A regulamentação e a inovação tecnológica estão moldando um novo horizonte para o mercado de jogos no Brasil.
Durante o BiS SiGMA South America 2026, realizado em São Paulo, líderes da indústria, políticos e especialistas se reuniram para debater os rumos do setor.
Os debates destacaram, principalmente, dois pilares fundamentais para o ecossistema: o avanço da legalização das operações físicas e a inevitável convergência com as plataformas digitais.
Como o marco regulatório dos cassinos físicos pode transformar o turismo e atrair capital
Após mais de 30 anos de discussões paralisadas, o avanço do Projeto de Lei nº 2.234/2022, que autoriza a instalação de cassinos físicos no país, coloca o Brasil diante de um momento decisivo.
Moderado por Carlos Cardama, o painel aconteceu na última quarta-feira (08) e reuniu participantes dos setores de consultoria, governamental e de jogos comerciais.
De acordo com Vinicius Lummertz, a legalização deixou de ser apenas uma ferramenta fiscal para se consolidar como uma alavanca estratégica de revitalização do turismo.
O objetivo é desenvolver uma infraestrutura de entretenimento que atenda aos padrões globais e impulsione áreas com potencial turístico não realizado.
No entanto, Alex Pariente afirmou que, para que esse potencial comercial se concretize, o mercado exige consistência e segurança jurídica para os investidores.
Para o senador Irajá, figura central no processo político, a atração de capital institucional global depende de uma regulamentação clara e previsível, evitando os riscos de regras fragmentadas ou excessivamente restritivas.
Fábio Tibéria defendeu um modelo de licenciamento equilibrado, com flexibilidade operacional para acomodar tanto megaprojetos de resorts integrados quanto operadores regionais menores.
Além disso, para combater o ceticismo histórico do público em relação aos jogos, a implementação de políticas rigorosas de Jogo Responsável desde o primeiro dia é considerada inegociável.
Isso inclui o uso de ferramentas digitais de monitoramento e análise de dados em tempo real a fim de garantir a conformidade e a proteção contra crimes financeiros.
A convergência multicanal e a vantagem estrutural do mercado brasileiro
Enquanto a legislação avança no âmbito institucional, a tecnologia já redefine a jornada do usuário.
O palco Itaim sediou o painel “Físico ou Digital? Entre Fronteiras e Convergências na Indústria de Cassinos”.
Reunindo especialistas de todo o ecossistema de jogos, a sessão explorou como a inovação tecnológica e a evolução regulatória estão remodelando a relação entre os estabelecimentos terrestres e as plataformas online.
Bryan Ortiz, diretor da Zitro Digital Brasil, reforçou a ideia de que a estratégia multicanais não cria canibalização entre os produtos.
“O digital não substitui o físico, ele o complementa”, afirmou, ressaltando que, no cenário pós-pandemia, os jogadores buscam novamente as interações sociais presenciais, exigindo jornadas mais fluidas entre os ambientes.
Dessa forma, um tema central do debate foi a posição única do Brasil, que regulamentou as apostas online antes de estabelecer totalmente os cassinos físicos.
Luiz Felipe Maia, sócio do Maia Yoshiyasu Advogados, ponderou que o cenário jurídico continua sendo a variável crítica para essa evolução.
“Temos argumentos jurídicos muito fortes”, pontuou o advogado sobre os debates regulatórios em andamento, alertando que qualquer mudança abrupta na legislação pode gerar instabilidade de mercado caso não seja conduzida com cuidado.
Fernando Mora, executivo de desenvolvimento de negócios da Sportradar Brasil, destacou que as operadoras digitais já possuem um ativo valiosíssimo para transbordar para os espaços físicos: as redes de usuários.
“O digital já criou diversas comunidades para cada esporte”, explicou, apontando para o engajamento massivo nas redes sociais e plataformas de streaming.
Por fim, os painelistas concordaram que o sucesso dessa convergência dependerá da localização das ofertas.
De acordo com eles, os operadores precisarão adaptar a experiência do usuário, o design dos jogos e a oferta esportiva para corresponder à realidade do público brasileiro.
O post Futuro dos cassinos no Brasil: convergência digital e marco regulatório pautam debates no BiS SiGMA 2026 apareceu primeiro em iGaming Brazil.
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