O sucesso (fora das quatro linhas) da final única mineira

A final única do Campeonato Mineiro de 2026 tem muito a nos ensinar, com exceção, claro, em relação às lamentáveis cenas de pancadaria protagonizadas pelos jogadores no fim da partida. Cruzeiro e Atlético-MG saíram de um pacto de dois anos de torcida única para uma final de torcida dividida. Uma verdadeira guinada, que só foi possível com planejamento, disposição e propósitos, em uma união de forças entre Federação Mineira de Futebol (FMF), Mineirão, clubes, órgãos de segurança e demais autoridades.

O que era um embate transformou-se em um belo espetáculo nas arquibancadas, regado a saudosismo e empatia, que resultou em uma renda de R$ 7,3 milhões, a maior da história do Campeonato Mineiro e a segunda maior da história de um clássico mineiro, e um público de quase 50 mil torcedores, com o Cruzeiro levantando a taça.


Existe um preconceito enraizado nas rodas de botecos e nos grupos de WhatsApp de que “Estadual não vale nada”. Mas quando a bola rola, a coisa muda de figura, pois a rivalidade reina e, na prática, a história é outra. Realizada pela última vez em 2022, a final única do Campeonato Mineiro precisou, inicialmente, superar dois obstáculos para ser retomada.

O primeiro é fruto do “imponderável”, entre aspas mesmo, uma vez que o ajuste do calendário nacional feito pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) destinou um número ímpar de datas para as competições regionais: 11. E vale lembrar que o Campeonato Mineiro já era um dos mais enxutos, usando apenas 12, e não as 16 que a CBF contemplava.

O pleito da final única partiu da FMF, mas não era ela que decidia. Em novembro, no conselho técnico, as diretorias de Cruzeiro e Atlético-MG se posicionaram contra a realização de um jogo só. Elas preferiam a decisão em duas partidas, com cada time jogando na própria casa, com a própria torcida em maioria. Mas, democraticamente, foram derrotados na soma dos votos dos outros times.


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A federação já saiu daquela reunião aclamando o Mineirão como palco ideal para uma final de torcida meio a meio, por todas as condições geográficas e de estrutura que o estádio oferece. Dentro de campo, porém, a decisão Cruzeiro x Atlético-MG acabou acontecendo com doses de emoção, uma vez que os maiores rivais do estado se classificaram no aperto, na última rodada da primeira fase. Isso sem contar a classificação atleticana nos pênaltis contra o América, nas semifinais.

Vencida essa questão, era preciso integrar esforços para uma final à altura da tradição e da hospitalidade mineira. Cordial e profissionalmente, Cruzeiro e Atlético-MG compraram a ideia, sentaram-se à mesa junto à FMF, ao Mineirão e aos órgãos de segurança, e traçaram um planejamento operacionalmente bem afinado. Tudo isso em uma semana.

As reuniões prévias definiram a precipitação, o plano de segurança e a operação do evento como um todo. Todos trocaram experiência, compartilharam dores e virtudes, indicaram fornecedores e construíram soluções conjuntas.

Erguido em 1965 e reformado para a Copa do Mundo de 2014, o Mineirão e a Pampulha já têm traços e rotas que facilitam a separação de torcidas, da chegada por avenidas opostas à setorização interna. Era mais comum clássicos mineiros meio a meio no passado, mas a estratégia funcionou também em encontros inéditos, como Palmeiras x São Paulo, válido pela Supercopa Rei de 2024.

Para o jogo do último domingo (8), descontando-se os isolamentos de segurança, foram colocados à venda 54 mil ingressos. Desta vez, um dos maiores desafios era a biometria. Implementada em meados do ano passado por determinação da Lei Geral do Esporte (LGE), o sistema de acesso por reconhecimento facial não tinha sido usado pela torcida do Atlético-MG no Mineirão. Mas, com suporte para atendimento aos torcedores, on-line e presencial, tudo saiu dentro do esperado.

A ideia da final única nasceu na Europa, referenciada pelo sucesso da Champions League. Ela desembarcou no continente sul-americano em 2019, quando a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) resolveu implementá-la em suas competições. Em 2026, a nossa Copa do Brasil também será, pela primeira vez, em partida única.

Em tempos de encurtamento dos Estaduais, do entrelaçamento e da concorrência com os inícios do Campeonato Brasileiro e das Copas, o Estadual de Minas achou uma solução caseira, que fomentou a imprevisibilidade, aguçou a rivalidade, retomou uma tradição e ainda fez do clássico um case de negócios. De se lamentar mesmo, só a briga dentro de campo.

O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte

Thiago Nogueira é assessor de comunicação do Estádio do Mineirão desde 2021. Jornalista esportivo, com especialização em Negócios do Esporte e Direito Desportivo, participou da cobertura das Copas do Mundo de 2014, 2018 e 2022 e dos Jogos Olímpicos de 2016

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União de forças entre Federação Mineira de Futebol, Mineirão, Cruzeiro, Atlético-MG, órgãos de segurança e demais autoridades fomentou a imprevisibilidade, aguçou a rivalidade, retomou uma tradição e ainda fez do clássico um case de negócios
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