O Futebol Forte União (FFU) e os clubes filiados que disputam a Série B do Campeonato Brasileiro chegaram a um consenso após reunião online realizada na manhã desta segunda-feira (9). O encontro teve a participação da direção da liga, dos investidores do bloco de clubes e das 18 equipes que integram o grupo.
Segundo a Máquina do Esporte apurou, o FFU irá bancar R$ 15,5 milhões para cada equipe da Série B do Brasileirão filiada a ela. Desse montante, serão descontados R$ 600 mil por equipe para pagamento de despesas com produção dos jogos. Ou seja, sobrará aos times R$ 14,9 milhões.
O valor é similar ao que Náutico e São Bernardo, que não fecharam nem com FFU nem com Liga do Futebol Brasileiro (Libra), irão receber da CBF por seus direitos comerciais. Os jogos da dupla como mandante estarão nas diversas plataformas da Globo. A disparidade financeira entre esses times e o restante das equipes havia sido objeto de desavença entre clubes e liga.
“Houve um bom entendimento”, avaliou o presidente de um dos clubes “rebeldes”, que havia liderado o manifesto divulgado na última sexta-feira (6), com reivindicações dos times da Bezona ao FFU.
Fazem parte do FFU na Série B: América-MG, Athletic-MG, Atlético-GO, Avaí, Botafogo-SP, Ceará, CRB, Criciúma, Cuiabá, Fortaleza, Goiás, Juventude, Londrina, Novorizontino, Operário-PR, Ponte Preta, Sport Recife e Vila Nova.
Além de resolver questões imediatas dos clubes, a assembleia ratificou o formato de distribuição de receitas para os próximos anos, outra reivindicação dos clubes. A partir de 2027, o modelo prevê que 85% dos recursos sejam destinados aos clubes da Série A, enquanto 15% ficarão com as equipes da Série B.
Logística
Além dessa verba, cada clube também terá as despesas de logística bancadas pela CBF, que condicionou a liberação desse recurso à adoção das regras do Fair Play Financeiro, anunciado pela entidade no final do ano passado.
De acordo com apuração da Máquina do Esporte, esse montante varia para cada clube. Equipes do Nordeste, casos de Fortaleza, Ceará, Náutico, Sport e CRB, receberão cerca de R$ 3 milhões, por conta de deslocamentos mais longos durante o torneio.
Já times de Goiás e São Paulo (Atlético-GO, Botafogo-SP, Goiás, Novorizontino, Ponte Preta, São Bernardo e Vila Nova), que fazem viagens mais curtas, terão direito a algo em torno de R$ 2 milhões.
Crise
A reunião desta segunda-feira aconteceu após crise detonada entre clubes e direção da liga. Na sexta-feira (6), os times da Segundona haviam divulgado um manifesto cobrando mudanças na gestão e nos repasses financeiros do FFU aos times da Bezona.
Na ocasião, as equipes reclamaram que a Série B vinha sendo tratada como algo secundário nas negociações do bloco, que teria privilegiado a Série A, na qual obteve arrecadação de R$ 1,7 bilhão de direitos de TV em 2026. Já a Série B, de acordo com apuração da Máquina do Esporte, tinha por objetivo arrecadar R$ 250 milhões, mas obteve apenas R$ 150 milhões no ano passado.
O documento também criticava conflito de interesse entre os investidores do FFU, a agência LiveMode, parceira do bloco, e o canal CazéTV, o que havia desgastado a relação com a Globo, principal grupo de comunicação do país.
Resposta
Na noite de sexta, a crise subiu de tom, quando o FFU respondeu aos clubes, dizendo que não havia tido estagnação ou queda nas receitas da Segundona. De acordo com a entidade, em 2025 cada clube da Série B recebeu “R$ 14,3 milhões, representando um crescimento superior a 50% em comparação com os valores praticados em 2024”.
O comunicado também havia destacado que o cronograma de pagamentos “resultou na quitação integral das receitas até o mês de julho”.
Com a garantia de pagamento da cota de R$ 15,5 milhões, considerada suficiente para a sustentabilidade financeira dos clubes em 2026, os ânimos serenaram.
“O diálogo responsável é o que permite ajustar o modelo sem comprometer sua solidez, sempre com os clubes no centro das decisões”, afirmou Alessandro Barcellos, presidente da FFU.
Para Marcus Salum, presidente do América-MG, um dos signatários do documento de sexta-feira, a tensão pública no interior da liga foi algo normal.
“Em um processo dessa dimensão, é natural que existam tensões e ajustes a serem feitos, e todos temos responsabilidade em fortalecer o projeto e preservar a coesão do grupo”, declarou Marcus Salum, presidente do América-MG.
Modelo
Para a SportsMedia, que adquiriu parte dos direitos comerciais da maior parte dos clubes do FFU por 50 anos, o resultado do encontro irá oferecer segurança jurídica e previsibilidade para o ecossistema do futebol brasileiro.
“O novo entendimento assegura sustentabilidade financeira no curto prazo e, a partir de 2027, o modelo que destina 85% das receitas aos clubes da Série A e 15% aos clubes da Série B será determinante para a recuperação estrutural das instituições, especialmente diante das exigências do fair play financeiro”, destaca Bruno Pimenta, CEO da SportsMedia.
Apesar do entendimento em relação ao campeonato de 2026, ainda há discussões internas a respeito das reivindicações do manifesto dos clubes que ainda estarão na pauta de futuros encontros.
“As outras manifestações serão tratadas em seguida”, contou o presidente de um dos clubes do FFU.
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Direção da liga se compromete a liberar mesmo montante obtido por clubes que negociaram direitos comerciais diretamente com CBF
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