Jordi Sendra, Alea: “Agora, a conversa é mais sobre como realmente operar um negócio sustentável”

CEO da Alea analisa o cenário do igaming na América Latina, os desafios regulatórios no Brasil e detalha a estratégia da empresa às vésperas da SiGMA Americas 2026.


Entrevista exclusiva.- Às vésperas da SiGMA Americas 2026, que acontecerá em um momento de transformações relevantes no mercado latino-americano de igaming, o Focus Gaming News conversou com Jordi Sendra, CEO da Alea. Nesta entrevista, o executivo aborda a preparação da empresa para o evento, além de analisar o cenário atual da indústria na região, os desafios operacionais diante da nova realidade regulatória, com destaque para o Brasil, e as oportunidades estratégicas para operadores e agregadores nos próximos anos.

Quais objetivos estratégicos específicos vocês definiram para o SiGMA Americas 2026, considerando o cenário regulatório em rápida evolução na região?

Para nós, o SiGMA Americas é, principalmente, sobre estar próximos do que realmente está acontecendo no mercado. A regulamentação na América Latina está evoluindo rapidamente, e cada país avança em um ritmo diferente, então é importante ter essas conversas presencialmente.

Usamos esses eventos mais para ouvir do que qualquer outra coisa. Isso nos ajuda a entender onde os operadores estão sentindo mais pressão no momento, seja em compliance, relatórios ou custos, e então conseguimos avaliar se o que estamos construindo realmente ajuda nesses desafios do dia a dia. É uma boa forma de validar nossa direção e ajustar, se necessário.


iGaming & Gaming International Expo - IGI

Após a participação no SBC Summit Rio, qual a sua análise sobre o estado atual da indústria de igaming na América Latina e quais são os principais desafios para operadores e agregadores neste ano?

Já passamos da fase em que todos estavam apenas tentando entrar no ar o mais rápido possível. Agora, a conversa é mais sobre como realmente operar um negócio sustentável, especialmente com todas as novas regras e impostos em vigor.

O Brasil é um exemplo claro. Há muito a ser gerenciado nos bastidores: impostos, relatórios e, do nosso lado, a responsabilidade de certificar todos os jogos oferecidos pelos parceiros. Os operadores estão prestando mais atenção em como seus sistemas funcionam e onde os custos surgem, porque até pequenas ineficiências podem se acumular rapidamente. Não é algo chamativo, mas faz uma grande diferença no longo prazo.

Para os agregadores, o papel também está mudando. Os operadores não querem apenas jogos; eles buscam suporte na operação, soluções que facilitem o dia a dia. Se conseguimos ajudar nisso, permitimos que as equipes foquem nas áreas que realmente exigem atenção humana. É aí que vemos o verdadeiro valor do que fazemos.

O Brasil completou seu primeiro ano completo de igaming regulamentado desde janeiro de 2025. Como você avalia a evolução do mercado e quais marcos ainda faltam para atingir a maturidade?

O Brasil parece mais estável agora do que no início de 2025, mas ainda não é um mercado totalmente maduro. Muitas empresas ainda estão se adaptando aos processos regulatórios e à estrutura de custos, então há um período de ajuste em andamento em toda a indústria.

Também começamos a ver mais consolidação e maior cautela nos investimentos, especialmente porque a aquisição de jogadores se tornou bastante cara. Isso naturalmente leva os operadores a focarem mais na retenção e na melhoria do produto.

Em termos de maturidade, acredito que o passo-chave será quando processos operacionais, como relatórios e fluxos de dados, se tornarem mais previsíveis. Quando essas mudanças deixarem de ocorrer com frequência, as empresas poderão planejar no longo prazo, e o mercado passará a se comportar de forma mais estável.

Durante a ICE Barcelona 2026, a Alea apresentou a solução Jackpot Engine. Você pode explicar brevemente do que se trata e como ela complementa a estratégia para a América Latina?

O Jackpot Engine é, basicamente, um movimento para dar mais controle aos operadores sobre o engajamento dos seus jogadores. Lançamos a solução na ICE porque percebemos que a maioria dos operadores estava, na prática, “alugando” a emoção dos provedores de jogos, sem ter meios de criar suas próprias recompensas entre diferentes títulos. Essa ferramenta permite configurar pools de prêmios próprios, em qualquer provedor ou jogo disponível na nossa plataforma, tudo a partir de um único lugar.

Atualmente, o jackpot está disponível apenas via licença de Curaçao, mas sabemos que ele terá um papel importante para ajudar marcas locais a se destacarem. Em mercados onde todos têm os mesmos jogos populares, a diferenciação vem da experiência criada em torno deles. O Jackpot Engine permite construir um senso de comunidade e uma experiência de marca própria, algo que os jogadores associam diretamente ao operador, e não apenas a um slot específico.

Como o Jackpot Engine ajuda operadores locais a melhorar a retenção de jogadores e reduzir o CPA em comparação com bônus tradicionais?

Bônus tradicionais funcionam bem para um impulso inicial, mas são caros e o efeito costuma desaparecer assim que acabam. Queríamos oferecer algo mais sustentável, então desenvolvemos um simulador integrado ao Jackpot Engine. Como engenheiro, sempre acreditei que não se deve gerir um negócio com base em suposições. O simulador permite testar diferentes cenários, como a frequência de pagamentos do jackpot e as margens, antes de entrar em operação.

Outro fator importante é o modelo de autofinanciamento. Nosso sistema permite que o jackpot seja alimentado por pequenas contribuições dos próprios jogadores, transformando um custo tradicional em uma ferramenta sustentável. Isso ajuda na retenção porque cria uma experiência coletiva e contínua, incentivando os jogadores a voltarem ao site específico, em vez de apenas buscar o próximo bônus em outro lugar. Com o tempo, esse tipo de experiência compartilhada tende a gerar mais fidelidade do que campanhas pontuais.

Como a Alea enxerga seu papel no ecossistema de igaming da América Latina nos próximos anos?

Nós nos vemos como parte da camada de infraestrutura da indústria. A agregação continua sendo o núcleo do nosso negócio, mas hoje os operadores precisam de muito mais do que um catálogo de jogos. Eles precisam de estabilidade, conformidade regulatória e visibilidade em tempo real do desempenho das suas operações.

A América Latina está se tornando cada vez mais complexa do ponto de vista regulatório e operacional, então nosso papel é absorver essa complexidade e transformá-la em algo gerenciável. Na prática, isso significa desenvolver sistemas flexíveis o suficiente para se adaptar rapidamente, mas também estáveis o bastante para que os operadores possam confiar neles, mesmo com as constantes mudanças do mercado.

Se fizermos bem o nosso trabalho, nossos parceiros não precisarão se preocupar com a camada técnica, ela simplesmente funcionará permitindo que foquem nos jogadores, na marca e na estratégia.

CEO da Alea analisa o cenário do igaming na América Latina, os desafios regulatórios no Brasil e detalha a estratégia da empresa às vésperas da SiGMA Americas 2026.

Entrevista exclusiva.- Às vésperas da SiGMA Americas 2026, que acontecerá em um momento de transformações relevantes no mercado latino-americano de igaming, o Focus Gaming News conversou com Jordi Sendra, CEO da Alea. Nesta entrevista, o executivo aborda a preparação da empresa para o evento, além de analisar o cenário atual da indústria na região, os desafios operacionais diante da nova realidade regulatória, com destaque para o Brasil, e as oportunidades estratégicas para operadores e agregadores nos próximos anos.

Quais objetivos estratégicos específicos vocês definiram para o SiGMA Americas 2026, considerando o cenário regulatório em rápida evolução na região?

Para nós, o SiGMA Americas é, principalmente, sobre estar próximos do que realmente está acontecendo no mercado. A regulamentação na América Latina está evoluindo rapidamente, e cada país avança em um ritmo diferente, então é importante ter essas conversas presencialmente.

Usamos esses eventos mais para ouvir do que qualquer outra coisa. Isso nos ajuda a entender onde os operadores estão sentindo mais pressão no momento, seja em compliance, relatórios ou custos, e então conseguimos avaliar se o que estamos construindo realmente ajuda nesses desafios do dia a dia. É uma boa forma de validar nossa direção e ajustar, se necessário.

Após a participação no SBC Summit Rio, qual a sua análise sobre o estado atual da indústria de igaming na América Latina e quais são os principais desafios para operadores e agregadores neste ano?

Já passamos da fase em que todos estavam apenas tentando entrar no ar o mais rápido possível. Agora, a conversa é mais sobre como realmente operar um negócio sustentável, especialmente com todas as novas regras e impostos em vigor.

O Brasil é um exemplo claro. Há muito a ser gerenciado nos bastidores: impostos, relatórios e, do nosso lado, a responsabilidade de certificar todos os jogos oferecidos pelos parceiros. Os operadores estão prestando mais atenção em como seus sistemas funcionam e onde os custos surgem, porque até pequenas ineficiências podem se acumular rapidamente. Não é algo chamativo, mas faz uma grande diferença no longo prazo.

Para os agregadores, o papel também está mudando. Os operadores não querem apenas jogos; eles buscam suporte na operação, soluções que facilitem o dia a dia. Se conseguimos ajudar nisso, permitimos que as equipes foquem nas áreas que realmente exigem atenção humana. É aí que vemos o verdadeiro valor do que fazemos.

O Brasil completou seu primeiro ano completo de igaming regulamentado desde janeiro de 2025. Como você avalia a evolução do mercado e quais marcos ainda faltam para atingir a maturidade?

O Brasil parece mais estável agora do que no início de 2025, mas ainda não é um mercado totalmente maduro. Muitas empresas ainda estão se adaptando aos processos regulatórios e à estrutura de custos, então há um período de ajuste em andamento em toda a indústria.

Também começamos a ver mais consolidação e maior cautela nos investimentos, especialmente porque a aquisição de jogadores se tornou bastante cara. Isso naturalmente leva os operadores a focarem mais na retenção e na melhoria do produto.

Em termos de maturidade, acredito que o passo-chave será quando processos operacionais, como relatórios e fluxos de dados, se tornarem mais previsíveis. Quando essas mudanças deixarem de ocorrer com frequência, as empresas poderão planejar no longo prazo, e o mercado passará a se comportar de forma mais estável.

Durante a ICE Barcelona 2026, a Alea apresentou a solução Jackpot Engine. Você pode explicar brevemente do que se trata e como ela complementa a estratégia para a América Latina?

O Jackpot Engine é, basicamente, um movimento para dar mais controle aos operadores sobre o engajamento dos seus jogadores. Lançamos a solução na ICE porque percebemos que a maioria dos operadores estava, na prática, “alugando” a emoção dos provedores de jogos, sem ter meios de criar suas próprias recompensas entre diferentes títulos. Essa ferramenta permite configurar pools de prêmios próprios, em qualquer provedor ou jogo disponível na nossa plataforma, tudo a partir de um único lugar.

Atualmente, o jackpot está disponível apenas via licença de Curaçao, mas sabemos que ele terá um papel importante para ajudar marcas locais a se destacarem. Em mercados onde todos têm os mesmos jogos populares, a diferenciação vem da experiência criada em torno deles. O Jackpot Engine permite construir um senso de comunidade e uma experiência de marca própria, algo que os jogadores associam diretamente ao operador, e não apenas a um slot específico.

Como o Jackpot Engine ajuda operadores locais a melhorar a retenção de jogadores e reduzir o CPA em comparação com bônus tradicionais?

Bônus tradicionais funcionam bem para um impulso inicial, mas são caros e o efeito costuma desaparecer assim que acabam. Queríamos oferecer algo mais sustentável, então desenvolvemos um simulador integrado ao Jackpot Engine. Como engenheiro, sempre acreditei que não se deve gerir um negócio com base em suposições. O simulador permite testar diferentes cenários, como a frequência de pagamentos do jackpot e as margens, antes de entrar em operação.

Outro fator importante é o modelo de autofinanciamento. Nosso sistema permite que o jackpot seja alimentado por pequenas contribuições dos próprios jogadores, transformando um custo tradicional em uma ferramenta sustentável. Isso ajuda na retenção porque cria uma experiência coletiva e contínua, incentivando os jogadores a voltarem ao site específico, em vez de apenas buscar o próximo bônus em outro lugar. Com o tempo, esse tipo de experiência compartilhada tende a gerar mais fidelidade do que campanhas pontuais.

Como a Alea enxerga seu papel no ecossistema de igaming da América Latina nos próximos anos?

Nós nos vemos como parte da camada de infraestrutura da indústria. A agregação continua sendo o núcleo do nosso negócio, mas hoje os operadores precisam de muito mais do que um catálogo de jogos. Eles precisam de estabilidade, conformidade regulatória e visibilidade em tempo real do desempenho das suas operações.

A América Latina está se tornando cada vez mais complexa do ponto de vista regulatório e operacional, então nosso papel é absorver essa complexidade e transformá-la em algo gerenciável. Na prática, isso significa desenvolver sistemas flexíveis o suficiente para se adaptar rapidamente, mas também estáveis o bastante para que os operadores possam confiar neles, mesmo com as constantes mudanças do mercado.

Se fizermos bem o nosso trabalho, nossos parceiros não precisarão se preocupar com a camada técnica, ela simplesmente funcionará permitindo que foquem nos jogadores, na marca e na estratégia.

  


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