Na minha coluna aqui na Máquina do Esporte do mês passado, falei que o mercado esportivo não busca apenas apaixonados, mas sim profissionais capazes de enxergar a indústria esportiva como negócio.
Neste mês, decidi avançar um passo e trazer orientações objetivas para quem deseja construir uma transição consistente para o mercado esportivo, seja vindo de áreas como marketing, comunicação, vendas, estratégia, tecnologia ou gestão.
1. Trate o esporte como indústria, não como paixão
Para o público, o esporte é emoção. Para quem trabalha nele, precisa ser negócio. Isso significa ter um olhar diferente e compreender conceitos como retorno sobre investimento (ROI), sustentabilidade financeira, métricas de performance, governança e crescimento de longo prazo.
Profissionais que chegam ao esporte apenas movidos pela paixão costumam se frustrar rapidamente. Já aqueles que entendem o setor como uma indústria, com desafios reais e decisões racionais, tendem a se destacar.
2. Deixe a torcida de lado e cuide da sua imagem profissional
Um ponto pouco discutido, mas crucial, é a separação entre paixão pessoal e postura profissional. Demonstrar publicamente preferência por clubes, atletas ou seleções pode parecer inofensivo, mas representa um risco reputacional em um mercado pequeno, relacional e altamente exposto.
O esporte demanda profissionais capazes de atuar com neutralidade institucional, que possam representar diferentes marcas, propriedades e interesses com o mesmo nível de comprometimento.
3. Comece menor, mas comece no lugar certo
Nem toda transição começa em grandes clubes, ligas ou marcas globais. Muitas trajetórias bem-sucedidas passam por clubes poliesportivos, eventos de pequeno ou médio porte, competições amadoras ou projetos de conteúdo.
Esses ambientes permitem aprendizado acelerado, contato direto com a operação e construção de relacionamentos. Mais importante do que o tamanho da instituição é a qualidade da experiência adquirida.
4. Invista em educação e entendimento do ecossistema
Educação é fundamental no mercado esportivo. Procure cursos de especialização na área. Mas não pare aí. É essencial ter o entendimento de como a indústria funciona: seus ciclos, atores, modelos de receita e particularidades.
Quem chega entendendo o ecossistema fala a língua do mercado, reduz riscos e ganha credibilidade mais rapidamente, seja em clubes, marcas, agências, com atletas ou plataformas de mídia.
5. Relacionamento não é pedir emprego
O mercado esportivo é relacional, mas networking não é distribuir currículo e pedir oportunidades. É estar presente, trocar ideias, contribuir com reflexões relevantes e gerar valor antes de qualquer expectativa de retorno.
Relações sólidas são construídas com tempo, consistência e confiança. Quem entende isso costuma ser lembrado quando as oportunidades surgem.
6. Tenha paciência: Transição é processo, não evento
Por fim, talvez o ponto mais difícil: paciência. O mercado esportivo é enxuto, concentrado e absorve novos profissionais em um ritmo mais lento do que outros setores.
Encarar a transição como um processo de médio e longo prazo evita frustrações, decisões precipitadas e movimentos desalinhados. Persistência e coerência de trajetória fazem diferença. Porque, no fim das contas, procurar trabalho dá trabalho, especialmente no esporte.
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
Eduardo Corch é diretor-geral da EMW Global e professor do Insper. Tem 25 anos de experiência no mercado esportivo, com passagens por Adidas, Grupo BRF e Bridgestone, além de agências como Havas Sports & Entertainment. Foi líder de projeto na Copa do Mundo do Brasil 2014 (Adidas) e Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016 (Bridgestone), e gerenciou contratos de patrocínios com clubes, atletas e entidades esportivas
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Orientações práticas para quem quer entrar na indústria do esporte
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