As rachaduras internas que atingem o interior do Futebol Forte União (FFU) e os questionamentos feitos por alguns clubes em relação à atuação da investidora Sport Media Participações começam a ter reflexo no meio político do país.
Esse movimento, que vem se desenvolvendo nos bastidores do poder em Brasília, já havia sido abordado pela Máquina do Esporte, na coluna Estação Central.
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Na última sexta-feira (20), o deputado federal Beto Pereira (PSDB/MS) apresentou um requerimento à Comissão de Esportes da Câmara Federal, para que seja realizada uma audiência a fim de debater esse tema.
No começo deste mês, o parlamentar já havia tentado promover um encontro parecido, mas o evento precisou ser cancelado.
Agora, Pereira retomou a ideia, ao mesmo tempo em que clubes como o Amazonas passaram a contestar na Justiça os termos do contrato firmado com a Sport Media, no Condomínio Forte União.
O deputado pretende convidar para a audiência o diretor-presidente do FFU, Alessandro Barcellos, e Carlos Gamboa, sócio da Life Capital Partners (LCP), controladora da Sport Media.
Pereira solicitou ainda a participação de representantes da XP Investimentos e do BTG Pactual, além da LiveMode, responsável por negociar os direitos de transmissão dos clubes do bloco.
Os advogados Marcos de Carvalho Borges e Pedro Paulo Barros Magalhães, ligados à LiveMode (e, segundo o parlamentar, à Palmer Venture Capital LLC, registrada em Malta), também integram a lista de convidados.
Daniel Vorcaro
A relação de convidados sugeridos por Beto Pereira conta ainda com o nome de Daniel Vorcaro, que atualmente está preso na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília (DF), e negocia uma possível delação premiada envolvendo o escândalo do Banco Master, que foi liquidado no fim do ano passado pelo Banco Central (BC).
O convite ao ex-banqueiro tem relação com um aporte de R$ 30 milhões feito pelo Astralo 95 (veículo de investimento do Banco Master) em um dos fundos do FFU.
O Astralo 95 é suspeito de haver sido usado em supostos negócios fraudulentos de Vorcaro. Vale lembrar que o fundo em que ocorreu o aporte do Master tem cerca de 8 mil cotistas, que não possuem (em tese) ingerência sobre a gestão do FFU.
Conflito de interesses e captura
No requerimento, Beto Pereira menciona um possível conflito de interesses que existiria na estrutura do FFU, a partir de indícios de ligações societárias das investidoras Life Capital Partners e Sport Media com a LiveMode, a partir da Palmer Venture Capital.
O parlamentar alega que, nesse possível cenário, o mesmo grupo econômico que investe nos direitos dos clubes controla também a agência responsável por negociá-los em nome desses mesmos times.
“A LiveMode, além de deter vínculos societários com o polo investidor via Life Capital Partners, é proprietária da CazéTV, emissora que adquiriu parte dos próprios direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro que a agência negociou em nome dos clubes. O mesmo agente que representa os clubes nas negociações comerciais é, portanto, simultaneamente parte compradora dos direitos negociados e sócio do investidor”, afirmou o deputado, em sua justificativa.
Beto Pereira aponta para uma “suposta captura institucional do FFU pelo polo investidor” e sustenta que o grupo econômico estaria articulando “o controle total sobre o Campeonato Brasileiro”, a partir da compra de parcelas dos direitos dos clubes.
O FFU e a Sport Media foram procurados às 14h14 desta segunda-feira (23), mas não se pronunciaram até o fechamento desta reportagem. A assessoria da CazéTV não retornou as tentativas de contato feitas pela reportagem.
Investidora e liga unificada
Conforme noticiou a Máquina do Esporte, a investidora do FFU atualmente possui o poder de definir os rumos do debate sobre a liga unificada no Brasil.
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A ideia será discutida pelos clube do bloco e da Liga do Futebol Brasileiro (Libra) no próximo dia 6 de abril, em uma reunião que será promovida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no Rio de Janeiro (RJ).
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A Sport Media detém percentuais sobre os direitos comerciais e de transmissão de dezenas de clubes, não apenas do FFU, mas também de alguns que não oficializaram a entrada no bloco, como Atlético-MG e Vitória.
O contrato dá à investidora exclusividade, pelo período de 50 anos, para vender essas propriedades no mercado. Com isso, para que uma negociação coletiva de direitos de mídia ocorra na futura liga, por exemplo, o aval da investidora seria uma condição indispensável.
Outro complicador consiste na Convenção do Condomínio Forte União, que prevê um quórum de aprovação de 90% para que mudanças estruturais ocorram no bloco.
A Sport Media é dona de 20% das cotas do Condomínio (o que garante a ela esse mesmo percentual de votos) e tem o poder real de barrar qualquer mudança no FFU, inclusive a adesão das equipes do bloco a uma liga unificada, mesmo que a ideia seja apoiada de maneira unânime pelos clubes.
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Reunião, que foi solicitada pelo deputado Beto Pereira (PSDB/MS), também busca contar com a presença do banqueiro Daniel Vorcaro
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