Exclusivo: Rodrigo Cambiaghi destaca cuidados com a publicidade de apostas e projeta mercado durante a Copa do Mundo
O Brasil enfrenta o Japão nesta segunda-feira (29), em partida válida pela segunda fase da Copa do Mundo 2026. O Mundial movimenta diversos setores, incluindo o mercado regulado de apostas online no país.
Em entrevista exclusiva, Rodrigo Cambiaghi comentou o relatório da Sportradar sobre o potencial da indústria global durante a competição, os cuidados necessários com a publicidade de apostas nas transmissões ao vivo, as estimativas para os operadores brasileiros e até mesmo uma projeção otimista para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil.
Segundo ele, o principal desafio do setor será reter os novos apostadores após o encerramento da Copa. “O desafio é pegar essa galera que está fazendo a primeira aposta e não desanimar depois da Copa. Eventualmente, muita gente vai deixar de apostar depois, isso é normal”, explicou.
Neste ponto, Cambiaghi ressaltou a importância do trabalho de CRM. “O mercado brasileiro já está amadurecimento e, eventualmente, vai parar de crescer. Não teremos tantos novos apostadores quanto tivemos anteriormente, e aí entra o desafio da retenção. Na Europa, o mercado de retenção é tão ou mais importante do que o mercado de aquisição”, esclareceu.
Cuidados com a publicidade de apostas
O Senior Sales Executive Digital Advertising Latam também destacou que a publicidade deve priorizar a entrega de valor para a marca e a relevância para o usuário.
“É o assunto do momento, com as críticas em cima das publicidades de bets”, afirmou, em referência aos processos de averiguação conduzidos pelo Conar e pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) envolvendo a CazéTV e outras emissoras que transmitem o Mundial.
“Vamos ver quais serão os desdobramentos disso. Acho que temos que tomar muito cuidado. Nós, como Sportradar, sempre fomos muito zelosos em relação ao tipo de publicidade. Temos uma tecnologia própria que opera dentro das diretrizes globais”, enfatizou.
Ele acrescentou: “Tomamos muito cuidado para evitar que nossos clientes ou nós mesmos caiamos em algum tipo de problema. Temos um cuidado muito grande para proteger tanto a marca dos nossos clientes quanto a nossa.”
Além disso, Rodrigo Cambiaghi citou dados que reforçam a importância de oferecer conteúdo e informação, além da publicidade. “Isso gera 19% mais engajamento, melhora a taxa de conversão e aumenta a lembrança de marca”, frisou.
Conforme ele, o Brasil deve responder por aproximadamente 10% das apostas globais durante a Copa do Mundo, movimentando cerca de US$ 5 bilhões. A partida de estreia da Seleção Brasileira contra o Marrocos, por exemplo, foi a mais apostada no país.
“Muitos operadores já estão alcançando os resultados esperados apenas com a Copa, e ainda temos muitos campeonatos pela frente, incluindo tênis, basquete e muito mais”, pontuou.
Integridade esportiva
A integridade esportiva também faz parte do trabalho desenvolvido pela Sportradar. Sobre esse processo, Cambiaghi explicou que movimentações suspeitas são compartilhadas entre os operadores.
“Qualquer tipo de movimentação suspeita ou atípica, tanto em volume quanto em valor de apostas, levanta um flag e fazemos uma investigação. Esse tipo de material gera um relatório, e encaminhamos ao Ministério Público para uma investigação em cima disso”, explicou.
O próximo ano reservará outra Copa do Mundo, desta vez disputada no Brasil: a Copa do Mundo Feminina de 2027.
“A Copa Feminina é uma grande promessa. Deve trazer ainda mais movimentação para o mercado e fico muito feliz que seja realizada aqui. A Copa de 2014 parou o Brasil, e espero que a Copa do Mundo Feminina também pare”, concluiu.
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