A final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina, que será disputada no próximo domingo (19), contrapõe não apenas duas seleções repletas de grandes nomes do futebol na atualidade, mas também expõe as disparidades gigantes que existem entre os campeonatos nacionais dos dois países.
De um lado temos a LaLiga, uma das principais competições nacionais de clubes, repleta de astros da bola e que movimenta somas bilionárias de recursos a cada temporada.
De outro temos a Liga Profesional de Fútbol (LPF), nome oficial do Campeonato Argentino, esvaziada em termos financeiros e competitivos e mudando de regra e formato a todo instante, ao sabor dos interesses de ocasião.
Enquanto a competição espanhola reúne 24 dos 52 finalistas da Copa de 2026, a do país sul-americano conta com apenas três representantes na grande decisão.
É certo que vivemos tempos de futebol globalizado, em que nenhuma seleção pode se dar ao luxo de proceder como o Brasil na Copa de 1958, que se deu ao luxo de deixar de fora da convocação craques como Julinho Botelho ou Evaristo de Macedo, porque os dois atuavam no exterior. Mas o time tinha Garrincha e Pelé para as respectivas posições.
Hoje em dia, se analisamos qualquer equipe forte numa Copa do Mundo, a tendência será sempre se deparar com a fragmentação das ligas nas quais os atletas jogam.
A seleção espanhola representa uma rara exceção nesse cenário. De seus 24 convocados que estarão disponíveis para a grande decisão, 18 possuem contratos com clubes do próprio país.
O Barcelona, atual campeão da LaLiga, é a grande base da Fúria, com oito representantes: Joan García, Pau Cubarsí, Eric García, Gavi, Pedri, Dani Olmo, Ferran Torres e Lamine Yamal.
Em seguida vêm Atlético de Madrid, com Marc Pubill, Marcos Llorente e Álex Baena, e Athletic Bilbao, com Unai Simón, Aymeric Laporte e Nico Williams.
Por fim, a LaLiga ainda se faz presente na La Roja com Borja Iglesias, do Celta de Vigo; Víctor Muñoz, do Osasuna; e Mikel Oyarzabal, da Real Sociedad.
Isso sem contar o lateral-esquerdo Cucurella, que jogará pelo Real Madrid na próxima temporada da LaLiga.
A competição espanhola também é a que mais reúne jogadores da Argentina neste Mundial, com seis representantes.
Ao lado do Barcelona, o Atlético de Madrid é o clube com mais finalistas nesta Copa: um total de oito.
Além dos três jogadores da seleção espanhola, o time conta com cinco convocados na Argentina: Nahuel Molina, Juan Musso, Thiago Almada, Giuliano Simeone e Julián Álvarez. A LaLiga ainda tem o meia Giovani Lo Celso, do Betis, atuando pela seleção sul-americana.
Já a LPF tem apenas três finalistas nesta Copa: Leandro Paredes, do Boca Juniors; e Gonzalo Montiel e Nicolás Otamendi, do River Plate. O zagueiro, vale lembrar, sequer estreou no Campeonato Argentino, pois seu contrato passou a valer no dia 1º deste mês, quando a competição estava paralisada por conta da Copa do Mundo.
LaLiga cada vez mais rica
Para se ter uma ideia do que representa o poderio da LaLiga, a Premier League, segunda colocada no ranking dos campeonatos nacionais com mais finalistas nesta Copa do Mundo, tem somente 13 representantes na decisão do torneio.
Desde 2006, quando Itália e França decidiram o Mundial com times formados por craques da Serie A (campeonato nacional mais badalado da época), não se via tamanho predomínio de uma liga nacional específica numa final de Copa.
O mais recente Relatório Econômico da organização esportiva, relativo à temporada 2025/2026, mostra que as receitas normalizadas da LaLiga atingiram € 5,464 bilhões, aumento de 8,1% em relação ao período anterior. É a segunda vez consecutiva que o faturamento do campeonato ultrapassa a marca de € 5 bilhões.
As receitas são impulsionadas por acordos comerciais com grandes marcas, incluindo novas parceiras como Duracell (global), Airbnb e a Volkswagen (locais), sem contar o público nos jogos da primeira divisão, que ultrapassou 11,6 milhões de espectadores pela primeira vez na história, com um recorde de 84,9% de ocupação nos estádios.
O novo ciclo de transmissão nacional da de direitos de transmissão da LaLiga renderá mais de € 6,135 bilhões entre 2027 e 2032, crescimento de quase 9% obtido graças aos acordos com Movistar e DAZN.
Não por acaso, a LaLiga possui os dois clubes de futebol mais valiosos do mundo (Real Madrid e Barcelona, que são os que mais faturam todos os anos), sem contar que a Espanha abocanhou nada menos do que cinco das últimas dez edições da Champions League, principal competição de clubes da Europa.
LPF vive caos permanente
O sucesso da seleção argentina dentro de campo, com atletas que atuam majoritariamente em outras nações (situação que já vivemos no Brasil), talvez acabe por mascarar os danos que a desorganização e a má gestão ocasionam ao futebol do país.
O sinal mais evidente da derrocada dos clubes argentinos pode ser observada na Copa Libertadores, que, desde 2019, vem sendo monopolizada pelos times brasileiros.
Classificados à Copa do Mundo de Clubes de 2025 com base no ranking da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), Boca Juniors e River Plate fizeram campanhas sofríveis e foram eliminados ainda na primeira fase.
Os xeneizes não ganharam um jogo sequer, ao passo que os millionarios venceram uma partida, contra o Urawa Red Diamonds, do Japão.
Nos últimos anos, o país tem experimentado forte polêmica por conta da pressão do presidente Javier Milei para que os clubes argentinos adotem o modelo das Sociedades Anônimas Desportivas (SADs), similares às SAFs brasileiras.
Nas temporadas recentes, a LFP vinha adotando um sistema complexo para definir os rebaixados à segunda divisão, que levava em conta as classificações das equipes nas edições anteriores do campeonato.
Em 2024, a Associação Argentina de Futebol (AFA) resolveu cancelar os rebaixamentos e manter os acessos previstos, fazendo com que a temporada seguinte do campeonato passasse a ter 30 clubes na primeira divisão, em vez de 28.
LEIA MAIS: Campeonato Argentino exclui rebaixamento em 2024 e retomará Apertura e Clausura
LEIA MAIS: Em guerra para impor SAD/SAF no futebol argentino, Javier Milei ataca benefícios fiscais dos clubes do país
Além disso, a entidade, que atualmente é alvo de inquérito do Federal Bureau of Investigation (FBI), retornou o sistema de Apertura e Clausura, permitindo que o país volte a ter dois campeões nacionais em um mesmo ano.
LEIA MAIS: FBI investiga atividades comerciais da AFA nos Estados Unidos
O post Final da Copa de 2026 contrapõe LaLiga repleta de craques e recursos a Campeonato Argentino esvaziado apareceu primeiro em Máquina do Esporte.
Enquanto competição da Espanha reúne 24 finalistas neste Mundial, campeonato de país sul-americano tem apenas três representantes na decisão
O post Final da Copa de 2026 contrapõe LaLiga repleta de craques e recursos a Campeonato Argentino esvaziado apareceu primeiro em Máquina do Esporte.