A grande novidade da Copa do Mundo 2026 se encerra nesta sexta-feira (3): a fase de 16-avos de final, que ocorre antes das oitavas. O Brasil já está classificado e encara a Noruega no domingo (5), buscando uma vaga nas quartas. Ou seja, o maior Mundial da história está entrando na sua reta final.
Contudo, a Copa também deve render inúmeros recordes fora dos gramados, sobretudo para o mercado de apostas online no Brasil, que disputa sua primeira edição sob um ambiente regulatório.
Em entrevista exclusiva, Alexander Kamenetskyi, diretor de Operações do SOFTSWISS Sportsbook, comentou o crescimento global da atividade e os desafios que o ecossistema precisou enfrentar para oferecer uma experiência satisfatória aos jogadores.
“A Copa do Mundo cria uma pressão real para aumentar as inscrições em detrimento da rentabilidade, e esse é um erro que se reflete nos números meses depois. O suporte ao cliente, as ferramentas de jogo responsável, os mecanismos de bônus e os fluxos de CRM precisam estar prontos antes da partida de abertura – e não montados somente após o início da fase de grupos, explicou Kamenetskyi.
De acordo com ele, as apostas ao vivo representam atualmente cerca de 82% da receita bruta total (GGR) da SOFTSWISS, e durante a Copa do Mundo, espera-se que esse número ultrapasse 85%.
“Os jogadores esperam linhas em tempo real que sejam atualizadas a cada substituição, cartão amarelo ou mudança de ritmo do jogo. Se a plataforma ficar lenta nesse momento, você perde a aposta e o jogador”, pontuou.
Rotatividade de jogadores é inevitável, diz executivo
O diretor da SOFTSWISS ressaltou que não se deve presumir que os usuários atraídos pela Copa do Mundo sejam, necessariamente, apostadores temporários.
“A primeira coisa que eu questionaria é a suposição de que os jogadores da Copa do Mundo são, por definição, temporários. Eles não são um grupo único – são muitos. Há apostadores esportivos regulares que já estão na plataforma. Há jogadores de cassino que migram para a plataforma porque o torneio lhes dá um motivo para experimentar os esportes”, esclareceu.
Para o executivo, reativar jogadores inativos costuma ser mais econômico do que adquirir novos clientes, e grandes eventos como a Copa do Mundo representam oportunidades ideais para campanhas de recuperação. “Você já conhece o histórico de apostas e as preferências deles, o que torna a personalização da oferta muito mais fácil”, disse.
No entanto, a rotatividade de jogadores é inevitável. “Com base na experiência de nossos parceiros, uma taxa de rotatividade de 15 a 20% durante a Copa do Mundo é típica.
Os operadores que segmentam adequadamente e mantêm a comunicação após o término do torneio terão uma perspectiva muito diferente em dezembro em comparação com aqueles que simplesmente mediram os cadastros em julho”, ressaltou.
Segundo Kamenetskyi, durante a Copa do Mundo, isso significa estruturar a comunicação em torno do calendário da seleção desde a confirmação da classificação, e não apenas a partir do início do torneio.
Particularidades do mercado brasileiro
Alexander Kamenetskyi também destacou fatores que diferenciam o mercado brasileiro dos demais. “A conexão com a seleção nacional é incomparável. Partidas envolvendo a seleção brasileira representaram 9,34% de todas as apostas no SOFTSWISS Sportsbook durante a Copa do Mundo de 2022, e isso sem um mercado doméstico totalmente regulamentado”.
“Em 2026, com operadoras licenciadas construindo presença de marca local e se comunicando diretamente com os jogadores brasileiros, esse número provavelmente aumentará”, completou.
Além disso, ele ressaltou que o público brasileiro está longe de ser homogêneo. “Há apostadores experientes que se envolvem com mercados complexos – apostas em jogadores, acumuladas ao vivo, combinações durante o jogo. Há também um grande número de pessoas para quem a Copa do Mundo é, antes de tudo, um evento social e emocional”, afirmou.
Entrevista completa com Alexander Kamenetskyi, Diretor de Operações do SOFTSWISS Sportsbook:
iGaming Brazil: A Copa do Mundo de 2026 é vista como um grande teste para as operadoras. Quais são os principais desafios de infraestrutura e produto que as empresas precisam enfrentar para atender ao aumento da demanda durante o torneio?
Alexander Kamenetskyi: A Copa do Mundo não é simplesmente um período de alto tráfego – é um teste de estresse operacional completo. A edição de 2026 é maior do que qualquer outra já realizada no setor: 48 seleções, 104 partidas, uma janela de torneio mais longa e, pela primeira vez, um grande mercado brasileiro regulamentado contribuindo significativamente para o volume global.
A estabilidade da plataforma sob pico de carga é imprescindível. Durante a Copa do Mundo de 2022, a final entre Argentina e França foi a partida com o maior número de apostas no SOFTSWISS Sportsbook. Multiplique esse tipo de pressão por mais partidas, mais mercados e uma base de jogadores ativos muito maior, e o perfil de risco fica claro. As apostas ao vivo são a área que mais sobrecarrega os sistemas.
Atualmente, as apostas ao vivo representam cerca de 82% da receita bruta total (GGR) da SOFTSWISS, e durante a Copa do Mundo, espera-se que esse número ultrapasse 85%. Os jogadores esperam linhas em tempo real que sejam atualizadas a cada substituição, cartão amarelo ou mudança de ritmo do jogo. Se a plataforma ficar lenta nesse momento, você perde a aposta e o jogador.
Em termos de produto, o desafio reside na variedade e na disciplina de rentabilidade. Operadoras que dependem apenas de mercados padrão de resultado de partidas ficarão vulneráveis. Os jogadores esperam cada vez mais o Criador de Apostas, acumuladores ao vivo, apostas em jogadores e liquidação rápida. Mas a amplitude de produtos sem controle financeiro cria seus próprios problemas.
Já vimos operadoras realizarem campanhas de aumento de odds durante grandes eventos que efetivamente eliminaram sua margem de lucro e as deixaram operando com prejuízo – embora as métricas de atividade parecessem fortes no papel. Crescimento do volume de apostas não é lucro. As operadoras precisam medir a rentabilidade da campanha, não apenas o volume.
A Copa do Mundo cria uma pressão real para aumentar as inscrições em detrimento da rentabilidade, e esse é um erro que se reflete nos números meses depois. O suporte ao cliente, as ferramentas de jogo responsável, os mecanismos de bônus e os fluxos de CRM precisam estar prontos antes da partida de abertura – e não montados somente após o início da fase de grupos.
iGaming Brazil: O setor costuma registrar um forte crescimento de usuários durante grandes eventos esportivos. Na visão da SOFTSWISS, quais estratégias se mostraram mais eficientes para transformar esse engajamento temporário em retenção a longo prazo?
Alexander Kamenetskyi: A primeira coisa que eu questionaria é a suposição de que os jogadores da Copa do Mundo são, por definição, temporários. Eles não são um grupo único – são muitos. Há apostadores esportivos regulares que já estão na plataforma. Há jogadores de cassino que migram para a plataforma porque o torneio lhes dá um motivo para experimentar os esportes.

Há fãs casuais que fizeram sua primeira aposta acumulada porque seus amigos estavam fazendo. Essas são três conversas diferentes quando se trata de retenção. Aqueles que vieram do cassino são, na verdade, bons candidatos para engajamento a longo prazo se a integração com os esportes for tranquila e gradual.
Recomendamos começar com esses jogadores em apostas acumuladas simples de duas ou três seleções, em vez de mercados complexos. O apostador ocasional que fez três apostas acumuladas durante a fase de grupos pode se tornar um apostador regular se o seu CRM captar o sinal e o direcionar para o próximo calendário do futebol – a Liga dos Campeões, uma temporada nacional, uma grande campanha na copa.
O que faz a diferença é a interação diária e individualizada durante o próprio torneio. Não mensagens genéricas transmitidas pela mídia – pontos de contato relevantes e oportunos, vinculados a partidas específicas, segmentos específicos de jogadores e à seleção nacional de cada pessoa.
Se o time de um jogador perder, entre em contato: reconheça o resultado, ofereça algo para a próxima partida. Se o país de um jogador não se classificou, uma promoção de consolação no início do torneio faz toda a diferença. O objetivo é que cada ação reforce o engajamento antes que o jogador tenha um motivo para desistir.
Em termos de mecânica, reativar jogadores inativos costuma ser mais econômico do que adquirir novos. Grandes eventos como a Copa do Mundo são momentos ideais para campanhas de recuperação – você já conhece o histórico de apostas e as preferências deles, o que torna a personalização da oferta muito mais fácil.
Funcionalidades como o Bônus de Caça, em que os jogadores ganham pontos em cada aposta e recebem apostas grátis automaticamente ao atingirem um determinado limite, criam um motivo constante para retornar ao longo da campanha, em vez de um único incentivo no início.
Alguma rotatividade de jogadores é inevitável. Com base na experiência de nossos parceiros, uma taxa de rotatividade de 15 a 20% durante a Copa do Mundo é típica. Os operadores que segmentam adequadamente e mantêm a comunicação após o término do torneio terão uma perspectiva muito diferente em dezembro em comparação com aqueles que simplesmente mediram os cadastros em julho.
iGaming Brazil: Em um cenário cada vez mais competitivo, com inúmeras opções disponíveis para os apostadores, como a personalização e a experiência do usuário estão redefinindo as estratégias de aquisição e fidelização das operadoras no mercado global?
Alexander Kamenetskyi: O mercado mudou. As operadoras não se perguntam mais “como atrair jogadores?” – essa pergunta já foi amplamente respondida por meio de anos de investimento em aquisição. A questão mais complexa agora é “como mantê-los?”. Essa mudança da aquisição para a retenção define como as operadoras sérias constroem seus produtos e suas estratégias de comunicação.
A personalização é fundamental nesse processo. Um jogador que aposta em jogos da seleção brasileira se comporta de maneira diferente de alguém que acompanha a Premier League inglesa ou aposta em eSports. Se ambos receberem o mesmo e-mail promocional genérico, você os estará tratando como um único público, quando não são.
As operadoras que criam fluxos de CRM segmentados, jornadas de usuário localizadas e promoções personalizadas de acordo com o histórico de apostas do jogador construirão uma fidelidade mais sólida do que qualquer bônus de primeiro depósito.
Durante a Copa do Mundo, isso significa construir a comunicação em torno do calendário da seleção desde o momento em que a classificação é confirmada – e não desde o início do torneio.
iGaming Brazil: O mercado brasileiro está na sua primeira Copa do Mundo devidamente regulamentado. Como essa nova realidade impacta o comportamento das operadoras e as estratégias de marketing voltadas para o torneio?
Alexander Kamenetskyi: Estimativas do setor sugerem que o Brasil pode representar cerca de 10% do volume global de apostas na Copa do Mundo de 2026, tornando-se um dos mercados regulamentados mais importantes comercialmente a surgir nos últimos anos.
Para as operadoras, a mudança mais importante é que velocidade e conformidade agora precisam trabalhar juntas, e isso é mais difícil do que parece. Em um ambiente regulamentado, não é possível simplesmente lançar uma campanha promocional agressiva no momento em que uma grande partida se aproxima.
É preciso obter aprovações, controlar os gastos, implementar mecanismos de jogo responsável e manter um histórico de auditoria transparente. As operadoras que tratarem a conformidade como uma disciplina operacional – em vez de uma restrição a ser contornada – terão mais espaço para manobrar do que aquelas que ainda estão definindo as regras no meio do torneio.
Especificamente em relação ao marketing, o arcabouço regulamentado cria oportunidades. Os jogadores no Brasil estão migrando de operadoras não licenciadas para licenciadas e entrando em um ambiente onde confiam mais nos processos de pagamento, saques e resolução de disputas do que antes. Essa confiança se traduz em maior frequência de apostas e maior fidelização se as operadoras se comunicarem com clareza e cumprirem o básico.
A estratégia de marketing mais eficaz, em nossa opinião, é aquela que começa bem antes do torneio. Uma das primeiras coisas que recomendamos é construir a comunicação em torno do calendário da seleção nacional.
Quando o torneio começar, os jogadores já devem saber como usar a plataforma, entender as promoções e se sentir conectados a ela. As operadoras que usam a Copa do Mundo puramente como uma janela de aquisição, sem ter construído esse engajamento com antecedência, terão dificuldade em justificar o investimento.
iGaming Brazil: Considerando o crescimento acelerado do setor no país, quais características do público brasileiro mais atraem a atenção da SOFTSWISS quando se trata de apostas esportivas durante grandes competições?
Alexander Kamenetskyi: Os apostadores brasileiros estão cada vez mais focados em dispositivos móveis, mais engajados com apostas ao vivo e mais interessados em mercados personalizados. Essa trajetória está em consonância com as tendências globais mais amplas, mas o ritmo e a intensidade emocional em torno do futebol estão em um patamar diferente no Brasil.
Alguns pontos se destacam. Primeiro, a conexão com a seleção nacional é incomparável. Partidas envolvendo a seleção brasileira representaram 9,34% de todas as apostas no SOFTSWISS Sportsbook durante a Copa do Mundo de 2022, e isso sem um mercado doméstico totalmente regulamentado. Em 2026, com operadoras licenciadas construindo presença de marca local e se comunicando diretamente com os jogadores brasileiros, esse número provavelmente aumentará.
Segundo, o público brasileiro não é homogêneo. Há apostadores experientes que se envolvem com mercados complexos – apostas em jogadores, acumuladas ao vivo, combinações durante o jogo. Há também um grande número de pessoas para quem a Copa do Mundo é, antes de tudo, um evento social e emocional.
Atingir ambos os grupos exige abordagens diferentes. Para jogadores iniciantes em apostas esportivas, principalmente aqueles que vêm de cassinos online, recomendamos começar com acumuladores simples de duas ou três seleções. A mecânica precisa parecer acessível antes de ser considerada sofisticada.
Em terceiro lugar, a transição para apostas regulamentadas está mudando o cenário. Jogadores que migram de operadores não licenciados para licenciados demonstram maior retenção e frequência de apostas assim que passam a confiar na plataforma. O Brasil está no início desse ciclo, o que significa que a oportunidade nos próximos anos é substancial.
Os operadores que construírem confiança genuína agora – por meio de pagamentos confiáveis, promoções claras e design de produto responsável – serão os que se beneficiarão à medida que o mercado amadurecer.

iGaming Brazil: A regulamentação brasileira trouxe novos requisitos para as operadoras licenciadas. Quais oportunidades e desafios específicos o mercado brasileiro apresenta em comparação com outras jurisdições onde a SOFTSWISS opera?
Alexander Kamenetskyi: O Brasil é um dos mercados regulamentados mais importantes comercialmente a serem abertos nos últimos anos, e a Copa do Mundo, que ocorre em seu primeiro ciclo regulatório completo, torna o mercado um teste particularmente intenso.
A oportunidade é mensurável. Como mencionei, estimativas do setor sugerem que o Brasil poderá representar cerca de 10% do volume global de apostas na Copa do Mundo de 2026.
A combinação de uma grande população apaixonada por futebol, a crescente adoção de dispositivos móveis e um arcabouço regulatório que está construindo a confiança dos jogadores cria uma base comercial sólida. As operadoras que entraram cedo, construíram infraestrutura em conformidade e adaptaram seus produtos ao mercado local estarão bem posicionadas.
Os desafios são reais. O arcabouço regulatório brasileiro ainda é relativamente novo, o que significa que alguns requisitos continuam sendo interpretados na prática. As operadoras enfrentam um ambiente de conformidade dinâmico que exige velocidade e disciplina simultaneamente.
Restrições à publicidade, processos de aprovação de bônus, requisitos de jogo responsável e verificação de identidade adicionam complexidade operacional. Gerir tudo isto a um ritmo de torneio – jogo a jogo, semana a semana – exige preparação, não improvisação.
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