O mercado esportivo brasileiro apresenta números econômicos expressivos que superam outros setores tradicionais, mas ainda carece de organização política para consolidar seu desenvolvimento.
Dados recentes apontam que o PIB do esporte alcançou mais de R$ 183,4 bilhões de reais em 2023, o que representa 1,69% de toda a riqueza produzida no país. Esse percentual coloca a indústria esportiva à frente da cultura, que detém 1,55% do PIB nacional, demonstrando a força econômica da atividade física e dos eventos competitivos no cenário atual.
Apesar da relevância financeira e da capacidade de geração de empregos diretos, o setor enfrenta dificuldades para transformar esse peso em políticas públicas estruturantes.
Wlamir Motta Campos, presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), defendeu durante sua participação no podcast Maquinistas, da Máquina do Esporte, que ausência de uma mobilização unificada entre os agentes do ecossistema esportivo cria um distanciamento das esferas governamentais, impedindo que o segmento receba a mesma atenção estratégica destinada a outras áreas.
“A cultura participa de eventos. Nós temos um Congresso Nacional da Cultura e não temos do esporte. Nós não temos um evento anual estatal para discutir o esporte brasileiro, nunca tivemos. Passou da hora desse sistema se comunicar, mas depende de nós enquanto gestores esportivos”, afirmou.
No entendimento do dirigente, a solução para esse cenário passa pela postura ativa dos gestores em buscar interlocução direta com o parlamento e os governantes. A criação de uma frente unida permitiria não apenas a manutenção dos investimentos existentes, mas a ampliação de projetos que visam a massificação da prática esportiva e a profissionalização da gestão.
“Agora, nós que temos o principal ativo que são os atletas, temos que dialogar com o governo, temos que dialogar no parlamento. Nós temos que estar conectados. Isso nunca aconteceu”, completou Wlamir Motta Campos.
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Universidade do Esporte
Uma das iniciativas recentes do Governo Federal para tentar suprir a demanda por qualificação no setor é a criação da Universidade do Esporte. O projeto tem como objetivo oferecer capacitação para treinadores e gestores.
Para o presidente da CBAt, porém a proposta poderia ter sido apresentada após mais debates de tomadores de decisão da indústria esportiva brasileira, o que inclui as confederações.
“Fui pego de surpresa, porque não conhecia o projeto até então. Em linhas gerais toda iniciativa voltada ao esporte principalmente quando se trata de capacitação é muito bem vinda, mas penso que deveria ter sido dialogado com todo o ecossistema. Isso não foi”, ponderou.
A estrutura física centralizada em Brasília é outro ponto de atenção em relação à efetividade do programa a longo prazo. O dirigente defende que, para garantir o impacto desejado na formação de novos profissionais, o modelo ideal deveria funcionar em rede, utilizando a capilaridade das universidades federais espalhadas pelo território nacional.
A descentralização facilitaria o acesso ao conhecimento e permitiria que as especificidades regionais fossem contempladas na grade de formação dos novos gestores.
“Nós precisamos do professor, nós precisamos do treinador, mas se nós não tivermos o gestor, não temos as estruturas, não temos o recurso, não temos as entregas. Então, a ideia é muito legal, porém embrionária, difícil uma avaliação com relação à efetividade do resultado dela”, finalizou Wlamir Motta Campos.
O podcast Maquinistas, apresentado por Erich Beting e Gheorge Rodriguez, com a participação de Wlamir Motta Campos, presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), estará disponível a partir de terça-feira (13), a partir das 19h (horário de Brasília), no canal da Máquina do Esporte no YouTube:
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