Kalshi pode expandir operações para o Brasil em 2026

Os mercados preditivos, conhecidos como prediction markets, devem se aproximar cada vez mais da realidade do brasileiro em 2026, e um dos motivos para isso é a Kalshi, plataforma que opera como um mercado de contratos de eventos nos Estados Unidos e planeja expandir para o Brasil ainda este ano.

A proposta da empresa mudou o cenário do país americano por ocupar uma zona intermediária entre apostas e mercados financeiros tradicionais. Diferentemente das plataformas convencionais, a Kalshi permite que usuários negociem contratos baseados na probabilidade de determinados eventos ocorrerem, de indicadores econômicos a decisões políticas e resultados esportivos, formando preços a partir da percepção coletiva do mercado (prediction markets).

O que é mercado preditivo (prediction markets)?


A lógica por trás desses mercados não é nova. Instrumentos semelhantes surgiram há mais de um século como mecanismos de proteção contra riscos econômicos, especialmente no setor agrícola, e evoluíram para contratos ligados a variáveis financeiras, climáticas e macroeconômicas. O diferencial da Kalshi foi ampliar esse conceito para eventos políticos, esportivos e sociais, operando sob supervisão da Commodity Futures Trading Commission (CFTC).

Nos EUA, plataformas como a Kalshi são registradas como “designated contract markets” (DCMs). Nesse modelo, não é necessária autorização prévia para lançar um novo contrato. A empresa utiliza um processo de autocertificação, informando o regulador com antecedência mínima de 48 horas. Cabe então à CFTC decidir se o produto viola a legislação ou se deve ser retirado do ar. O principal instrumento legal para essa avaliação é o “Special Rule”, introduzido pela Dodd-Frank Act, que restringe contratos ligados a jogos, terrorismo, guerra ou atividades consideradas ilegais.

A interpretação desse dispositivo é o centro das disputas judiciais nos Estados Unidos. Enquanto reguladores estaduais e entidades do setor de jogos defendem que qualquer contrato relacionado a “gaming” deveria ser automaticamente proibido, a Kalshi sustenta que a CFTC precisa demonstrar, além do enquadramento temático, que o contrato é contrário ao interesse público. Esse entendimento foi reforçado após decisões judiciais que permitiram à empresa manter contratos eleitorais ativos, mesmo diante de leis estaduais que proíbem apostas desse tipo.


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O desafio local está justamente na ausência de uma categoria regulatória equivalente. Hoje, o Brasil separa de forma clara os mercados de derivativos e o ecossistema de apostas, que passou a ter regras próprias. Os prediction markets da Kalshi não se encaixam perfeitamente em nenhum dos dois. Para a empresa, trata-se de um produto financeiro baseado em probabilidade e formação de preço, não de apostas convencionais. Para reguladores e operadores locais, porém, contratos sobre resultados esportivos ou eventos políticos podem se aproximar perigosamente do conceito de aposta.

Nos Estados Unidos, esse embate gerou uma série de ações judiciais e notificações de “cease and desist” por parte de reguladores estaduais, com decisões divergentes nos tribunais. Ainda não há uma definição final, e a expectativa é que o tema só seja pacificado após análise da Suprema Corte. Até lá, a Kalshi segue operando em um ambiente de incerteza regulatória, apostando que a inovação chegará antes do consenso.

Planos da Kalshi no Brasil

É nesse contexto que o Brasil aparece como um mercado estratégico. Em entrevista ao Valor International, a cofundadora da Kalshi, a brasileira Luana Lopes Lara, afirmou que a empresa estuda formas de operar no país e sinalizou a possibilidade de um anúncio já em 2026.

“Estamos apenas começando. Uma das primeiras coisas que anunciamos […] foi nosso plano de expansão internacional. O Brasil significa muito para mim. Eu realmente quero que a gente opere aí. Ainda estamos estudando como fazer isso, mas espero que possamos anunciar algo no início de 2026”, disse.

No Brasil, qualquer movimento dependerá de uma leitura cuidadosa da legislação local e de diálogo com autoridades reguladoras.

“Hoje não existe nada como a Kalshi no Brasil, apenas plataformas de apostas ou mercados de derivativos, que era exatamente onde os Estados Unidos estavam antes da Kalshi. Queremos encontrar uma forma de levar nosso modelo ao Brasil, usando o que aprendemos nos EUA. Mas isso vai depender dos nossos advogados e da análise regulatória. Nada foi finalizado ainda”, comentou.

“Enxergamos algo semelhante à CME, em que é possível acessar produtos dos Estados Unidos a partir do Brasil. Além disso, queremos desenvolver gradualmente outras estruturas, como margem e alavancagem, embora isso seja um plano mais de longo prazo. Isso nos ajudaria a avançar em direção a um perfil de negociação mais institucional”, afirmou Lara.

A avaliação interna é que o país pode estar diante de um cenário semelhante ao norte-americano de alguns anos atrás: um espaço regulatório ainda indefinido, no qual a linha entre investimento e aposta será testada caso a caso.

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