Uma nova pesquisa sobre apostas esportivas revelou que jovens de baixa renda são o perfil mais recorrente entre os usuários de plataformas de apostas online no Brasil. O levantamento, realizado por O Globo/Ipsos-Ipec, mostrou que 16,6% dos torcedores brasileiros já apostaram em partidas de futebol.
Apesar da frequência, os valores médios costumam ser baixos, com depósito de R$ 20. Do total de entrevistados, 3% disseram que apostam sempre, 1,8% frequentemente, 5,9% às vezes e outros 5,9% raramente. O estudo ouviu 2.000 pessoas entre 5 e 9 de junho de 2025 em 132 municípios brasileiros, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. As informações são do portal O Globo.
Perfil de quem faz apostas online no Brasil
A renda familiar entre dois e cinco salários mínimos concentrou 20,3% dos apostadores, seguida por quem ganha de um a dois salários mínimos (17%). Entre os que recebem mais de cinco salários, 15,8% afirmaram apostar, enquanto na faixa de até um salário mínimo a taxa foi de 12,7%, grupo que, apesar de menor, aposta com maior frequência.
Regionalmente, o Centro-Oeste tem a maior proporção de apostadores (20,3%). Já o Nordeste lidera entre os mais assíduos, com 4,3% dos torcedores declarando apostar sempre, enquanto o Sul aparece na ponta oposta, com apenas 1,8%. O interior concentra 17,3% dos apostadores, resultado que especialistas atribuem à menor oferta de opções culturais e de lazer em cidades pequenas.

Apostas esportivas entre jovens e homens
Os jovens de 16 a 24 anos representam 25,5% dos apostadores, proporção semelhante à dos adultos de 25 a 34 anos (24,4%), mas com muito mais intensidade: 7,2% afirmaram apostar sempre, contra 3,3% da faixa seguinte. Para o pesquisador Emílio Tazinaffo, a pandemia acelerou esse comportamento ao transformar jogos digitais em uma forma de socialização, aproximando adolescentes das dinâmicas de apostas.
Enquanto grande parte das indústrias culturais se digitalizava e se tornava mais individual, o mercado de apostas crescia em comportamento coletivo. Segundo um levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o mercado brasileiro de jogos on-line cresceu 27% entre 2020 e 2023, principalmente devido à pandemia da COVID-19, que fez com que acontecesse uma “migração do consumo de entretenimento” ao meio digital.
Nesse período, apostar deixou de ser algo estritamente individual para assumir um caráter coletivo. Calegari citou os bingos beneficentes e como grupos de idosos se juntam para passar tempo de qualidade juntos.
Durante o isolamento, formas alternativas de socialização surgiram através dos jogos. Fantasy Sports e bolões se tornaram mecanismos de interação entre amigos e familiares. Segundo o relatório Fantasy Sports Market by Product, Platform and Geography – Forecast and Analysis 2023–2027, da TechNavio, a América do Sul foi a quarta maior região do mercado em 2022, com a pandemia servindo de catalisador para o comportamento digital.
“As pessoas socializam nos jogos, elas participam”, afirmou Bruna Rieke Calegari, chefe de Marketing de Marca. Mesmo com os estádios vazios e a ausência das torcidas nas arquibancadas, os torcedores encontraram em ligas de Fantasy e apostas coletivas uma maneira de manter viva a emoção de torcer.
A diferença de gênero também chama atenção. Enquanto 22,9% dos homens declararam apostar, apenas 8% das mulheres disseram ter o hábito. Isso confirma a predominância do futebol como eixo de engajamento masculino nas bets.
Valores baixos e caráter de entretenimento
Apesar da frequência, os valores médios são modestos. João Henrique Oliveira, torcedor do São Paulo e morador da Chapada Diamantina, na Bahia, relatou que aposta cerca de R$ 20 por rodada. Segundo ele, trata-se de um valor destinado apenas à diversão e à interação com amigos, e não a uma fonte de renda.
A pesquisa reforça tendências já identificadas pelo mercado, como o crescimento acelerado da base de apostadores após a regulamentação das bets no Brasil, com maior penetração entre jovens, interiorização da prática e destaque para o futebol como principal motor de engajamento.
Uma nova pesquisa sobre apostas esportivas revelou que jovens de baixa renda são o perfil mais recorrente entre os usuários de plataformas de apostas online no Brasil. O levantamento, realizado 
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