De volta à Série B, Remo investe para se tornar clube formador

O ano de 2025 tem tudo para ser marcante para o Remo. A equipe paraense completou 120 de história em fevereiro. Além de celebrar a data cheia, o time comemora o retorno à Série B do Brasileirão, depois de uma espera que durou quatro temporadas.

O time fará sua estreia na competição no próximo domingo (6), diante da Ferroviária, em Araraquara (SP). A partida terá início às 19h.


ReadyNow

A última vez que o Leão Azul disputou a segunda divisão nacional foi em 2021, quando terminou em 17º lugar na classificação geral do campeonato e acabou sendo rebaixado à Série C.

O Remo é uma das quatro equipes que conquistaram o acesso à Série B de 2025. As outras são Ferroviária, Athletic-MG e Volta Redonda.

Esses clubes serão tema da série de quatro reportagens que a Máquina do Esporte trará nesta semana, sobre os novos integrantes da Série B do Brasileirão.



br4bet

iGaming & Gaming International Expo - IGI

Clube já teve tradição na elite

De todos esses quatro times, além de ser o mais tradicional, o Remo é o que mais participou, de maneira recorrente, da elite do futebol brasileiro.

Em 1961, alcançou o oitavo lugar na Taça Brasil. Nos anos 1970, época em que o Campeonato Brasileiro contava com número muito maior de participantes (chegou a 94, em 1979), o Remo costumava marcar presença na principal competição de futebol do país.

Em 1980, primeiro ano em que a recém-criada Confederação Brasileira de Futebol (CBF) passou a organizar o torneio, os clubes pressionaram por uma reforma no regulamento do Campeonato Nacional, que acabou sendo dividido em três divisões: Taça de Ouro, Taça de Prata e Taça de Bronze.

O Remo terminou em 18º lugar (em um total de 44 clubes), mas não conseguiu disputar a divisão de elite no ano seguinte, porque naquela temporada a CBF decidiu usar a classificação dos estaduais como critério para definir os participantes da Taça de Ouro.

O Pará tinha direito a apenas uma vaga no torneio principal, que ficou com o arquirrival Paysandu, campeão estadual de 1981.

Em 1985 e 1986, o Remo voltou a figurar na Série A, após obter a classificação via Taça de Prata. Mas reviravoltas ocorridas a partir de 1987, com a Copa União e o enxugamento na tabela do Brasileiro, acabaram novamente afastando a equipe da elite nacional.

O Remo retornaria ainda à Série A em 1993, quando a CBF decidiu garantir o acesso aos 12 clubes mais bem colocados da segunda divisão em 1992, dentre os quais estava o time paraense.

O Leão Azul obteve a 8ª colocação do Brasileirão de 1993, melhor posição já alcançada por um time do estado, na competição. No ano seguinte, porém, viria outra queda à Série B.

Desde então, a volta à elite do futebol nacional passou a representar um sonho, por vezes distante, para os torcedores do Remo.

Pés no chão

Embora a possibilidade de retornar à Série A certamente empolgue muitos torcedores, a diretoria do Remo opta por uma postura “pés no chão”, ao avaliar o cenário para 2025.

Em entrevista à Máquina do Esporte, o CEO André Barbosa Alves explicou que a meta inicialmente estabelecida para o clube, neste ano, é de permanecer na Série B.

“Fizemos um investimento para que o time possa ficar entre o 5º e o 12º colocado”, disse o executivo.

Gestor tem história no maior rival

O CEO do Remo tem uma carreira consolidada na gestão esportiva, que não se limita ao futebol. De 2004 a 2017, atuou na Confederação Brasileira de Basquete (CBB), ingressando como coordenador estatístico, passando depois a gerente técnico, até assumir como diretor técnico e de eventos, função que exerceu durante 6 anos.

Entre 2020 e 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi secretário executivo do esporte no Ministério da Cidadania.

Apesar de hoje liderar um dos principais clubes de futebol do Pará, a relação do executivo com o estado da Região Norte é relativamente recente. Alves é natural do Rio de Janeiro (RJ).

Em junho de 2023, porém, ele criaria um vínculo, por assim dizer, indissolúvel com o futebol paraense, ao assumir como CEO do Paysandu.

Além de conquistar o acesso à Série B naquela temporada, no ano seguinte o clube conseguiu se manter na divisão e ainda conquistar o título invicto do Campeonato Paraense.

Em novembro de 2024, em uma das negociações de maior repercussão no futebol paraense, o CEO trocou de clube, desembarcando no maior rival. Hoje, ele brinca que nem tem condições de pronunciar o nome do antigo time que geria.

Na visão dele, o investimento em gestão é fundamental para um clube avançar. “Com a entrada das SAFs [Sociedades Anônimas do Futebol] no mercado, as equipes tiveram de se profissionalizar. Ou fazem isso ou ficam para trás”, afirma Alves.

Novas fontes de receitas

O retorno à Série B do Brasileirão provavelmente acarretará em diversos gastos para o Remo, caso o time deseje se manter competitivo. Por outro lado, abre novas perspectivas de faturamento para o clube.

“Na Série C, o calendário ia até setembro e a gente não tinha nada de cota de audiovisual. Na Série B, consigo ter um calendário até o fim do ano, além das cotas de TV, que são fundamentais”, disse Alves.

Com mais jogos relevantes no decorrer da temporada (incluindo o principal clássico do Pará), o clube pode vislumbrar aumento em suas receitas com “match day”, que incluem bilheteria, hospitalidade e venda de bebidas, alimentos e produtos licenciados no estádio.

No ano passado, quando ainda estava na Série C, o Remo conseguiu figurar entre as 20 maiores médias de público pagante do Brasileirão, ficando à frente de clubes que estavam nas Séries A (Criciúma) e B (Sport e Coritiba). O time paraense atraiu o equivalente a 16.704 torcedores por jogo, ao longo do campeonato.

Alves acredita que o calendário mais amplo poderá ajudar a impulsionar o programa de sócio-torcedor do clube, que hoje conta com uma base de aproximadamente 15 mil pessoas.

O Remo optou por fechar com a Liga do Futebol Brasileiro (Libra), que negocia tanto os direitos de transmissão quanto a publicidade estática nos estádios.

“Optamos pela Libra, porque consideramos ser o melhor caminho para atingir nossos objetivos”, afirmou o executivo.

Investimentos na base

Uma das grandes apostas do Remo consiste na construção do novo Centro de Treinamento (CT). A maquete virtual do futuro espaço foi apresentada ao público nesta segunda-feira (31), em vídeo publicado nas redes sociais do clube.

De acordo com Alves, o CT é visto como essencial não apenas porque garantirá uma melhor estrutura para os atletas profissionais, mas porque poderá ajudar a impulsionar o faturamento do Remo, com a venda de jogadores.

“Nosso foco é tornar o Remo um clube formador. O terreno do novo CT comporta até 6 campos de futebol, que atenderão a todas as categorias da equipe”, afirmou.

O interesse do clube em investir nessa área tem sua razão de ser. As negociações de atletas representam uma importante fonte de receitas para clubes formadores.

Segundo dados do Relatório Anual de Transferências, da Federação Internacional de Futebol (Fifa), as negociações de jogadores movimentaram o total de US$ 8,59 bilhões (R$ 48,8 bilhões), apenas em 2024.

“Virada de chave”

Disputar a Série B, com jogos televisionados em diferentes plataformas e contra times de maior status, abre novas perspectivas para o Remo em matéria de patrocínios.

O desafio da equipe, segundo Alves, é trocar a cultura de Série C pela da B. “Não é fácil essa virada de chave”, explicou.

Nos últimos anos, o Remo vinha firmando muitas parcerias com empresas locais. A ideia agora é utilizar a projeção oferecida pela nova competição para atrair também marcas nacionais.

O Banco do Estado do Pará (Banpará) seguirá ocupando o patrocínio máster, com espaço dividido com uma casa de apostas, ainda a ser definida.

O clube também vem investindo em outras propriedades, com destaque para as redes sociais. Considerando-se Instagram, Facebook, YouTube, X e TikTok, o Remo contava com pouco mais de 1,6 milhões de seguidores em suas plataformas digitais.

“Hoje, estamos em 25º lugar geral [na lista dos clubes brasileiros com mais seguidores nas redes]. Temos a meta de passar o ‘vizinho’”, afirmou Alves. Hoje, o Paysandu está na 21ª colocação nesse ranking, com mais de 2 milhões de fãs.

A Remo TV, canal do clube no YouTube, foi criada recentemente , como parte dessa estratégia de crescimento digital. Ela já soma 201 mil inscritos.

Equipe paraense, que completa 120 anos, trabalha para estruturar Centro de Treinamento, que atenderá também às categorias de base


Participe da IGI Expo 2025: https://igi-expo.com/

O iGaming & Gaming International Expo - IGI, é um evento inovador criado para reunir empresas e empreendedores, profissionais, investidores, dos setores de iGaming e jogos. Com foco total em networking, exposição e feira de negócios. Além de ser uma fonte inigualável de informações sobre as tendências e o futuro das indústrias nos próximos anos.


📢 Receba em primeira mão notícias relevantes e fique por dentro dos principais assuntos sobre Igaming e Esportes no Brasil e o mundo. Siga no Whatsapp!