O Brasil é Brasa?

Em 27 de abril de 2023, mais de um ano antes dos Jogos Olímpicos de Paris 2024, o Comitê Olímpico do Brasil (COB), em parceria com a agência de publicidade WMcCann, apresentou a primeira campanha institucional de sua história voltada para uma Olimpíada. O ápice da peça era o slogan “Manda Brasa, Brasil”.

No ano seguinte, o COB também apresentou, dessa vez em parceria com a agência de conteúdo Play9, o projeto “Paris é Brasa”. Com criadores de conteúdo espalhados pelos Jogos e uma música-chiclete a tiracolo, quem vivenciou a Casa Brasil no Parque das Nações em Paris sabe o que significou dizer que Paris era Brasa.


A expressão “É o Brasa” já vem tentando ser apropriada pelo COB e por seus parceiros desde 2023. Mas foi só agora, com o uso do termo para justificar o uniforme brasileiro para a Copa do Mundo Masculina de 2026, que ligar o Brasil a Brasa virou pecado mortal.

Uma história de polêmicas

O ano de 2026 é um marco na relação entre Nike e Confederação Brasileira de Futebol (CBF) / seleção brasileira. É o ano em que a parceria entre marca e time nacional completa 30 anos. Isso faz da Nike o parceiro mais longevo da história da CBF nos tempos modernos. E, também, um dos mais polêmicos desde sempre.

A Nike sempre teve o Brasil como um parceiro estratégico para o crescimento da empresa no território do futebol. Tanto que o país quase sempre foi o protagonista de campanhas globais da marca nos períodos que antecederam as Copas do Mundo.


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Quem não se lembra do icônico jogo de futebol improvisado dentro do aeroporto em 1998? De Ronaldo e Roberto Carlos na “jaula” comandada por Eric Cantona em 2002? Ou o “Joga Bonito” de Ronaldinho, Ronaldo e companhia em 2006?

Talvez tenhamos ótimas recordações dessas campanhas, mesmo com a seleção brasileira não terminando campeã naqueles anos (com exceção de 2002, quando veio o penta).

Muito provavelmente, nossa memória afetiva esteja atrelada à idade que tínhamos naquelas ocasiões. Éramos jovens e, muito possivelmente, o público-alvo da marca naquele instante.

Ardendo em brasa

Hoje, a Nike conversa com o jovem ao colocar a Jordan na camisa 2 do Brasil ou ao fazer campanhas como “Joga Sinistro” e “Alegria que Apavora”.

Não, isso não quer dizer que “brasa” seja um termo usado atualmente pelos jovens e que já foi moda nos tempos dos nossos pais. Deixemos isso para a combinação chinelo com meias, que meus filhos insistem em usar e lembram muito minha avó nos anos 1980.

Temos um choque geracional que pode explicar em parte a reação tão adversa da bolha a que estamos conectados que pragueja contra a designer que apregoa o Brasa de Brasil. Só que existe algo para além disso que dá mais clareza do porquê esse assunto arder em brasa.

A cor da camisa

Essa explicação é a conjunção de duas situações aparentemente banais e inusitadas, mas que levaram a camisa do Brasil para a Copa do Mundo ao centro do debate.

Desde 2014, a camisa amarela do país virou sinônimo de militância política. Até aí, nada demais. Tivemos já duas Copas em que o símbolo da “Amarelinha” trazia uma carga polarizada pela política nacional.

O problema foi que, em 2025, vazou a informação de que o Brasil usaria um segundo uniforme para a Copa do Mundo na cor predominantemente vermelha, produzida com a logomarca da Jordan em vez da Nike.

A suposição em torno da história fez com que uma crise fosse instaurada antes mesmo de a gente saber qual seria o desenho do uniforme brasileiro.

A comoção

Isso tudo levou a uma comoção nacional à espera do lançamento do uniforme. Tanto que a Nike preparou uma enorme celebração para apresentar a camisa azul que será utilizada como segundo uniforme na Copa do Mundo de 2026.

E, na primeira camisa, seguiu com uma estratégia menos pomposa. Até que surgiu a tal entrevista com a designer que falou que o Brasa que está escrito na parte interna do uniforme é uma referência a Brasil e que usamos costumeiramente a expressão “Vai, Brasa”.

No final das contas, o assunto “camisa da seleção brasileira para a Copa do Mundo” repercutiu muito mais do que se esperava. À comoção em torno do uniforme azul, que já era grande, seguiu-se todo o burburinho em relação ao Brasa.

Quem está se aproveitando dessa história, por um lado, é a Nike, que tem vendido os dois uniformes com enorme velocidade. Por outro, é o COB, que vê o slogan que foi criado para o Time Brasil nos Jogos Olímpicos de 2024 tornar-se o centro de um debate que poderá ajudar na construção do projeto de comunicação de Los Angeles 2028.

Sinceramente, o Brasil pode até virar Brasa. É só uma questão de trabalhar a campanha para que as pessoas se reconheçam na história a ser contada.

Mas uma coisa é certa. Nessa história, existe muito mais fumaça do que, de fato, fogo.

Erich Beting é fundador e CEO da Máquina do Esporte, além de consultor, professor e palestrante sobre marketing esportivo

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Polêmica em torno do termo usado para explicar o novo uniforme da seleção na Copa do Mundo tem mais fumaça do que fogo
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