John Textor tem afastamento da Eagle confirmado, mas diz ter “se reconduzido” à diretoria

John Textor foi formalmente afastado da diretoria da Eagle Football Holdings. A Companies House, órgão responsável pelo registro de movimentações corporativas no Reino Unido, publicou a remoção do empresário nesta terça-feira (24).

A alteração oficial, datada de 27 de janeiro, representa o ápice de uma disputa de poder envolvendo o empresário norte-americano, a gestora de investimentos Ares Management e a executiva Michele Kang, atual comandante do Lyon.


A movimentação da Ares Management, que é a principal credora do Grupo Eagle, ocorreu após uma tentativa de Textor de alterar unilateralmente a governança da empresa. Na última semana de janeiro, o empresário destituiu os diretores independentes Stephen Welch e Hemen Tseayo.

A manobra tinha o objetivo de invalidar os votos da dupla em uma assembleia geral para que Textor pudesse aprovar, de forma isolada, a destituição da atual diretoria do braço francês do grupo, além de forçar a liberação de aportes financeiros emergenciais para o Botafogo.

Em resposta, a Ares acionou uma cláusula de proteção ao crédito na Justiça britânica com o intuito de assumir o controle da Eagle. A gestora havia emprestado US$ 450 milhões em 2022 para viabilizar a aquisição do Lyon.


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Na avaliação da companhia, as mudanças na governança representavam um risco direto aos investidores.

Empresas

A teia corporativa da Eagle Football Holdings envolve três empresas. A Eagle Football Holding, no topo da cadeia, tem John Textor como acionista majoritário.

Abaixo dela, está a Eagle Football Holding Midco, 100% controlada pela empresa matriz. Esta, por sua vez, controla totalmente a Eagle Football Holding Bidco, responsável pela operação dos clubes.

Defesa

Em sua defesa, John Textor classificou o cenário como uma “guerra civil” e acusou Michele Kang e a Ares de firmarem um acordo paralelo mantido em sigilo.

“O resultado dessa decisão é uma lamentável guerra civil que transformou uma organização esportiva solidária, colaborativa e incrivelmente bem-sucedida (em busca de troféus em todos os mercados) em um atoleiro financeiro”, escreveu o norte-americano, em um comunicado.

Segundo ele, o acordo criou um conselho alternativo para controlar o Lyon sem interferências da Eagle Football Holdings, configurando uma violação da legislação francesa.

Textor argumenta que a destituição dos diretores tinha como objetivo proteger a organização de reestruturações que considerava ilegais e prejudiciais.

Apesar da oficialização de sua saída pela autoridade britânica, Textor declarou ter se reconduzido como diretor da Eagle Bidco, que controla os clubes, no dia 29 de janeiro. A movimentação, porém, ainda não foi oficializada pela Companies House.

O empresário alega que, na condição de único diretor da Eagle Midco, a empresa controladora da Bidco, está respaldado para retomar sua posição no Conselho.

“Não há qualquer disputa entre as partes em relação ao Conselho de Administração da Eagle Midco, empresa controladora da Eagle Bidco, onde Textor permanece como único diretor”, afirmou a nota publicada pelo norte-americano.

“Não há controvérsias em relação ao Conselho de Administração da Eagle Football Holdings Limited, que detém 100% da Eagle Midco e das empresas do Grupo Eagle”, acrescentou.

Botafogo

A perda de controle de Textor sobre a estrutura da Eagle afeta a operação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo. Atualmente, a manutenção do empresário no comando do clube brasileiro é sustentada por uma liminar concedida pela Justiça do Rio de Janeiro no ano passado.

A medida, inclusive, impediu a transferência de ativos da SAF carioca para uma outra empresa fundada por Textor nas Ilhas Cayman.

Sem o domínio efetivo da Eagle Bidco, o acesso de Textor aos recursos do grupo multiclubes fica bloqueado. Essa trava financeira já gerou consequências práticas para o clube carioca, como o transfer ban imposto pela Fifa devido a atrasos no pagamento da contratação do meio-campista Thiago Almada.

Diante deste cenário de incerteza e de um passivo acumulado na casa de R$ 1,5 bilhão, sendo R$ 700 milhões com vencimento a curto prazo, a diretoria da SAF já estuda um pedido formal de recuperação judicial como alternativa para alongar prazos e equacionar as dívidas da operação no Brasil.

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Movimento acirra disputa corporativa com a Ares e coloca futuro financeiro e administrativo da SAF do Botafogo em alerta
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