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Dirigentes fazem novo desagravo a Samir Xaud, após ataques sofridos pelo presidente da CBF

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Enquanto os torcedores aguardavam ansiosos o retorno da seleção brasileira a campo para o segundo jogo na Copa do Mundo de 2026, diante do Haiti, os bastidores do poder de nosso futebol seguiam em ebulição.

Na tarde desta sexta-feira (19), dirigentes se reuniram mais uma vez para demonstrar apoio à gestão do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud.

Dirigentes se reuniram para expressar apoio a Samir Xaud, antes de Brasil x Haiti – Divulgação

O mandatário da entidade tem sido alvo de uma série de ataques na mídia, incluindo notícias em colunas de fofocas de celebridades que tratam de questões conjugais e de supostos gastos que seriam relacionados a ele.

Na última quarta-feira (17), em Orlando, cartolas já haviam realizado um encontro para manifestar endosso a Samir, fato que chegou a ser compartilhado nas redes por algumas entidades, caso da Federação de Futebol do Distrito Federal (FFDF).

A Máquina do Esporte apurou que os bastidores da CBF têm cada vez mais convicção de que os ataques recentes partiram de investidores incomodados com mudanças estruturais promovidas pela nova gestão e o consequente clamor dos clubes para que a entidade puxe para si a coordenação da liga unificada.

Desde abril deste ano, atendendo a pedidos de dirigentes de clubes que integram a Liga do Futebol Brasileiro (Libra) e o Futebol Forte União (FFU), a entidade tem promovido encontros para tentar avançar na construção da liga unificada.

Por ora, as discussões têm como foco a melhoria da qualidade do Brasileirão enquanto produto. Só depois de colocar em prática medidas para valorizar o campeonato é que o debate irá se debruçar sobre questões comerciais e modelo de divisão de receitas.

A importância do apoio

O apoio dos dirigentes, especialmente das federações estaduais, é fundamental para a estabilidade da gestão de Samir Xaud na CBF.

Isto porque o voto das federações tem um poder de decisão maior dentro da entidade (peso 3, enquanto o dos clubes da Série A é 2 e o da B é 1).

Sem o endosso de uma quantidade mínima de dirigentes estaduais, fica impossível sequer alguém tentar se candidatar à presidência da CBF.

O presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos, sentiu de perto os efeitos dessa regra no ano passado, quando tentou disputar a eleição da CBF, mas teve de desistir dos planos ao conseguir apoios de apenas duas entidades estaduais (a que ele próprio comanda e a Federação Mato-grossense de Futebol).

Todas as outras 25 federações fecharam com Samir, que ainda conseguiu atrair apoios de clubes como Palmeiras, Botafogo, Grêmio e Vasco.

Vale observar que, nos últimos tempos, mesmo Reinaldo e a Federação do Mato Grosso têm estado bem próximos à atual gestão da CBF.

Lula e as bets

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), assinou, na manhã desta sexta-feira (19), decreto que bloqueia dos recursos financeiros das casas de apostas não licenciadas que seguem operando no Brasil.

A medida é possível graças à Lei Antifacção, aprovada recentemente pelo Congresso Nacional, e permitirá que o governo congele nos bancos o dinheiro das bets ilegais. Os recursos serão depois transferidos para o Fundo Nacional de Segurança Pública.

Mudança de foco

Nos últimos meses, Lula subiu o tom contra o mercado das bets, chegando a defender publicamente a proibição de determinados produtos que ajudam a turbinar as receitas das empresas do setor, especialmente modalidades de cassino on-line como o famigerado Jogo do Tigrinho.

LEIA MAIS: Lula defende acabar com Jogo do Tigrinho, e entidades dizem temer “retrocesso”

Em ano eleitoral, esse é um tema que tende a ter forte apelo junto a diversos setores da população, especialmente estratos mais conservadores, como os evangélicos.

Entre as mulheres das classes C e D, que representam uma das grandes fortalezas eleitorais de Lula e do PT, questões como apostas e Tigrinho têm um impacto que não pode ser ignorado, já que estão diretamente relacionadas a problemas como dependência de jogos e endividamento das famílias.

Por outro lado, não se pode ignorar que uma parcela expressiva desse mercado buscou a regulamentação e se sentou à mesa com o governo para debater as regras de funcionamento do setor.

LEIA MAIS: Jogo do Tigrinho é regulamentado no Brasil, em nova portaria sobre apostas do Ministério da Fazenda

No vídeo em que aparece assinando o decreto que bloqueia o dinheiro das bets ilegais, Lula manteve o tom duro na forma, mas é possível se observar uma mudança de foco em sua fala, que teve como alvo as plataformas ilegais.

Mercado elogia

A assinatura do decreto marca, senão uma reaproximação, ao menos uma trégua entre o mercado e o governo Lula, após meses de tensão e críticas mútuas.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) emitiu nota oficial elogiando a medida editada por Lula.

Segundo a entidade, o decreto representa “mais um avanço na proteção do mercado regulado e é resultado de um processo contínuo de cooperação institucional entre a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), representantes do setor regulado e demais atores envolvidos na regulamentação do setor”.

Dados divulgados pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima, indicam que 25,2 milhões de brasileiros apostam em sites que operam ilegalmente no país.

“A indústria clandestina de apostas expõe consumidores a riscos, sonega impostos e gera concorrência desleal em relação às empresas que cumprem as exigências regulatórias brasileiras. As ações anunciadas representam um passo importante no fortalecimento do mercado regulado de apostas. Os avanços que estamos observando são resultado de um ambiente de diálogo e de cooperação institucional que permitiu reunir informações, desenvolver ferramentas e ampliar a capacidade de compreensão sobre a atuação dos operadores ilegais no país”, afirma o presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge.

Rodrigo Ferrari é jornalista da Máquina do Esporte desde 2022. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), atua com política desde 2010

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Cartolas, que já haviam demonstrado apoio ao mandatário na última quarta-feira (14), voltaram a se reunir horas antes do segundo jogo da seleção brasileira
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