A National Women’s Soccer League (NWSL), liga de futebol feminino dos Estados Unidos, decidiu instituir uma nova estrutura comercial que restringe a exibição de chuteiras a marcas que firmarem parcerias com a liga e cumprirem requisitos mínimos de investimento financeiro nas atletas. A medida tem como objetivo aumentar o suporte financeiro às jogadoras, especialmente àquelas que não contam com contratos de patrocínio individual, mas gerou preocupações na Associação de Jogadoras da NWSL sobre a questão dos contratos preexistentes.
De acordo com a nova regra, pela primeira vez, fabricantes de chuteiras que não sejam a fornecedora oficial da liga, a Nike, terão de pagar pelo direito de exibir seus produtos durante as partidas da liga. A nova estrutura já entrou em vigor na partida da Challenge Cup da última sexta-feira (26), entre Gotham FC e Kansas City Current. As jogadoras cujas patrocinadoras de chuteiras não cumprirem a nova determinação serão obrigadas a cobrir a marca da chuteira durante as partidas.
Segundo o site especializado The Athletic, Adidas e Puma, as duas marcas com maior número de atletas não patrocinadas pela Nike na NWSL, foram as primeiras a aderir. Representantes da liga também estão em negociações com várias fabricantes menores, que patrocinam um número reduzido de jogadoras. Espera-se que estas outras marcas também cumpram a regra.
Ainda de acordo com a publicação, a norte-americana Caddix é uma das empresas que conversam com a liga para garantir que a zagueira Kayla Sharples, do Kansas City Current, embaixadora da marca, possa usar suas chuteiras normalmente.
“A Caddix tem mantido contato com a liga sobre o processo para que Kayla use as chuteiras durante os jogos da liga. Continuamos tentando contato, e estamos abertos ao diálogo, mas não recebemos resposta”, afirmou Jack Rasmussen, fundador e CEO da Caddix, em resposta ao questionamento do The Athletic.
WNBA
Vale destacar que a NWSL não divulgou detalhes da nova determinação, portanto não ficou claro quanto cada marca deverá pagar à liga para ter autorização sobre o uso do logotipo nas chuteiras.
No entanto, a recente implementação de um acordo semelhante por parte da WNBA oferece algumas referências. Na liga norte-americana de basquete feminino, um contrato de calçado qualificado exige um pagamento anual mínimo de US$ 5 mil às jogadoras, além de quaisquer valores pagos à liga. A nova iniciativa formaliza um modelo comercial já utilizado pelas principais ligas profissionais dos EUA, incluindo NFL, NBA, MLB e MLS, no qual marcas pagam pelo direito de exibir seus produtos durante jogos e transmissões.
Questionamentos
A implantação da nova regra levantou questionamentos por parte da Associação de Jogadoras da NWSL. O sindicato expressou preocupações sobre como a nova política atinge o acordo coletivo de trabalho da liga, ratificado em 2024 e que estabelece que as jogadoras não podem ser obrigadas a violar contratos de patrocínio já existentes.
Isso porque muitos contratos de patrocínio de jogadoras são baseados apenas em produtos, ou seja, as atletas recebem chuteiras, mas pouca ou nenhuma compensação financeira direta.
Sob a nova estrutura da NWSL, as marcas participantes devem cumprir requisitos mínimos de investimento em dinheiro, garantindo que as jogadoras recebam remuneração financeira em vez de apenas produtos gratuitos. Em contrapartida, as empresas obtêm direitos comerciais ampliados, incluindo a possibilidade de realizar ações de marketing relacionadas a momentos importantes da liga e conquistas das próprias jogadoras, utilizando a propriedade intelectual oficial da NWSL.
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Nova regra restringe a exibição de chuteiras a marcas que firmarem parcerias com a liga e cumprirem requisitos mínimos de investimento financeiro nas atletas
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