Celina Guedes, EGT: produção local de VLTs e adaptação tecnológica ao público brasileiro

Euro Games Technology (EGT), empresa de tecnologia especializada em terminais de videoloteria (VLTs), foi uma das principais patrocinadoras e maiores expositoras do SBC Summit Rio 2026. Durante o evento, a marca aproveitou o espaço para apresentar suas novas máquinas produzidas em solo brasileiro.

No segundo dia de exposição, o SBC Notícias Brasil entrevistou Celina Guedes, diretora regional da EGT no Brasil, para saber mais sobre os desafios da empresa em produzir os VLTs no Brasil ao invés de importá-los diretamente de Sofia, Bulgária, onde fica a matriz da EGT.


Ao longo da entrevista, Guedes também compartilhou um pouco sobre os custos da operação e como a EGT ajuda a promover o jogo responsável no Brasil.

Como a EGT produz VLTs no Brasil

SBC Notícias Brasil: Eu vi que vocês estão com algumas máquinas novas aqui. Pelo anúncio, vocês falaram que foram desenvolvidas especialmente para o mercado brasileiro. Você poderia entrar em mais detalhes?

Celina Guedes: Sentimos a necessidade de adaptar — ou, como se costuma dizer, “tropicalizar” — nossos produtos para atender melhor às necessidades do mercado brasileiro. Por isso, realizamos uma série de ajustes estratégicos. Fomos a campo, visitamos diferentes locais, analisamos o perfil do público e avaliamos o que já existia no mercado local. A partir dessa análise, conseguimos, com a nossa tecnologia e estrutura de desenvolvimento, criar soluções mais alinhadas com essa realidade.


iGaming & Gaming International Expo - IGI

O resultado foi o desenvolvimento de um produto montado no Brasil, pensado especificamente para o público brasileiro. Algumas partes ainda vêm da nossa matriz em Sofia, mas toda a montagem é realizada aqui, garantindo maior aderência ao mercado local.

Hoje contamos com quatro modelos principais. Temos o Estrela Bar, desenvolvido como uma solução compacta para balcões e bancadas, ideal para ambientes com espaço mais limitado, e temos o Estrela Top, um terminal vertical pensado para estabelecimentos locais. Ambos são equipamentos bastante eficientes, ocupam pouco espaço e oferecem grande flexibilidade de instalação, podendo ser posicionados facilmente em diversos pontos do estabelecimento.

Além desses modelos, apresentamos também nossas VLTs, que você pode ter visto durante a feira. Entre elas, temos a Super Sorte 27/27 ST, equipada com duas telas de 27 polegadas, e a Super Sorte 43V, que conta com um monitor único de 43 polegadas.

SBC Notícias Brasil: A Estrela Top é a mais compacta de todas, certo?

Celina Guedes: A Estrela Top foi desenvolvida para ser instalada em bares e estabelecimentos semelhantes. Ela pode ser pendurada ou fixada na parede. Tem um formato de tótem vertical, funcionando de forma independente, sem necessidade de um balcão.

Já a Estrela Bar foi pensada especificamente para instalação sobre balcões ou bancadas, sendo ideal para locais onde já existe esse tipo de estrutura disponível.

Estes são os quatro modelos que desenvolvemos neste primeiro momento para o mercado brasileiro, justamente com o objetivo de nos adaptarmos melhor às características e necessidades locais.

SBC Notícias Brasil: O quão diferentes são essas máquinas que vocês adaptaram para o Brasil das máquinas que a empresa tem na Europa?

Celina Guedes: Em termos de conteúdo, não há diferença. O que muda, na verdade, é a carcaça do equipamento. Naturalmente, existem variações relacionadas à qualidade dos metais utilizados, aos tipos de tela e aos componentes de acabamento, como os ajustes ergonômicos que permitem regular a posição dos braços.

Na Bulgária, temos um padrão de produção bastante elevado em nossas fábricas, resultado de muitos anos de experiência e desenvolvimento tecnológico. Ao trazer a produção para o Brasil, buscamos também parceiros locais capazes de entregar um nível de qualidade compatível com o nosso padrão.

Não significa que os produtos brasileiros não tenham qualidade — muito pelo contrário, o Brasil tem excelentes fabricantes. No entanto, como estamos há 23 anos atuando nesse mercado, fomos continuamente aperfeiçoando nossos processos, evoluindo tecnologicamente e atualizando nossos equipamentos ano após ano.

Por isso, naturalmente, uma máquina produzida na Bulgária acaba sendo percebida como um produto um pouco diferente, fruto de toda essa trajetória de desenvolvimento e especialização.

SBC Notícias Brasil: Você afirma, sem medo, que a EGT possui as melhores máquinas do mercado?

Celina Guedes: Com certeza, sem sombra de dúvida. Existe uma questão que vai além do aspecto físico do equipamento. Claro que o visual tem seu impacto — como se costuma dizer, somos impactados primeiro pelos olhos —, mas o conteúdo é, de fato, o mais importante. Os nossos jogos são o verdadeiro diferencial.

Mesmo que a máquina produzida aqui não tenha exatamente o mesmo padrão estrutural das máquinas fabricadas na Bulgária, o conteúdo é exatamente o mesmo. Os jogos, a tecnologia e toda a experiência oferecida ao usuário seguem o mesmo nível de qualidade.

Além disso, todo o processo é desenvolvido com o mesmo nível de dedicação e controle técnico. Para cada conexão ou integração necessária, contamos com equipes técnicas vindas diretamente da Bulgária, garantindo que tudo seja implementado de acordo com os nossos padrões.

Temos muito cuidado com isso. Ninguém externo interfere diretamente nos nossos produtos, justamente para assegurar que toda a tecnologia, segurança e qualidade sejam mantidas no nível que sempre entregamos ao mercado.

SBC Notícias Brasil: Ou seja, vocês trouxeram toda a expertise e o pessoal, correto?

Celina Guedes: Correto. Naturalmente, é inevitável que empresas brasileiras também estejam aprendendo e evoluindo nesse processo. Isso faz parte do desenvolvimento do mercado e é um caminho natural para que o país se adapte cada vez mais aos padrões e produtos internacionais.

Ao mesmo tempo, esse movimento contribui para o crescimento do setor e para o fortalecimento da indústria local.

Mas posso afirmar com tranquilidade que hoje temos alguns dos melhores produtos disponíveis no mercado brasileiro, tanto em termos de tecnologia quanto de qualidade e experiência de jogo.
sil.

SBC Notícias Brasil: E estas máquinas desenvolvidas para o mercado brasileiro já foram validadas em nosso mercado?

Celina Guedes: Sim. Hoje estamos em um processo em que todo tipo de equipamento e de jogo precisa passar por certificação. Não podemos colocar nenhum produto em operação — especialmente em ambientes públicos — sem que ele tenha a certificação adequada.

Nós já trabalhamos há muitos anos com laboratórios internacionais de certificação e, vale lembrar, estamos há 23 ou 24 anos atuando nesse mercado, o que nos dá bastante experiência nesse tipo de processo.

É importante destacar que, quando falamos de uma máquina, não estamos falando apenas do equipamento físico. Cada operação envolve também os jogos, o layout da interface e todas as conexões e integrações do sistema. Todos esses elementos precisam ser certificados e seguir procedimentos técnicos específicos.

E sim, já temos máquinas operando no Brasil. As primeiras casas instaladas na Paraíba, em João Pessoa, já estão totalmente certificadas, homologadas e adaptadas para o mercado brasileiro, inclusive com todos os conteúdos devidamente traduzidos e adequados às exigências locais.

Foto tirada do estande da EGT no SBC Summit Rio 2026.
Crédito: SBC

Os desafios impostos pela produção local de VLTs

SBC Notícias Brasil: Imagino que tenha sido um passo bem importante para a empresa, no sentido de vir e fazer no Brasil, em vez de só trazer o maquinário de lá. Quão importante foi esse passo para a empresa se afirmar aqui no Brasil?

Celina Guedes: Essa é uma boa pergunta, porque inicialmente não estava nos planos da EGT produzir no Brasil. Nós temos uma fábrica muito grande em Sofia, na Bulgária, onde produzimos cerca de 3 mil máquinas por mês, e a ideia era atender o mercado brasileiro a partir de lá.

No entanto, o processo de importação no Brasil é bastante desafiador, especialmente porque ainda existe pouco conhecimento por parte de alguns órgãos sobre esse tipo de equipamento. Muitas vezes precisamos explicar que não se trata de máquinas caça-níqueis, que são proibidas no país, mas sim de terminais de jogos.

Já realizamos alguns testes de importação e conseguimos trazer equipamentos, mas enfrentamos alguns obstáculos relacionados à classificação e liberação das cargas.

A nossa expectativa é que, ao longo de 2026, esse diálogo com os reguladores evolua e o processo de importação se torne mais claro e eficiente.

SBC Notícias Brasil: Produzir no Brasil reduziu o custo ou encareceu?

Celina Guedes: Ficou mais caro.

SBC Notícias Brasil: Apesar de todos os desafios de importar e impostos?

Sim, acabou ficando mais caro do que importar. Mas somos uma empresa que faz questão de seguir todas as regras e atuar totalmente dentro da lei. Não queremos cortar caminhos; queremos fazer tudo da forma correta.

Como estamos entre os primeiros a desenvolver esse tipo de projeto no Brasil, acabamos enfrentando alguns desafios naturais de quem é pioneiro. Ainda não vemos muitas outras empresas atuando da mesma forma nesse mercado.

Esperamos que, no futuro, esse caminho que estamos abrindo facilite a entrada de outras empresas e ajude o setor a evoluir. Nosso plano inicial era importar nossas máquinas diretamente da Bulgária, mas tivemos que nos adaptar à realidade do mercado brasileiro.

SBC Notícias Brasil: Qual fatia de mercado do Brasil vocês estão focando? Porque, como sabemos, o Nordeste está se provando um solo fértil para as máquinas VLTs. Onde é que a EGT está buscando atuar?

Celina Guedes: Isso depende da demanda. Nós atuamos em mercados regulados, então vamos para os lugares onde existe necessidade e onde o produto pode ser operado dentro da regulamentação.

No Brasil, os VLTs são regulados pelas loterias estaduais, então nossa atuação acompanha os estados que já possuem regulamentação ou que estão abrindo esse mercado.

Eventos como esta feira são importantes porque nos permitem conhecer empresários do setor, reguladores e possíveis parceiros, o que ajuda na construção de novos projetos.

No Brasil, cada um dos 27 estados funciona quase como um país, com suas próprias regras e exigências. Por isso, a EGT estará presente onde o mercado estiver regulamentado e onde houver abertura para operação, levando nossos produtos e nossa experiência para esses locais.

Foto tirada do estande da EGT durante o SBC Summit Rio 2026.
Crédito: SBC

Como a EGT promove o jogo responsável no Brasil

SBC Notícias Brasil: E, como você mesmo disse, é tudo muito novo no Brasil. E eu vejo, mais do que nunca, que o tópico do jogo responsável está em alta. Quais são as medidas que a EGT toma no Brasil para promover o jogo responsável?

Celina Guedes: Eu diria que isso faz parte do nosso DNA. Nós não fazemos nada sem conhecimento, sem preparação e sem educação sobre o tema. Como atuamos apenas em mercados regulados, o conceito de jogo responsável está sempre no centro das nossas operações.

Existe todo um ecossistema que precisa trabalhar junto: os fornecedores, os operadores, os reguladores e também os consumidores. Todos precisam passar por esse processo de educação sobre o jogo responsável.

Isso é ainda mais importante porque, muitas vezes, existe um estereótipo negativo em torno do setor, com a ideia de que o jogo está sempre associado a práticas ilegais. Por isso, é fundamental informar, educar e mostrar como o mercado regulado funciona de forma transparente e responsável.

SBC Notícias Brasil: E também temos os atores ruins, né?

Celina Guedes: Acredito que desafios existem em qualquer mercado. Mas oportunidades como esta feira e outros canais de diálogo ajudam muito a melhorar esse cenário, porque permitem que possamos explicar melhor o setor e compartilhar informações corretas.

Nós temos a responsabilidade de transmitir informações precisas e seguras sobre como o mercado funciona. Por isso, nosso estande costuma receber a visita de reguladores e autoridades, com quem mantemos um diálogo aberto.

Eu, particularmente, tenho uma relação muito próxima com reguladores e com os presidentes das loterias estaduais, e acreditamos muito nessa parceria. Trabalhar juntos, com transparência e informação, é fundamental para o desenvolvimento do setor — e isso faz parte da história da indústria e também da cultura da EGT.

Saldo da EGT no SBC Summit Rio 2026

SBC Notícias Brasil: Mas qual o saldo da EGT após apresentar seus produtos aqui no SBC Summit Rio e também patrocinar o evento? Afinal, vocês estão entre os principais patrocinadores.

Eu acredito muito no valor dessa exposição. Existe um ditado que diz que quem não é visto não é lembrado, e para nós isso faz muito sentido. A EGT sempre participa com um estande robusto, porque isso já faz parte do DNA da empresa.

Somos parceiros da SBC em diversos mercados, e estamos realizando exposições semelhantes também na África do Sul e em Dublin.

Esses eventos são muito positivos, porque as pessoas vêm em busca de novidades e inovação, além de ser uma ótima oportunidade para reencontrar profissionais do setor e trocar experiências.

No final, o estande da EGT acaba se tornando um ponto de encontro, um lugar onde todos se conectam e se sentem à vontade. Essa é exatamente a mensagem que a EGT Brasil quer transmitir: somos parceiros, entendemos as necessidades de cada cliente e tratamos todos com respeito e proximidade.


Esta foi a primeira de uma série de entrevistas que o SBC Notícias Brasil produziu durante o SBC Summit Rio 2026. Então, fique atento em nosso site nas próximas semanas para não perder nada.

Receba um resumo com as principais notícias sobre o mercado de jogos online e de apostas esportivas no Brasil através do link. A newsletter é enviada toda segunda, terça e quinta-feira, sempre às 17 horas.

A Euro Games Technology (EGT), empresa de tecnologia especializada em terminais de videoloteria (VLTs), foi uma das principais patrocinadoras e maiores expositoras do SBC Summit Rio 2026. Durante o evento, a marca 


Participe da IGI Expo 2026: https://igi-expo.com/

O iGaming & Gaming International Expo - IGI, é um evento inovador criado para reunir empresas e empreendedores, profissionais, investidores, dos setores de iGaming e jogos. Com foco total em networking, exposição e feira de negócios. Além de ser uma fonte inigualável de informações sobre as tendências e o futuro das indústrias nos próximos anos.


📢 Receba em primeira mão notícias relevantes e fique por dentro dos principais assuntos sobre Igaming e Esportes no Brasil e o mundo. Siga no Whatsapp!
...

Entenda o iGaming neste guia completo