Especialista da SOFTSWISS explica como o combate à lavagem de dinheiro está se tornando um elemento estratégico para operadores de igaming.
Entrevista.- À medida que o igaming continua a se expandir em mercados regulados e os pagamentos em tempo real se tornam a norma, o combate à lavagem de dinheiro deixa de ser apenas um item de conformidade para se tornar uma capacidade central do negócio.
Nesta entrevista ao Focus Gaming News, Eleni Panagiotopoulou, Head de AML da SOFTSWISS, explica por que o AML está se tornando mais exigente do ponto de vista operacional, como a inteligência artificial está mudando a detecção precoce de riscos e no que os operadores devem se concentrar rumo a 2026.
O AML se tornou um tema muito mais visível no igaming nos últimos anos. O que está por trás dessa mudança?
A indústria chegou a um ponto em que escala e velocidade mudaram fundamentalmente o cenário de risco. Hoje, o igaming opera com enormes volumes de transações rápidas, de baixo valor, utilizando vários métodos de pagamento e envolvendo diferentes jurisdições ao mesmo tempo. Isso torna o AML mais complexo do que era há alguns anos.
Além disso, os reguladores estão prestando mais atenção aos operadores, eles querem ver que as medidas de controle realmente funcionam na prática. Portanto, o AML não é mais algo que pode ficar em segundo plano. Ele afeta diretamente o quão bem seu negócio funciona, como os reguladores enxergam a empresa e o nível de confiança que os jogadores têm na marca.
Na sua visão, qual é hoje o maior desafio relacionado ao AML para os operadores?
Não é uma única regulação ou regra específica. O verdadeiro desafio é a combinação de escala, velocidade e fragmentação. Os operadores atuam em vários mercados ao mesmo tempo, cada um com expectativas diferentes em relação ao AML, prazos distintos para relatórios e diferentes fontes de dados. Ao mesmo tempo, as transações acontecem instantaneamente e 24 horas por dia.
Isso torna muito difícil identificar rapidamente novos esquemas de lavagem de dinheiro ou padrões em evolução sem sobrecarregar as equipes com falsos positivos ou prejudicar jogadores legítimos. Encontrar esse equilíbrio é onde a maioria dos operadores enfrenta dificuldades.
A SOFTSWISS relatou um aumento de 75% nos relatórios de atividades suspeitas neste ano. Como os operadores devem interpretar esse crescimento?
Um aumento como esse geralmente indica duas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Ou criminosos estão direcionando mais esforços para esse canal, ou os mecanismos de detecção e reporte melhoraram, ou ambos.
O importante é não tratar esses números apenas como ruído. Um aumento nas atividades suspeitas deve levar a uma análise mais profunda. Os alertas têm qualidade? As equipes conseguem lidar com o volume de trabalho? Há novos métodos de pagamento ou padrões de invasão de contas envolvidos?
De qualquer forma, os dados de atividades suspeitas são um sinal que não pode ser ignorado. Eles representam uma oportunidade de fortalecer controles antes que reguladores ou criminosos forcem essa conversa.
Muitas empresas ainda dependem fortemente de processos manuais de AML. Que riscos isso gera à medida que os negócios crescem?
Processos manuais simplesmente não escalam bem. Eles são mais lentos, menos consistentes e muito mais suscetíveis a erros humanos. Alguns padrões só se tornam visíveis quando se analisam milhares de transações ou contas ao mesmo tempo, algo que nós, humanos, não conseguimos fazer de forma eficiente.
O resultado costuma ser uma alta taxa de falsos positivos ou detecção tardia. Além de perdas financeiras imediatas, isso aumenta os riscos regulatórios e de reputação. Automação e análises em tempo real já não são mais opcionais para empresas que desejam crescer com segurança.
De acordo com o relatório igaming Trends 2026, a IA desempenha um papel importante nos serviços de AML. Onde ela gera mais valor?
A inteligência artificial é mais poderosa quando ajuda a detectar padrões que humanos e sistemas baseados apenas em regras não conseguem identificar. Ela pode conectar comportamentos entre jogadores, dispositivos, carteiras e canais de pagamento para revelar redes de “mulas” financeiras ou fraudes coordenadas.
Mas o mais importante é que a IA deve trabalhar ao lado da expertise humana, e não substituí-la. Quando usada corretamente, ela ajuda a identificar alertas precoces, reduzir falsos positivos e direcionar as investigações para onde realmente importa. Por outro lado, se for utilizada de forma cega, sem governança, pode criar novos riscos.
No relatório igaming Trends 2026, apresento um exemplo claro: a ferramenta Fraud Network Detection, baseada em IA, da Sumsub. O sistema analisa toda a jornada do jogador, desde o cadastro até as transações, oferecendo uma visão única de atividades suspeitas em toda a rede de clientes. Essa análise comportamental contínua transforma atividades criminosas complexas em medidas antifraude mais gerenciáveis.
A expansão para novos mercados é um tema central no igaming. Onde os operadores costumam ter mais dificuldades em AML ao entrar em novas jurisdições, como Brasil ou África do Sul?
O maior desafio é subestimar o esforço operacional necessário. As regras locais de AML diferem em limites de reporte, prazos e padrões de documentação. Além disso, existem diferentes formatos de identificação, idiomas, regras de privacidade de dados e métodos de pagamento locais.
Muitos operadores acreditam que podem reutilizar a mesma estrutura em todos os lugares, mas isso raramente funciona. A expansão exige flexibilidade nos fluxos de trabalho e um entendimento claro das expectativas regulatórias locais.
Como a SOFTSWISS apoia os operadores a manter conformidade enquanto se expandem para mercados regulados?
Nosso objetivo é reduzir fricções. Oferecemos modelos de regras específicos por mercado, integrações com bases de dados locais para verificação, fluxos configuráveis de KYC e ferramentas de relatório que correspondem aos formatos exigidos pelos reguladores.
Mas ferramentas por si só não são suficientes. Também apoiamos operadores com orientação operacional, como guias de onboarding e checklists. Além disso, fornecemos aconselhamento contínuo. Dessa forma, nossos parceiros não precisam reconstruir toda a estrutura de AML do zero sempre que entram em um novo mercado.
Olhando para o futuro, no que os operadores devem focar para construir sistemas de AML resilientes para 2026 e além?
Antes de tudo, é importante entender que os reguladores se tornarão cada vez mais rigorosos, especialmente em áreas como transações digitais e comércio transfronteiriço. Políticas regulatórias baseadas apenas em documentos estão desaparecendo, elas estão sendo substituídas por modelos de supervisão ativa de todos os processos operacionais dos operadores.
Nesse cenário, a resiliência em AML vem do alinhamento. As equipes precisam compartilhar responsabilidades, ter processos claros e plataformas que reúnam todos os dados relevantes em um único ambiente de investigação.
O AML não é mais apenas uma obrigação de compliance, está se tornando um facilitador de negócios. Empresas que investem em qualidade de dados e automação inteligente não apenas protegem sua reputação, como também garantem segurança e satisfação para seus jogadores.
Os operadores que terão sucesso são aqueles que tratam o AML como parte de sua estratégia de crescimento de longo prazo, e não apenas como uma reação a problemas que surgem.
Especialista da SOFTSWISS explica como o combate à lavagem de dinheiro está se tornando um elemento estratégico para operadores de igaming.
Entrevista.- À medida que o igaming continua a se expandir em mercados regulados e os pagamentos em tempo real se tornam a norma, o combate à lavagem de dinheiro deixa de ser apenas um item de conformidade para se tornar uma capacidade central do negócio.
Nesta entrevista ao Focus Gaming News, Eleni Panagiotopoulou, Head de AML da SOFTSWISS, explica por que o AML está se tornando mais exigente do ponto de vista operacional, como a inteligência artificial está mudando a detecção precoce de riscos e no que os operadores devem se concentrar rumo a 2026.
O AML se tornou um tema muito mais visível no igaming nos últimos anos. O que está por trás dessa mudança?
A indústria chegou a um ponto em que escala e velocidade mudaram fundamentalmente o cenário de risco. Hoje, o igaming opera com enormes volumes de transações rápidas, de baixo valor, utilizando vários métodos de pagamento e envolvendo diferentes jurisdições ao mesmo tempo. Isso torna o AML mais complexo do que era há alguns anos.
Além disso, os reguladores estão prestando mais atenção aos operadores, eles querem ver que as medidas de controle realmente funcionam na prática. Portanto, o AML não é mais algo que pode ficar em segundo plano. Ele afeta diretamente o quão bem seu negócio funciona, como os reguladores enxergam a empresa e o nível de confiança que os jogadores têm na marca.
Na sua visão, qual é hoje o maior desafio relacionado ao AML para os operadores?
Não é uma única regulação ou regra específica. O verdadeiro desafio é a combinação de escala, velocidade e fragmentação. Os operadores atuam em vários mercados ao mesmo tempo, cada um com expectativas diferentes em relação ao AML, prazos distintos para relatórios e diferentes fontes de dados. Ao mesmo tempo, as transações acontecem instantaneamente e 24 horas por dia.
Isso torna muito difícil identificar rapidamente novos esquemas de lavagem de dinheiro ou padrões em evolução sem sobrecarregar as equipes com falsos positivos ou prejudicar jogadores legítimos. Encontrar esse equilíbrio é onde a maioria dos operadores enfrenta dificuldades.
A SOFTSWISS relatou um aumento de 75% nos relatórios de atividades suspeitas neste ano. Como os operadores devem interpretar esse crescimento?
Um aumento como esse geralmente indica duas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Ou criminosos estão direcionando mais esforços para esse canal, ou os mecanismos de detecção e reporte melhoraram, ou ambos.
O importante é não tratar esses números apenas como ruído. Um aumento nas atividades suspeitas deve levar a uma análise mais profunda. Os alertas têm qualidade? As equipes conseguem lidar com o volume de trabalho? Há novos métodos de pagamento ou padrões de invasão de contas envolvidos?
De qualquer forma, os dados de atividades suspeitas são um sinal que não pode ser ignorado. Eles representam uma oportunidade de fortalecer controles antes que reguladores ou criminosos forcem essa conversa.
Muitas empresas ainda dependem fortemente de processos manuais de AML. Que riscos isso gera à medida que os negócios crescem?
Processos manuais simplesmente não escalam bem. Eles são mais lentos, menos consistentes e muito mais suscetíveis a erros humanos. Alguns padrões só se tornam visíveis quando se analisam milhares de transações ou contas ao mesmo tempo, algo que nós, humanos, não conseguimos fazer de forma eficiente.
O resultado costuma ser uma alta taxa de falsos positivos ou detecção tardia. Além de perdas financeiras imediatas, isso aumenta os riscos regulatórios e de reputação. Automação e análises em tempo real já não são mais opcionais para empresas que desejam crescer com segurança.
De acordo com o relatório igaming Trends 2026, a IA desempenha um papel importante nos serviços de AML. Onde ela gera mais valor?
A inteligência artificial é mais poderosa quando ajuda a detectar padrões que humanos e sistemas baseados apenas em regras não conseguem identificar. Ela pode conectar comportamentos entre jogadores, dispositivos, carteiras e canais de pagamento para revelar redes de “mulas” financeiras ou fraudes coordenadas.
Mas o mais importante é que a IA deve trabalhar ao lado da expertise humana, e não substituí-la. Quando usada corretamente, ela ajuda a identificar alertas precoces, reduzir falsos positivos e direcionar as investigações para onde realmente importa. Por outro lado, se for utilizada de forma cega, sem governança, pode criar novos riscos.
No relatório igaming Trends 2026, apresento um exemplo claro: a ferramenta Fraud Network Detection, baseada em IA, da Sumsub. O sistema analisa toda a jornada do jogador, desde o cadastro até as transações, oferecendo uma visão única de atividades suspeitas em toda a rede de clientes. Essa análise comportamental contínua transforma atividades criminosas complexas em medidas antifraude mais gerenciáveis.
A expansão para novos mercados é um tema central no igaming. Onde os operadores costumam ter mais dificuldades em AML ao entrar em novas jurisdições, como Brasil ou África do Sul?
O maior desafio é subestimar o esforço operacional necessário. As regras locais de AML diferem em limites de reporte, prazos e padrões de documentação. Além disso, existem diferentes formatos de identificação, idiomas, regras de privacidade de dados e métodos de pagamento locais.
Muitos operadores acreditam que podem reutilizar a mesma estrutura em todos os lugares, mas isso raramente funciona. A expansão exige flexibilidade nos fluxos de trabalho e um entendimento claro das expectativas regulatórias locais.
Como a SOFTSWISS apoia os operadores a manter conformidade enquanto se expandem para mercados regulados?
Nosso objetivo é reduzir fricções. Oferecemos modelos de regras específicos por mercado, integrações com bases de dados locais para verificação, fluxos configuráveis de KYC e ferramentas de relatório que correspondem aos formatos exigidos pelos reguladores.
Mas ferramentas por si só não são suficientes. Também apoiamos operadores com orientação operacional, como guias de onboarding e checklists. Além disso, fornecemos aconselhamento contínuo. Dessa forma, nossos parceiros não precisam reconstruir toda a estrutura de AML do zero sempre que entram em um novo mercado.
Olhando para o futuro, no que os operadores devem focar para construir sistemas de AML resilientes para 2026 e além?
Antes de tudo, é importante entender que os reguladores se tornarão cada vez mais rigorosos, especialmente em áreas como transações digitais e comércio transfronteiriço. Políticas regulatórias baseadas apenas em documentos estão desaparecendo, elas estão sendo substituídas por modelos de supervisão ativa de todos os processos operacionais dos operadores.
Nesse cenário, a resiliência em AML vem do alinhamento. As equipes precisam compartilhar responsabilidades, ter processos claros e plataformas que reúnam todos os dados relevantes em um único ambiente de investigação.
O AML não é mais apenas uma obrigação de compliance, está se tornando um facilitador de negócios. Empresas que investem em qualidade de dados e automação inteligente não apenas protegem sua reputação, como também garantem segurança e satisfação para seus jogadores.
Os operadores que terão sucesso são aqueles que tratam o AML como parte de sua estratégia de crescimento de longo prazo, e não apenas como uma reação a problemas que surgem.
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