×

Em meio à indefinição sobre as bets, público segue ‘vulnerável’ com proibição das plataformas legalizadas, aponta especialista

Em meio à indefinição sobre as bets, público segue ‘vulnerável’ com proibição das plataformas legalizadas, aponta especialista

CEO de empresa de tecnologia explica que ferramentas para prevenção de comportamentos de risco do mercado regulamentado não são replicadas em sites ilegais, que crescem após proibição

Com a proibição do mercado regulamentado de bets após Medida Provisória assinada pelo presidente Lula, o setor legalizado de apostas de quota-fixa e jogos online luta contra o fim no país. Após ações apresentadas pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) para suspender os efeitos da medida provisória, o ministro Luiz Fux, do STF, será o encarregado por decidir sobre os pedidos do setor para derrubar a medida.

A indústria clandestina, entretanto, segue a todo vapor. É o que indicou levantamento de um serviço mantido pelas empresas até então legalizadas para monitorar as plataformas clandestinas, ao apontar a criação de 1.689 sites ilegais somente no dia seguinte à assinatura da MP. Segundo a análise de especialistas, tal panorama é prejudicial para o público na medida em que a demanda por apostas continuará existindo.

“Com a proibição do mercado regulamentado e o crescimento do setor clandestino, os apostadores ficam vulneráveis, na medida em que essa demanda não vai sumir e agora os únicos ambientes que esse apostador poderá encontrar serão as bets clandestinas. Essas plataformas não contam com nenhum suporte ao apostador, como monitoramento de padrões de comportamento problemático ou limite de perdas e de tempo de jogo”, aponta João Fraga, CEO da Paag, empresa de tecnologia que até então oferecia plataforma de gestão de risco para o mercado de bets.

O executivo explica que, no mercado regulamentado, foram desenvolvidas tecnologias para proporcionar a segurança do ecossistema de apostas. “Soluções baseadas em inteligência artificial podem analisar grandes volumes de informações em tempo real, identificando mudanças de comportamento e movimentações que fogem do padrão. A partir de processos como o KYC, que permite verificar a identidade e conhecer o perfil do usuário, é possível estabelecer parâmetros para acompanhar sua atividade e identificar sinais que merecem atenção”, pontua.

Fraga também ressalta que a implementação de tecnologias para compreender toda a jornada do usuário era um dos pontos fundamentais do mercado regulado para criar um ambiente mais seguro aos jogadores, inclusive com a possibilidade do mapeamento do perfil detalhado dos apostadores para que as próprias plataformas pudessem tomar as devidas providências em casos de comportamentos de risco.

“A tecnologia permite que os operadores tenham uma visão mais precisa das ações dos apostadores e identifiquem possíveis comportamentos problemáticos na relação com o jogo. Isso pode incluir movimentações incompatíveis com o perfil financeiro informado, alterações bruscas no volume de transações ou padrões muito diferentes do usual”, explica.

“Na Paag por exemplo, o oferecimento de soluções que permitem conhecer a fundo o perfil e o histórico do apostador, entregam insights acionáveis para que as bets possam tomar medidas efetivas. Alertas são emitidos à operação e, em alguns casos, esta pode fazer a suspensão temporária ou definitiva de conta para que os jogadores fiquem amparados e não passem do limite daquilo que é saudável”, complementa.

Com operações desde o início do mercado regulamentado, a ferramenta, em pouco mais de um ano, realizou a análise de mais de 20 milhões de transações e identificou cerca de 7,5 mil operações suspeitas, entregando um panorama completo às casas de apostas parceiras sobre os possíveis comportamentos de risco na plataforma.