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Empresas de apostas reestruturam investimentos um ano após regulação do Governo Federal

empresas de apostas reestruturam investimentos um ano após regulação do governo federal

empresas de apostas reestruturam investimentos um ano após regulação do governo federal

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O mercado de apostas esportivas no Brasil passa por um período de readequação de investimentos um ano após a implementação da regulamentação pelo Governo Federal.

O cenário atual apresenta uma retração no volume de patrocínios másteres, com seis clubes iniciando o Campeonato Brasileiro de 2026 sem esse tipo de aporte: Athletico-PR, Bahia, Coritiba, Grêmio, Internacional e Vasco.

O Bahia foi o único que conseguiu um acordo tampão por três meses com a Esportiva Bet. Os demais permanecem sem parceiro para a propriedade.

LEIA MAIS: Bahia firma acordo de patrocínio máster com Esportiva Bet por 3 meses

Durante o painel “A bolha das apostas vai estourar?”, realizado na São Paulo Innovation Week, na capital paulista, executivos e consultores discutiram a sustentabilidade do setor e o risco da carga tributária, se aumentada, dificultar a operação do mercado legal.

Álvaro Garcia, diretor de marketing da Flutter Brazil (detentora das marcas Betnacional e Betfair), avaliou que a segurança jurídica trazida pelas novas regras é fundamental, mas ressaltou a necessidade de foco na repressão a operadores irregulares.

“A regulamentação foi muito boa. Na Flutter, nossa visão é que é uma das melhores do mundo. O objetivo é consolidar esse mercado de entretenimento. É uma grande segurança para as operadoras ter essa regulamentação”, comentou.

“Agora, precisamos combater as bets ilegais. Dentro da regulamentação, no ano passado, as bets tiveram R$ 37 bilhões de faturamento, pagaram R$ 10 bilhões em impostos e investiram mais R$ 10 bilhões em publicidade e patrocínio”, listou o executivo.

Para ele, é um setor que corre riscos com o aumento dos impostos, o que beneficiaria o mercado ilegal.

“O objetivo, hoje, é garantir que o mercado funcione, e é preciso combater o mercado ilegal”, enfatizou.

Mercado

A experiência internacional, especialmente a britânica, foi utilizada como parâmetro para a análise do momento brasileiro. Na Premier League, restam poucos meses para a proibição definitiva de patrocínios másteres de empresas de apostas, embora a publicidade ainda seja permitida em outras partes do uniforme.

Especialistas estimam que clubes menores da liga inglesa possam enfrentar uma perda coletiva de £ 80 milhões com o fim desses contratos.

LEIA MAIS: Premier League: Times menores podem ter perda coletiva de £ 80 milhões com fim dos patrocínios de apostas

Bernardo Cavalcanti Freire, sócio da BetLaw, destacou que o aumento excessivo de impostos em países como Holanda e Portugal resultou em perda de arrecadação, pois os apostadores migraram para plataformas ilegais, que se tornam mais atrativas.

Para ele, a solução também não é a proibição das bets de operarem legalmente no Brasil. Ele afirmou que, hoje, os dois maiores mercados do planeta são China e Índia, impulsionados pela superpopulação de cada país. Em ambos, as casas de apostas não são regulamentadas, o que não impediu que haja apostadores.

“No Brasil, mesmo com a regulamentação, as bets ilegais ainda são responsáveis por 40% a 50% do faturamento do mercado”, apontou.

Regulação

A estrutura de fiscalização do governo brasileiro também foi alvo de críticas. Marcelo Damato, diretor-presidente da Pequi Consultoria de Regulação e Negócios e ex-assessor da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, apontou a desproporção entre o tamanho do mercado e o efetivo estatal disponível para monitorá-lo.

“Para combater o ilegal e manter o mercado legal na linha, a SPA tem dois funcionários. Para você comparar, a autoridade pública de proteção de dados no Brasil virou agência neste mês. Eles têm 300 pessoas”, comparou.  

“Se a estrutura [da SPA] fosse maior, poderia combater o mercado ilegal e fiscalizar o mercado legal”, completou.

Damato ainda classificou a legislação brasileira como uma “colcha de retalhos” e “obsoleta”, mencionando a proibição de apostas em eventos não esportivos.

Entretenimento

A diferenciação entre aposta como forma de lazer e como suposto investimento é um dos pilares defendidos pelas empresas legalizadas. Álvaro Garcia, da Flutter, reforçou o papel pedagógico das marcas no combate à ludopatia (vício em apostas).

“Quero trazer o papel de protagonismo das bets, que é promover aposta como entretenimento, não como investimento. É nosso papel ter ferramentas de controle e lançar campanhas educativas”, afirmou o executivo.

Garcia lembrou de uma campanha recente da Betnacional, que utilizou a imagem de Vini Jr., embaixador da marca, transformado em Vini Sr., para ressaltar a importância do consumo consciente nas apostas.

Manipulação

Bernardo Cavalcanti Freire complementou que um dos principais motores para a regulamentação foi o combate à manipulação de resultados. Ele pontuou que o mercado de previsões, recentemente proibido no Brasil após uma portaria do Ministério da Fazenda, operava fora da legislação de apostas. Para o executivo, a permissão desse tipo de serviço deve ser feita com amparo legal adequado.

LEIA MAIS: Lobby, BBB e concorrência desleal: Os bastidores da proibição do mercado de previsão no Brasil

“Um dos maiores impulsos da regulamentação foi a manipulação de resultados. O mercado de previsões não estava obedecendo à regulamentação. Se quer fazer previsão, precisa fazer uma alteração legal. Hoje, a autorização do mercado de previsão está restrita a derivativos sob normas da CVM [Comissão de Valores Mobiliários]. Aprovamos eles, desde que paguem a conta”, afirmou Freire.

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Debate na São Paulo Innovation Week analisou o equilíbrio entre tributação e combate ao mercado ilegal
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