Uma coalizão formada por dez organizações de direitos humanos e clima enviou cartas a seis entidades esportivas internacionais cobrando esclarecimentos sobre seus acordos de patrocínio com a Aramco, estatal petrolífera da Arábia Saudita.
Entre os destinatários estão Fifa, Fórmula 1, Conselho Internacional de Críquete (ICC), Concacaf, Aston Martin e Amaury Sport Organisation (ASO), responsável pela Volta da França e pelo Rali Dacar.
“Enquanto os principais especialistas em direitos humanos da ONU alertam sobre o impacto das atividades da Aramco no planeta e nos seres humanos, organizações esportivas como a Fifa, a Fórmula 1 e o ICC aceitam alegremente o dinheiro da empresa, ignorando não apenas suas tão alardeadas declarações de responsabilidade social, mas também o futuro dos próprios esportes”, criticou James Lynch, da ONG de direitos humanos FairSquare.
As cartas, enviadas em 15 de setembro, expressam “graves preocupações” sobre possíveis violações de padrões internacionais de direitos humanos e compromissos climáticos. Até o momento da redação, nenhuma das organizações havia respondido.
Contexto
A iniciativa segue uma comunicação da ONU em 2023 a instituições financeiras e governos, alertando que parcerias com a Aramco poderiam infringir normas internacionais.
A coalizão, que inclui Human Rights Watch, ALQST e Organização Saudita Europeia para os Direitos Humanos (ESOHR), questiona se as entidades esportivas tomaram medidas em relação ao alerta da ONU e se possuem mecanismos para revisar ou encerrar acordos que causem impactos negativos.
“A Aramco fornece uma fonte crucial de receita para o Estado altamente repressivo de Mohamed bin Salman, sobre o qual os cidadãos sauditas têm pouca ou nenhuma capacidade de responsabilizar”, afirma Maryam Aldossari, da ALQST e professora da Royal Holloway, vinculada à Universidade de Londres.
“Entidades esportivas que dão à Aramco uma audiência global estão ajudando a fortalecer o severo sistema autocrático do país”, completa.
A Aramco registrou lucro líquido de US$ 106 bilhões em 2024 e declarou intenção de manter sua posição como maior produtora de petróleo bruto do mundo.
“Deveríamos abandonar a fantasia de eliminar gradualmente o petróleo e o gás e, em vez disso, investir neles de forma adequada”, afirmou Amin Nasser, CEO da Aramco.
Contradições
As cartas destacam que a queima de combustíveis fósseis representa 80% das emissões de carbono e apontam contradições entre os acordos de patrocínio e os compromissos públicos das entidades esportivas.
Gianni Infantino, presidente da Fifa, já classificou as mudanças climáticas como “um dos desafios mais urgentes do nosso tempo”.
Stefano Domenicali, CEO da F1, por sua vez, declarou em 2024 que “a sustentabilidade é um dos fatores mais importantes para nós, não apenas como esporte, mas como negócio”.
Fifa e Fórmula 1 são signatárias do Quadro de Esporte para Ação Climática da ONU, que prevê redução de emissões pela metade até 2030.
Expansão
A Aramco ampliou seu portfólio de patrocínios para mais de US$ 1,3 bilhão, com mais de 900 acordos. O contrato com a Fifa, que cobre a Copa do Mundo masculina de 2026 e a Copa do Mundo Feminina de 2027, é estimado em mais de US$ 100 milhões por ano.
A empresa também patrocina a Copa do Mundo T20 de Críquete 2026 e esteve presente como patrocinadora principal no GP de Singapura de F1e na atual Copa do Mundo de Críquete Feminino.
Em 2024, em manifestação organizada, mais de 100 jogadoras profissionais de futebol feminino assinaram uma carta aberta à Fifa pedindo o fim do patrocínio com a Aramco.
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Coalizão de direitos humanos e clima cobra posicionamento de entidades esportivas sobre acordos com estatal saudita
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