A 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro acatou, na quinta-feira (14), o pedido de recuperação judicial feito pela SAF Botafogo como forma de reorganizar suas finanças e proteger suas atividades cotidianas.
A decisão foi motivada por restrições de caixa, bloqueios judiciais e o risco de sanções esportivas, como os transfer bans impostos pela Fifa.
O clube informou que a tutela cautelar obtida anteriormente não gerava os efeitos jurídicos necessários junto à federação internacional de futebol, tornando o pedido de recuperação judicial indispensável para a manutenção da competitividade da equipe, eliminada no mesmo dia pela Chapecoense na quinta rodada da Copa do Brasil.
De acordo com o comunicado oficial da SAF, o clube enfrentou um processo de descapitalização sob o controle do Grupo Eagle Football. A nota aponta que mais de R$ 900 milhões deixaram de retornar ao Botafogo, enquanto outras equipes do grupo receberam aportes significativos, incluindo cerca de US$ 90 milhões destinados ao Lyon, da França.
A diretoria da SAF afirmou que os salários de atletas, comissão técnica e funcionários, além dos contratos com fornecedores essenciais, continuarão sendo honrados regularmente durante o processo.
Gestão
No mesmo dia do pedido judicial, a SAF Botafogo passou por mudanças em sua liderança corporativa. O economista Eduardo Iglesias assumiu o cargo de diretor-geral em substituição a Durcesio Mello, que exercia a função de forma interina. A troca foi definida em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) digital, na qual Mello, ex-presidente do clube associativo, optou por renunciar ao cargo.
A reunião ocorreu sem o voto da Eagle Football, que teve seus direitos políticos suspensos por decisão judicial no dia 28 de abril, deixando as deliberações sob o controle do Botafogo Futebol e Regatas, detentor de 10% do capital social da empresa.
Iglesias, de 31 anos, tem histórico na estruturação financeira da SAF e atuou na recuperação extrajudicial da instituição em 2023. Ao assumir o cargo, o executivo declarou.
“Estou convicto de que, com dedicação, união e muito comprometimento de todos, conseguiremos recolocar o clube no caminho glorioso e sólido que vinha sendo construído dentro e fora de campo”, destacou Iglesias.
Finanças
O cenário político e jurídico se intensificou após o afastamento de John Textor da administração da SAF pelo Tribunal Arbitral da Fundação Getulio Vargas (FGV).
O empresário norte-americano enfrentava questionamentos de sócios devido à gestão de caixa único entre os clubes de sua rede. No balanço financeiro recente, Textor comentou sobre o modelo de negócio.
“O modelo de colaboração multiclubes, que nos ajudou a atingir a melhor temporada dos nossos 120 anos de história, e com sucesso similar para nossos clubes parceiros, se provou extremamente frágil, criando desafios significativos à medida que buscamos manter nossa relevância global”, admitiu Textor.
A crise financeira se reflete nos resultados contábeis de 2025 divulgados pela SAF. Apesar de registrar um faturamento bruto de R$ 1,4 bilhão e um Ebitda (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) de R$ 604 milhões — impulsionados por R$ 733 milhões obtidos com venda de atletas —, o clube encerrou o período com prejuízo líquido de R$ 290,8 milhões.
O passivo consolidado totalizou R$ 2,01 bilhões, apresentando um aumento de 29,35% em relação ao ano anterior, enquanto o capital circulante líquido ficou negativo em R$ 952 milhões e o passivo a descoberto atingiu R$ 431,9 milhões.
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Medida ocorre após Eduardo Iglesias assumir diretoria geral da SAF e balanço financeiro apontar passivo de R$ 2 bilhões
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