O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) ameaçou realizar uma intervenção no Corinthians para efetivar o Regime Centralizado de Execuções (RCE), aprovado pelo clube no ano passado. Pelo RCE, o Timão conseguiu implantar um plano de pagamento de R$ 367 milhões em dívidas cíveis.
À época da aprovação, esse montante correspondia a 15,96% de todas as dívidas do clube paulista. A importância da manutenção desse plano de pagamento é que o Corinthians ganha um fôlego financeiro para a quitação de débitos sem o risco de sofrer bloqueios judiciais em suas contas.
Inconsistência
Segundo a Laspro Consultores, empresa nomeada pela Justiça como gestora do plano de pagamento das dívidas do Corinthians, houve uma inconsistência nos dados fornecidos pelo clube. O Corinthians declarou ter tido, em fevereiro, uma arrecadação total de R$ 64,2 milhões. A consultoria, porém, identificou que o clube teve um faturamento de R$ 213,4 milhões no período.
A diferença entre o valor declarado pelo clube e a arrecadação total é de quase R$ 150 milhões. Segundo a Laspro, o Corinthians não registrou a arrecadação com operações financeiras (R$ 76,8 milhões), transferências (R$ 65,5 milhões) e vendas de atletas (R$ 6,8 milhões).
A consultoria pediu explicações ao clube sobre a inconsistência nos números e que o Corinthians apresentasse os valores arrecadados com negociações de jogadores para o pagamento das dívidas por meio da iniciativa conhecida como leilão reverso, quando os credores que aceitam um maior desconto nos débitos, ganham a preferência de pagamento.
Corinthians responde
O Corinthians soltou uma nota oficial nesta quinta-feira (26) respondendo aos questionamentos da Justiça. Segundo o texto, o clube já havia prestado os esclarecimentos sobre suas receitas antes da decisão que apontou inconsistências. O Timão destacou que protocolou documentos técnicos e realizou uma reunião com a administração judicial para detalhar os valores.
O Corinthians afirmou que, na última terça-feira (24), protocolou uma petição nos autos do processo do RCE, detalhando a composição das receitas de fevereiro. Nesse documento, diferenciou receitas operacionais e não operacionais, movimentações internas entre contas, operações financeiras, antecipações de recebíveis e valores provenientes da negociação de atletas.
Segundo o clube, esses esclarecimentos foram apresentados “de forma técnica e fundamentada” para explicar a divergência de valores.
Além da petição, o clube informou ter realizado uma reunião com a administradora judicial antes do pronunciamento do juiz Guilherme Cavalcanti Lâmego, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, na quarta-feira (25). Em seu despacho, Lâmego ameaçou a nomeação de um interventor judicial no clube.
O Corinthians, porém, afirmou que os esclarecimentos já estavam nos autos quando a decisão foi proferida e que essa circunstância será levada ao conhecimento do juiz em uma nova manifestação formal.
Na nota oficial, o Corinthians salientou que sempre atuou de forma diligente e colaborativa no processo, fornecendo documentação sempre que solicitado. O clube lamentou o “desencontro de informações” e criticou o que chamou de “campanha de descrédito” promovida por influenciadores digitais, afirmando que isso prejudica a comunicação correta com seus torcedores.
O clube também destacou que está à disposição da Justiça e da administração judicial para prestar novos esclarecimentos, mantendo “seu compromisso com a regularidade, transparência e efetividade do processo”.
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Clube foi ameaçado com a efetivação do Regime Centralizado de Execuções após não declarar quase R$ 150 milhões em receitas
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