A movimentação do Grêmio para mudar de bloco comercial converteu-se em um dos episódios mais confusos do futebol brasileiro nos últimos tempos.
O clube gaúcho adiou mais uma vez a reunião do Conselho Deliberativo, que ocorreria nesta terça-feira (17) e analisaria a proposta de saída do Tricolor da Liga do Futebol Brasileiro (Libra), sua migração para o Futebol Forte União (FFU) e a venda de 10% dos direitos comerciais e de mídia à investidora Sport Media Participações, pelo período de 50 anos.
Se no fim de fevereiro esse negócio era dado como certo, hoje é impossível cravar que a mudança irá se concretizar.
A nova votação Conselho Deliberativo do Grêmio ainda não tem data para ocorrer. Nesta quarta-feira, o clube deve participar de uma reunião que poderá esvaziar por completo a discussão que seria feita pelos conselheiros.
Rejeição no FFU
Dois fatores têm atravancado essa tentativa do Grêmio de mudar de bloco comercial. O primeiro deles consiste na resistência declarada de alguns clubes do FFU, que alegam um suposto favorecimento que estaria sendo oferecido aos candidatos a novos membros do grupo.
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A insatisfação foi verbalizada sobretudo pelo Goiás, que elaborou notificações extrajudiciais tanto cobrando a realização de votação para decidir sobre o ingresso do time gaúcho quanto contestando a data em que a Assembleia Geral seria realizada.
No fim das contas, a reunião do FFU ocorreu, mas sem caráter deliberativo, já que (conforme questionou o Goiás) o prazo entre a publicação do edital de convocação e a data definida para o encontro era inferior aos oito dias previstos no Estatuto do bloco.
Para que o Grêmio seja aceito no FFU, é necessário um quórum de aprovação de 90% dos membros. Em tese, poderiam votar os clubes da primeira e da segunda divisão do Brasileirão, classificados como das categorias A e B, pelo Estatuto.
Contudo, o CSA obteve uma liminar na Justiça de Alagoas, que garante a ele o direito a voto, mesmo disputando a Série C. Hoje, não está claro quem no FFU poderia participar de fato da deliberação envolvendo a entrada do Grêmio.
Flerte com Bap
Ao mesmo tempo em que viu sua possível chegada ao FFU tornar-se o estopim para um princípio de rebelião no bloco, o Grêmio aproximou-se do presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, que tem sido crítico ferrenho do atual modelo de divisão de receitas da Libra.
O dirigente rubro-negro conseguiu atrair também o Remo para esse grupo e, com isso, convocar uma reunião com a finalidade de rediscutir o contrato do bloco com o Grupo Globo.
O atual acordo de direito de transmissão, válido até 2029, não prevê reajuste para a Libra, caso ela passe a contar com mais integrantes na Série A do Brasileirão.
Dessa forma, ela receberá em 2026 o mesmo valor que no ano passado, mesmo possuindo um membro a mais na elite nacional, graças à chegada do Remo.
O Estatuto da Libra prevê que são necessários pelo menos três clubes para que a reunião seja convocada. O encontro ocorrerá na sede do Flamengo, na Gávea, no Rio de Janeiro (RJ).
Se dessa discussão brotar uma condição que seja considerada vantajosa em termos financeiros (ou políticos) para o Grêmio, a migração para o FFU pode acabar naufragando, antes mesmo de ser votada pelos conselheiros.
Vale lembrar que, nos próximos dias, a Libra e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deverão ser procuradas pelo FFU, que decidiu acenar para as duas entidades, buscando avançar no diálogo para a criação de uma liga unificada no país, superando o modelo atual com dois blocos comerciais.
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Enquanto isso, nesta quarta-feira (18) o clube deve participar de reunião em que a Libra irá debater o contrato com Grupo Globo
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