O ciclo para os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina d’Ampezzo 2026 marca uma mudança de paradigma na gestão esportiva do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Deixando de lado a participação meramente figurativa, a entidade desenhou um plano de negócios que envolve aportes diretos, marketing de influência e ativos digitais para transformar a delegação de inverno em um produto rentável e competitivo.
No Maquinistas, podcast da Máquina do Esporte, o presidente da entidade, Marco La Porta, detalhou como a gestão trabalhou para transformar a busca por medalhas na neve em um plano apoiado por um investimento financeiro direto e uma estratégia de comunicação agressiva.
A base da estratégia foi a revisão do fluxo de caixa destinado às modalidades de neve e gelo. O COB criou um Programa de Preparação Olímpica (PPO) de Inverno, centralizando o orçamento nos atletas de elite para retirar o peso das contas das confederações menores (CBDN e CBDG).
“A gente fez um PPO de inverno em cima do investimento no Lucas [Braathen], na Nicole [Silveira], no bobsled. A confederação praticamente não investe, quem investe é a gente, para aliviar a confederação para investir nos outros [atletas]”, explicou.
Os resultados da gestão aparecem nos números da delegação. O COB terá 14 atletas em Milão-Cortina. Apesar do número parecer pequeno, significa um crescimento de 40% em comparação com a última edição do evento, além de ser um recorde histórico do país.
“O impacto de um aumento de modalidade nos Jogos Olímpicos de Verão é menor comparativamente aos Jogos Olímpicos de inverno, mas saltar de 10 para 14 é muito significativo”, pontuou o dirigente.
Digital
O COB também trabalhou para superar o ceticismo do público brasileiro com relação aos Jogos Olímpicos de Inverno, baseando-se na força da entidade nas redes sociais.
“Se você olhar o Instagram do COB desde outubro, é praticamente inverno, parece que é um país de inverno. Nós somos o comitê olímpico com maior número de seguidores do mundo, e em engajamento nem se fala”, exaltou La Porta.
Para monetizar esse investimento, o COB aposta na construção de ídolos que furam a bolha do nicho esportivo. Lucas Pinheiro Braathen é tratado como um ativo de marketing central, cuja brasilidade gera engajamento e valor para os patrocinadores.
A estratégia já reflete no merchandising. O lançamento das malas da Adidas, por exemplo, para a delegação serviu como termômetro de consumo.
“Tenho certeza de que há quatro anos muita gente não sabia que o Brasil competia, e hoje sabe. Aí você pega um garoto como o Lucas, extremamente carismático e que tem uma paixão genuína pelo Brasil. Isso não tem preço para a gente”, concluiu o presidente do COB.
O podcast Maquinistas, apresentado por Erich Beting e Gheorge Rodriguez, com a participação de Marco La Porta, presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), estará disponível a partir da próxima terça-feira (10), às 19h (horário de Brasília), no canal da Máquina do Esporte no YouTube.
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Com crescimento de 40% na delegação, entidade assumiu os custos do alto rendimento para aliviar confederações e projeta retorno de marca por meio dos atletas
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