A presença da Amazon Web Services (AWS) no cenário esportivo global busca ir além da simples exposição e visibilidade de marca. Nesse sentido, a divisão de computação em nuvem da gigante norte-americana utiliza as parcerias que possui no esporte como plataformas para demonstrar a capacidade técnica das suas soluções voltadas ao mercado business-to-business (B2B).
“A relação com o esporte tem seu impacto de marca e de imagem, mas é um trabalho que vem de muitos anos focado na demonstração da capacidade técnica que a AWS pode oferecer para os clientes”, comentou Alexandre Scaglia, líder de comunicação da AWS na América Latina, em entrevista à Máquina do Esporte.
Além disso, a companhia procura aprimorar a experiência do fã por meio do monitoramento e da divulgação de diversos tipos de dados em tempo real. Com isso, o parceiro da AWS consegue criar, por exemplo, uma base complexa de estatísticas que vai além do total de cestas feitas por um jogador, no caso do basquete, e avalia também qual foi o grau de dificuldade de cada tentativa de arremesso em uma partida.
“O comportamento do fã está mudando. Passamos de uma postura passiva para a ‘Era da Interação’. E, nesta transformação, uma tecnologia que responda em tempo real e que entregue análises passa a ser um diferencial das categorias”, destacou Scaglia.
Pilares
A atuação da AWS no esporte é dividida em três frentes estratégicas que buscam cobrir grande parte da cadeia de valor da indústria esportiva e envolvem o aprimoramento da experiência do fã, a performance esportiva e as operações de mídia.
“Nós impulsionamos a inovação dentro do esporte em três áreas. A primeira é a parte de análise de dados focada no fã. Depois, há uma outra oportunidade importante, que é focada no desempenho esportivo do atleta, do carro e da dinâmica competitiva como um todo. Depois, existe uma terceira frente para a AWS se envolver com esportes, que passa pela produção e distribuição de mídia”, explicou o líder de comunicação da AWS na América Latina.
Tecnologia
Para viabilizar essas operações, a companhia emprega conceitos complexos de tecnologia da informação (TI), como Internet das Coisas (IoT) e Gêmeos Digitais, aplicando-os à realidade esportiva. O IoT refere-se à rede de objetos físicos incorporados com sensores e softwares para trocar dados com outros sistemas pela internet. No esporte, isso se traduz na captura massiva de dados em tempo real.
“Um carro de Fórmula 1 gera 1,1 milhão de pontos de dados por segundo em uma corrida. São os sensores do carro alimentando e gerando essa quantidade de dados, que vão para a nuvem em tempo real para serem processados”, detalhou o executivo sobre a aplicação na principal categoria do automobilismo mundial.
“E, a partir desse IoT, você gera um produto para o fã que é aquela estatística que diz: ‘o Hamilton vai chegar para disputar uma posição com o Norris em quatro voltas porque o pneu dele tá performando melhor, etc’. Quando você processa e entrega essa informação para o fã, ele pensa: ‘agora, vou ficar atento porque o meu piloto vai disputar uma posição importante’”, acrescentou.
Já os Gêmeos Digitais são representações virtuais de um objeto ou sistema físico, utilizados para simulações precisas antes da implementação real. Na Fórmula 1, essa tecnologia foi essencial para a definição dos novos regulamentos e design dos carros, com o objetivo de aumentar a competitividade nas pistas.
“Você passa a simular na nuvem todas as possibilidades. Se usar essa asa, o que vai acontecer com o carro? Simula-se. E se usar aquela asa ou mudar a entrada de ar? Tudo isso é feito na nuvem, em tempo real e em quantidades gigantescas”, explicou Scaglia.
NBA
Em parceria com a AWS, a NBA lançou, em outubro do ano passado, a plataforma de estatísticas e inteligência de dados “Inside The Game”. Nela, é possível ter acesso a uma série de dados das equipes e dos atletas da liga que são obtidos por meio de uma tecnologia de rastreamento óptico que captura as imagens em tempo real dos jogos e analisa movimentos de 29 partes diferentes do corpo dos jogadores.
“A cada segundo a posição do atleta é checada para poder tirar diversas estatísticas das partidas. Uma delas, que inclusive aparece na transmissão da NBA, chama-se ‘dificuldade do arremesso’ e leva em consideração não só o histórico, por exemplo, se o LeBron James acerta 78% das bolas que ele chuta de um lugar hipotético da quadra, mas também a análise da posição do corpo, se ele estava equilibrado ou não, a distância do marcador mais próximo, a velocidade que ele veio para fazer o arremesso, entre outros fatores”, exemplificou o executivo.
Personalização
No pilar focado na experiência do fã, a inteligência artificial (IA) generativa tem sido utilizada pela AWS para hiperpersonalizar o conteúdo entregue aos torcedores. A parceria com a Bundesliga exemplifica como a tecnologia adapta um material editorial para diferentes perfis de consumo, aumentando o engajamento no aplicativo oficial da liga.
“Um exemplo de inteligência artificial generativa que está funcionando muito bem é o aplicativo da Bundesliga, que hoje começa a conhecer o perfil de consumo do usuário. Eles usam IA generativa para pegar um texto original detalhado e gerar automaticamente todas as outras possibilidades de formatos de conteúdo”, disse Scaglia.
“Isso trouxe para a Bundesliga um aumento de 68% na interação dos fãs e sessões 60% mais longas. Ou seja, as pessoas estão passando mais tempo no aplicativo. No geral, essa estratégia de pegar um grande texto e transformar em diversos materiais dobrou o tempo de permanência semanal [do usuário] no aplicativo”, revelou.
Saúde
Além do entretenimento e da performance, a tecnologia de nuvem também é aplicada na preservação da integridade física dos atletas. A parceria com a NFL, iniciada há cerca de uma década, foi motivada pela necessidade de aumentar a segurança no futebol americano, utilizando dados coletados coletivamente pela liga para identificar padrões de risco e alterar regras do jogo.
“A primeira aproximação entre a AWS e a NFL surgiu de uma necessidade da categoria em aumentar a segurança dos jogadores, com foco em saúde, em entender a dinâmica do jogo e em como proteger os atletas. Dez anos atrás, quando começamos a trabalhar com eles, já era um projeto de inteligência artificial para entender a dinâmica de como era o ‘sack’, a pancada, a velocidade e o ângulo dos movimentos”, contou o executivo da AWS.
A análise conjunta dos dados de todos os times da liga permitiu mudanças regulatórias recentes, como a alteração na regra do “kick-off” para reduzir o impacto nas colisões.
“Na NFL, o benefício foi sair de dados históricos apenas de cada equipe para integrar tudo e começar a perceber tendências para a categoria. Assim, mudam-se as regras e os equipamentos. Isso veio de uma análise e de um compromisso coletivo da categoria para identificar formas de tornar o jogo mais seguro”, concluiu.
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Em entrevista à Máquina do Esporte, Alexandre Scaglia, líder de comunicação da marca na América Latina, detalhou as operações e acordos da empresa no universo esportivo
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