O Campeonato Brasileiro – Série A (Brasileirão Série A) de 2026 teve início na quarta-feira, 29, e muitos fãs de futebol notaram que o número de times que possuem uma casa de apostas como patrocinador principal decaiu consideravelmente. De fato, até agora em 2026, apenas 12 das 20 equipes da Série A possuem acordo de patrocínio máster com alguma casa de apostas, o que representa uma queda de 33% em relação ao ano anterior (18).
Bahia, Coritiba, Grêmio, Internacional, Santos e Vasco da Gama foram os clubes que romperam ou não renovaram o acordo de patrocínio máster e ainda estão em busca de um novo patrocinador. Já o Red Bull Bragantino e o Mirassol optaram por exibir as marcas da Red Bull e Guaraná Poty, respectivamente, no espaço principal de suas camisas.
Embora muitos fãs tenham visto este movimento como uma debandada, o professor Michel Fauze Mattar, da FIA Business School, enxerga a situação como um “ajuste setorial”.
“Não entendo como uma debandada, mas sim como um ajuste setorial. A ausência momentânea de patrocinadores máster é resultado da combinação entre a saturação das marcas de apostas no futebol, a mudança do ambiente regulatório, que elevou custos e riscos para essas empresas, e uma reprecificação do mercado após um ciclo artificialmente inflacionado”, disse Mattar, em entrevista ao SBC Notícias Brasil.
Como os clubes do Brasileirão podem se adequar a este cenário
A preocupação de muitos torcedores é como os clubes irão substituir a receita proveniente de acordos com casas de apostas, caso a indústria deseje investir menos, já que muitos destes acordos foram um marco histórico.
A indústria de apostas foi agressiva para assegurar contratos de patrocínio máster no futebol brasileiro nos últimos anos, pagando consideravelmente mais que outros setores pagavam até então. Isto naturalmente aumentou as receitas dos clubes, que passaram a ter mais dinheiro para investir em reforços.
Para Mattar, caso a indústria de apostas decida investir menos no futebol brasileiro, os clubes terão que se adequar a esta realidade: “Com este cenário, naturalmente os clubes precisarão ajustar suas expectativas e operar em um mercado mais racional, diversificando patrocinadores, ampliando pacotes comerciais e reduzindo a dependência de um único contrato máster. Esse processo deverá ser acompanhado por maior disciplina financeira e controle de custos, já que o fair play financeiro limita gastos desconectados da receita recorrente”.
Novo mecanismo de fair play financeiro fará clubes gastarem menos

Embora muitos clubes do futebol brasileiro tenham gerado dívidas nas últimas décadas e priorizado investimento em jogadores ao invés de equilibrar as contas, esta prática está com os dias contados.
A partir deste ano, passou a valer o novo mecanismo de fair play financeiro, criado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), denominado Sistema de Sustentabilidade Financeira do Futebol Brasileiro (SSF). Ainda que as punições mais severas, como perda de pontos e até rebaixamento, estejam previstas para começar apenas a partir de 2028, débitos anteriores a 2026 deverão ser regularizados até novembro deste ano.
Segundo Mattar, os clubes não terão mais a possibilidade de se negarem a gastar menos: “O fair play financeiro exige do clube uma atuação integrada entre geração de novas receitas e gestão eficiente de despesas, estimulando monetização mais sofisticada da relação com o torcedor, melhorando a exploração de mídia, conteúdos e ativos próprios, ampliando a presença em novos mercados (internacionalização da marca), e elevando a eficiência do negócio de formação de atletas, ao mesmo tempo em que impõe controle rigoroso de custos, especialmente da folha salarial”.
E acrescentou: “Assim, sustentabilidade financeira passa a ser condição regulatória para competitividade esportiva, e não uma opção estratégica ou decisão de negócio”.
Michel Fauze Mattar é Bacharel em Esporte e Mestre em Administração pela Universidade de São Paulo (USP), possui MBA em Marketing pela FIA Business School e mais de 20 anos de experiência em gestão esportiva. É especialista em gestão de instituições esportivas, governança, planejamento estratégico, marketing esportivo, ferramentas de comunicação de marketing e gestão de patrocínios esportivos, tendo passagens pela Federação Paulista de Futebol (FPF), Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Grêmio Barueri e Futebol Tour. Atualmente, é gestor e coordenador de projetos de treinamento executivo, pesquisa e consultoria na FIA Business School, onde também coordena o PROESPORTE – Programa de Gestão e Negócios do Esporte. É autor dos livros “Na trave: o que falta para o futebol brasileiro ter uma gestão profissional” e “Gestão de negócios esportivos”.
Receba um resumo com as principais notícias sobre o mercado de jogos online e de apostas esportivas no Brasil através do link. A newsletter é enviada toda segunda, terça e quinta-feira, sempre às 17 horas.
O Campeonato Brasileiro – Série A (Brasileirão Série A) de 2026 teve início na quarta-feira, 29, e muitos fãs de futebol notaram que o número de times que possuem uma 
Participe da IGI Expo 2026: https://igi-expo.com/


