A oficialização da parceria entre a seleção brasileira e a Jordan Brand, realizada na semana passada, com o lançamento da camisa reserva da equipe para a Copa do Mundo de 2026, é um movimento estratégico complexo da marca norte-americana no futebol.
No Maquinistas, podcast da Máquina do Esporte, Marcelo Trevisan, diretor-geral da Jordan Sports para Ásia-Pacífico e América Latina, detalhou que a parceria tem como objetivo dar um novo passo, o maior até o momento, no posicionamento da marca no futebol mundial.
“[O uniforme] foi pensado de uma forma a quebrar a rotina do futebol, quebrar um pouco do que vem sendo feito nos últimos anos e trazer uma energia nova para o futebol, não só para o Brasil, mas para o futebol global”, explicou o executivo.
“Acho que aquilo que a gente já viu acontecendo com o que a Jordan fez no PSG e transformou a forma como clubes enxergam uma marca atuando em um clube, quem sabe agora chegamos a ver de revolucionar isso com uma seleção. E que bom que a seleção é a seleção brasileira”, completou.
O mercado brasileiro, neste cenário, é de extrema importância para o avanço da Jordan no futebol mundial. A marca aposta na parceria com a seleção brasileira como uma forma de demonstrar tudo que é capaz de fazer para além do basquete.
“Não temos interesse em fazer uma combinação com basquete, queremos garantir que o futebol tenha uma conexão com a marca Jordan. A marca, hoje, não está só no basquete, mas está em outros esportes faz tempo”, pontuou o diretor-geral da Jordan.
“A parte de lifestyle é onde a gente realmente se diferencia das outras marcas. O objetivo ao final de tudo é que a marca se fortaleça no Brasil, que muita gente que ainda não conhece comece a entender o que é a marca, o atleta Jordan, a cultura de tênis, e entender que a marca é maior”, acrescentou.
Marcelo Trevisan defendeu que toda marca gostaria de trabalhar com a seleção brasileira, mas a Jordan foi escolhida pela similaridade de atitudes e estilos mantidos por ambos os lados.
“Essa dualidade de trazer esporte com uma cultura, trazer essa questão da performance com uma ginga, essa brasilidade. Isso fez com que essa parceria entre Jordan e seleção brasileira se tornasse algo muito natural e, de certa forma, parece que foi pensado e criado para estarem juntas”, definiu.
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Design e narrativa
Com a parceria firmada, o desafio passou a ser a concepção do uniforme. Para isso, a equipe de design fundiu a identidade visual da Jordan com a fauna brasileira, apostando na psicologia do perigo iminente.
“Você consegue ver os detalhes na textura e no print que tem dentro da camiseta, como conecta com a herança da Jordan com o que a gente chama de ‘cement print’, que tem tradicionalmente nos nossos tênis, mas traz uma linguagem diferente, porque foi atrás de inspirações de predadores que existem no Brasil”, contou Marcelo Trevisan.
A linguagem visual reforçada pelo design pavimentou o caminho para a campanha “Joga Sinistro”, uma segunda versão do mote “Joga Bonito”, lançada em 2006 para a Copa do Mundo daquele ano.
“Quando você vê algo que é perigoso, ninguém precisa explicar para você, não precisa ter uma plaquinha escrito ‘perigoso’. É esse sentimento também que essa camisa quer traduzir para quando os atletas entrarem em jogo”, explicou o diretor-geral da Jordan.
A mudança de postura foi ilustrada simbolicamente no material de divulgação da marca. A narrativa foi desenvolvida para reforçar o lado “sério” da seleção brasileira, tradicionalmente exaltada pelo jogo descontraído.
“Acho que a tentativa é trazer um lado que o Brasil sempre teve. Talvez ele tenha se perdido um pouco nos últimos anos ou talvez não tenha sido transmitido, mas o Brasil sempre teve essa mistura do ‘eu vou jogar bonito, mas quando eu tô em campo, eu tô levando a sério e todo mundo me respeita’”, disse.
No entendimento da marca, a mentalidade exaltada pela narrativa criada para a segunda camisa acompanha o momento vivido pela seleção brasileira dentro dos gramados.
“O Pelé tinha, o Jordan tinha, todos os grandes atletas. Ronaldo, Ronaldinho, a história do Brasil sempre tem muitos. E eu acho que o próprio Ancelotti está também nessa pegada do ‘vamos jogar sério, vamos trabalhar, impor respeito’, porque o Brasil merece respeito”, pontuou Trevisan.
“Quando entra em campo, ainda tem poucos que podem competir. Agora, bater de frente, ninguém deveria bater de frente”, concluiu.
O podcast Maquinistas, apresentado por Erich Beting e Gheorge Rodriguez, com a participação de Marcelo Trevisan, diretor-geral da Jordan Sports para Ásia-Pacífico e América Latina, já está disponível no canal da Máquina do Esporte no YouTube:
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Como continuidade da entrada em clubes, parceria aposta na similaridade de atitudes e estilos para juntar duas das maiores marcas do esporte global
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