A eliminação da seleção brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo 2026, diante da Noruega, reduziu as projeções de impacto do torneio sobre as vendas de cerveja no país.
A Ambev registrou queda de mais de 3% na Bolsa nesta segunda-feira (6), reflexo da percepção de que o consumo nas fases decisivas será menor sem a presença da seleção brasileira em campo.
Projeções
O JPMorgan havia projetado alta de 10% no volume de cerveja no segundo trimestre, encerrado em 30 de junho, quando a equipe do técnico Carlo Ancelotti ainda estava na disputa.
Relatório do Citigroup projetava crescimento de 5,8% no período, com receita avançando 11,9% e Ebitda (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) subindo 13,7%. Como o trimestre já estava fechado, os números não foram afetados pela eliminação.
O Citi destacou que o desempenho dependeu de comparações favoráveis com junho e da própria Copa do Mundo, iniciada no dia 11 daquele mês. Sem o Brasil nas fases finais, o banco classificou o cenário como “praticamente neutro” para o trimestre.
México
O impacto também atinge o México. Analistas do Morgan Stanley, liderados por Sarah Simon, afirmaram que as vendas de cerveja na América Latina podem ficar abaixo do esperado no terceiro trimestre, após as eliminações de Brasil e México, ambos eliminados no último domingo (5).
Segundo o banco, o aumento de consumo se concentra em jogos que avançam para as fases finais. A Ambev é vista como a mais exposta ao risco, por comercializar marcas como Corona e Brahma nos dois países. A Heineken também tem participação relevante no mercado e suas ações caíram 1,4% em Amsterdã, na Holanda, sede da empresa.
Precedentes
O JPMorgan já havia alertado para o risco antes da eliminação. Em relatório de 25 de junho, o banco já falava que “historicamente, o evento não conseguiu impulsionar os lucros”. Em 2022, a Copa do Mundo do Catar acrescentou apenas 1,5 ponto percentual ao volume de cerveja no trimestre.
Naquele ano, a saída precoce do Brasil, nas quartas de final, após derrota nos pênaltis para a Croácia, reduziu 1 ponto percentual e o clima mais frio tirou outro.
O BTG Pactual também já havia sinalizado que o desempenho da Ambev não depende de uma única variável, destacando que fatores como clima e execução comercial influenciam os resultados.
Mercado
O Citi avalia que a questão agora não é se os volumes vão se recuperar, mas o tamanho e a sustentabilidade dessa recuperação. A eliminação do Brasil afeta diretamente essa segunda dimensão.
Nos seis meses anteriores às últimas Copas, a ação da Ambev superou o Ibovespa em quatro ocasiões. Antes desta edição, a alta relativa foi de 12,4%. A ação acumula valorização de 17,24% em 12 meses e 15,09% no ano.
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Analistas de Morgan Stanley, JPMorgan e Citigroup apontam menor efeito positivo do torneio após derrota para Noruega
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