A menos de 100 dias para o início da Copa do Mundo de 2026, a Fifa consolidou um novo modelo de distribuição de conteúdo. A entidade deixou de ser apenas a vendedora oficial de cotas de transmissão na TV para operar como uma verdadeira empresa de tecnologia, focada na atração e retenção de usuários.
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A estratégia? Fatiar a competição para distribuí-la exatamente onde a atenção do público já está.
Como? A Máquina do Esporte listou alguns tópicos:
- Dados proprietários (Globant)
Antes de espalhar o conteúdo, a Fifa precisava de uma “casa” forte. Com a extensão da parceria com a Globant anunciada no fim do ano passado, a gigante de software assumiu o ecossistema digital da Copa (o aplicativo oficial e a plataforma de streaming Fifa+).
Com um app próprio e interativo, a Fifa passou a reter os dados diretos de milhões de fãs, entendendo de perto quem são, o que consomem e para quem torcem, sem depender de terceiros.
- Game na sala de estar (Netflix)
Após romper uma longa parceria com a EA Sports (da clássica franquia de games “Fifa”), a entidade apostou, a partir de dezembro do ano passado, em um movimento de distribuição horizontal lançando seu novo simulador de futebol exclusivamente na Netflix Games.
Ao invés de tentar vender um jogo de R$ 350 para um nicho que tem console, a Fifa quer usar a base massiva de assinantes da Netflix para oferecer o jogo de graça.
- Formato vertical e criadores de conteúdo (TikTok)
No mês seguinte, a Fifa entendeu que era preciso atrair as pessoas e, para isso, nomeou o TikTok como plataforma oficial do torneio. Emissoras parceiras poderão transmitir clipes ao vivo e monetizar dentro do app chinês. Além dos clipes, um grupo de criadores de conteúdo recebeu credenciais de imprensa oficiais para cobrir treinos e bastidores.
Ou seja, a Fifa institucionalizou a “creator economy” porque entendeu que a Geração Z quer consumir conteúdos em um formato com o qual já está acostumada: verticalmente.
- Degustação para milhões de pessoas (YouTube)
Nesta última semana, o anúncio do YouTube como “plataforma preferencial” global foi a cereja do bolo. Com este acordo, parceiros de mídia e criadores poderão transmitir ao vivo apenas os primeiros 10 minutos de cada partida. Mas por que só 10 minutos? Porque as emissoras pagaram (bem) caro pelos direitos totais, e esse tempo inicial serve como uma “amostra grátis” no momento de maior emoção (os hinos e o apito inicial).
Ainda não se sabe como será o redirecionamento para as plataformas, mas é de se esperar que, após os primeiros minutos, a transmissão seja interrompida e apareça uma chamada do tipo: “Quer continuar assistindo? Assine a plataforma tal / Ligue na TV tal”. Ou seja, pode ser uma boa para os detentores que têm um alcance gigantesco, pois as pessoas que estavam no YouTube podem ser redirecionadas para as suas transmissões.
O que o mercado pode aprender?
Para atrair o consumidor moderno, a Fifa entendeu que precisa oferecer uma amostra do seu produto nos ambientes em que o público já gasta seu tempo (Netflix, TikTok e YouTube). Só depois vem o convite para o ambiente oficial (o app da Globant ou a TV).
Marcas e clubes que ainda exigem o “ingresso cheio” do torcedor, seja cobrando em dinheiro ou exigindo 90 minutos de atenção exclusiva antes mesmo de ele provar o produto, terão a oportunidade de observar esse movimento de perto.
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