melhoria do produto. A CBF tem o poder para exigir isso de seus filiados.
Mas, pelas declarações dadas após o encontro por alguns dos dirigentes presentes ao evento desta segunda-feira (6), no Rio de Janeiro (RJ), a unidade de pensamento só virá no dia em que a sociedade brasileira for refundada.
O futebol do Brasil, em 2026, parece ter entendido o que os ingleses e outras sociedades descobriram há 30, 40 anos.
Sejamos bem-vindos a 1991.
Erich Beting é fundador e CEO da Máquina do Esporte, além de consultor, professor e palestrante sobre marketing esportivo
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Projeto apresentado pela entidade é algo que deveria ter sido debatido há quase 40 anos
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