O combate do futebol italiano contra as transmissões ilegais atingiu um novo patamar de tensão. A AGCOM, autoridade reguladora das comunicações na Itália, impôs uma multa de € 14,2 milhões à Cloudflare e criou uma crise que pode transcender o futebol.
A sanção, baseada na legislação local conhecida como “Piracy Shield” (Escudo de Pirataria), pune a empresa norte-americana por se recusar a bloquear o acesso a sites de streaming pirata através de seu serviço de DNS.
A Cloudflare opera o serviço “DNS 1.1.1.1.”, que traduz o nome de um site digitado para um endereço no qual aquele conteúdo está hospedado. A exigência da AGCOM era que a Cloudflare impedisse essa resolução para domínios sinalizados como piratas, cortando a conexão entre o usuário e a transmissão ilegal.
A empresa argumentou que a demanda é tecnicamente inviável em larga escala. A companhia alega que filtrar as cerca de 200 bilhões de solicitações diárias que recebe resultaria em lentidão no carregamento e colocaria em risco o funcionamento de sites legítimos.
O órgão regulador italiano rejeitou a defesa, aplicando uma multa equivalente a 1% do faturamento da companhia, sob a justificativa de que os endereços visados serviam exclusivamente para violação de direitos autorais de parceiros como DAZN e Sky.
Crise
A reação da Cloudfare foi agressiva, transformando uma questão jurídica em uma potencial crise institucional. Matthew Prince, cofundador e CEO da Cloudflare, se referiu ao Piracy Shield como um esquema de censura sem supervisão judicial ou devido processo legal.
O executivo chegou a sugerir que a empresa pode retirar seus serviços de cibersegurança da Itália, o que incluiria o suporte planejado para os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026.
O conflito exaltou, ainda, falhas no sistema de bloqueio italiano. Um relatório independente de setembro de 2025 apontou que centenas de sites legítimos foram bloqueados indevidamente pelo sistema automatizado do Piracy Shield, causando prejuízos a operadores legais.
Além disso, os serviços ilegais continuam a driblar as regras, alterando seus endereços IPs rapidamente, em um movimento que a regulação tem se mostrado incapaz de vencer sem causar danos colaterais.
Combate global
O cenário na Itália encontra um paralelo direto na Espanha, onde a LaLiga tem protagonizado uma das campanhas antipirataria mais agressivas do mundo.
A liga espanhola, sob o comando de Javier Tebas, não apenas utiliza tecnologia própria para rastrear sinais ilegais, mas também tem pressionado judicialmente gigantes como o Google para remover aplicativos de IPTV de suas lojas e buscadores.
A diferença principal está na estratégia. Enquanto a Itália aposta em uma legislação que obriga a colaboração forçada de empresas Cloudflare, a LaLiga tem atuado com manobras judiciais para responsabilizar tanto as plataformas que facilitam o acesso quanto, em movimentos mais recentes, o próprio usuário final.
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Autoridade reguladora das comunicações na Itália exige bloqueio de sites com transmissões ilegais, enquanto empresa alega inviabilidade técnica
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