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Divergência sobre divisão de receitas paralisa fusão comercial entre ATP e WTA

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A possível unificação dos direitos comerciais e de mídia entre a ATP e a WTA foi suspensa por tempo indeterminado. A paralisação das negociações ocorreu após uma mudança no comando da entidade que rege o tênis feminino, que teve como consequência a rejeição dos termos financeiros que vinham sendo debatidos.

De acordo com o The Guardian, a nova presidente da WTA, Valerie Camillo, optou por não seguir com a proposta de divisão de receitas que havia sido costurada por seu antecessor, Steve Simon. Até o início de 2025, a diretoria da ATP demonstrava otimismo com a proximidade de um consenso.

A falta de um acordo comercial já reflete na estrutura operacional do circuito feminino. A associação iniciou a implementação de medidas para reduzir gastos, o que inclui a diminuição da equipe presencial em eventos de grande porte, como em Wimbledon.

O cenário também gerou apreensão entre as atletas profissionais quanto à manutenção dos valores das premiações. As jogadoras temem que as premiações possam ser reduzidas nos próximos anos.

Finanças

A disparidade nas contas das duas organizações é um dos fatores centrais do impasse. No fechamento financeiro de 2024, a ATP reportou um faturamento de US$ 294 milhões, enquanto a WTA registrou US$ 142 milhões.

O modelo de fusão proposto previa que a entidade ficaria com uma fatia percentual menor do bolo total em comparação ao circuito masculino, mesmo que conseguisse evoluir seu faturamento no futuro.

O movimento de aproximação entre ATP e WTA ganhou força em 2020, motivado pela pandemia de Covid-19. Em 2021, as entidades chegaram a unificar as operações de marketing, mas as conversas sobre a fusão de direitos diminuíram em 2023, quando a entidade feminina negociou 20% de seus direitos comerciais com a gestora de investimentos CVC Capital Partners, em uma operação avaliada em US$ 150 milhões.

Argumentos

A ATP defende que a divisão comercial do esporte entre competições masculinas e femininas afasta investidores e enfraquece o tênis diante da concorrência com outras modalidades no mercado de entretenimento.

Andrea Gaudenzi, presidente da ATP, afirmou recentemente ao Financial Times que o ecossistema do tênis profissional é subvalorizado, gerando cerca de US$ 3,5 bilhões anuais. Na perspectiva do executivo, esse montante poderia ser dobrado ou até triplicado por meio de uma unificação envolvendo ATP, WTA, World Tennis e os quatro eventos do Grand Slam (Australian Open, US Open, Roland Garros e Wimbledon).

A World Tennis concorda com a tese sobre a unificação, de acordo com falas de Ross Hutchins em entrevista ao Sportical. A entidade também acredita que a criação de uma única organização aumentaria o potencial do tênis em atrair investidores, ao facilitar as negociações.

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Proposta idealizada para potencializar investimentos no tênis foi barrada por Valerie Camillo, nova presidente da entidade feminina
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