O crescimento do mercado de apostas esportivas impulsionou a criação de uma rede de fiscalização rigorosa no Rio de Janeiro.
Para combater fraudes, a Polícia Civil, o Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (GAEDEST), e a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) uniram forças em uma operação integrada.
Atualmente, a Delegacia do Consumidor (Decon) lidera as apurações, inclusive investigando sondagens suspeitas durante o “quadrangular da morte” da Série A do Campeonato Carioca de 2026, torneio que define o rebaixamento.
Como o crime organizado estrutura as fraudes esportivas
O delegado Wellington Vieira, responsável pela Decon, detalha o escopo do trabalho policial e a cooperação institucional que fundamenta a força-tarefa.
“A Federação de Futebol aqui do Estado do Rio de Janeiro procurou a Polícia Civil, e a Delegacia do Consumidor foi designada para concentrar essas investigações”, explica.
“Atualmente nós temos 15 inquéritos que apuram manipulação de resultado de partidas de futebol em todas as séries (A, B, C e D).
Se tiver algum tipo de suspeita de fraude, com a colaboração das casas de apostas, da Federação, do Ministério Público e da Justiça, nós investigamos”, completa o delegado.
O cenário revelado pelas investigações demonstra uma estrutura complexa que transcende os gramados.
“Já deu para perceber que os grupos que atuam nesse tipo de fraude formam organizações criminosas que manipulam resultados de partidas”, diz.
“Isso pode escalar para outros crimes, inclusive extorsões e até situações mais graves. O nosso objetivo é tirar essas pessoas de circulação”, alerta Wellington.
Monitoramento de dados e a vulnerabilidade nas divisões inferiores
A tecnologia fornecida pelas plataformas de apostas e monitoramento tornou-se a principal aliada nesse combate.
O vice-presidente da FERJ, Sandro Trindade, explica o fluxo de inteligência.
“No final de 2023, em função desses problemas, buscamos direcionar as investigações para uma delegacia especializada”, conta.
“A partir daí começamos a enviar relatórios de integridade que recebemos de empresas de monitoramento identificando hipóteses de manipulação de resultados”, afirma.
De acordo com ele, a dinâmica do alerta funciona em tempo real.
“Essas empresas monitoram as apostas feitas nas plataformas. Quando aparece um volume incomum de dinheiro em um lance específico, isso gera um alerta. A partir desse relatório, a federação encaminha as informações às autoridades para investigação”.
Para o advogado Raphael Cvaigman, especialista em regulação, os criminosos definem bem seus alvos.
“Normalmente não estamos falando da Série A, mas de séries C e D, onde os atletas têm remuneração menor e contratos curtos”, explica.
“Além disso, muitas dessas partidas têm pouca visibilidade e nem sempre são transmitidas, o que pode facilitar tentativas de manipulação”, pontua Raphael.
Operações recentes, como a prisão em Dubai do aliciador William Rogatto, alvo da Operação VAR, reforçam a urgência do cerco legal sustentado pela nova Lei Geral do Esporte.
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