É uma satisfação estrear esta coluna na Máquina do Esporte. Para abrir os trabalhos, quero colocar o holofote em um instrumento poderoso, mas ainda subutilizado: os mecanismos de incentivos fiscais, com foco total na Lei Federal de Incentivo ao Esporte (LIE).
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Antes de mais nada, vale um parêntese importante: não estou falando aqui de patrocínio direto, aquele que sai da verba de marketing. Estou falando de eficiência fiscal, de direcionar o imposto que a empresa já teria que pagar para projetos que transformam realidades gerando impacto positivo.
Na minha trajetória acompanhando a captação de recursos, cansei de ver projetos que, amparados apenas por essa lei, lapidaram talentos como Rebeca Andrade e tantos outros. É um roteiro comum: o recurso incentivado viabiliza a base e o treinamento, enquanto o capital privado e os grandes patrocínios de marca geralmente só chegam depois da medalha no peito ou da vaga garantida em grandes competições.
Para as empresas, a LIE é a oportunidade de investir, apoiar e até testar modalidades que trazem retorno social e exposição positiva a custo zero. Se temos projetos de excelência precisando de fôlego e uma lei disponível que não onera o caixa das companhias, a pergunta que fica é: por que o número de empresas que utilizam esse recurso ainda é tão baixo?
O Brasil é, indiscutivelmente, um celeiro de talentos. Mas, quando olhamos para os bastidores do financiamento desse ecossistema, fica claro que ainda estamos jogando um campeonato diferente do nosso potencial real. A LIE já tem estrada, mas ainda vive um momento de “amadurecimento tardio” quando comparada à sua irmã, a Lei Rouanet (Lei Federal de Cultura).
O contraste que ensina
Para 2025, a Lei Rouanet alcançou uma renúncia fiscal de R$ 3,4 bilhões. O esporte ainda movimenta valores significativamente menores. O ponto aqui é o aproveitamento de teto: enquanto a Rouanet permite dedução de até 4% do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), o esporte agora pode chegar a 2% (e até 4% em projetos específicos de inclusão).
Pouco mais de 7 mil empresas no lucro real utilizam essa renúncia, número muito abaixo do potencial. Em 2024, a renúncia foi de R$ 1,2 bilhão, com expectativa similar para 2025.

Para onde está indo o recurso?
A distribuição atual nos mostra as prioridades de investimento hoje:
- Educacional: R$ 568,2 milhões (base pedagógica);
- Rendimento: R$ 301,7 milhões (elite e performance);
- Participação: R$ 295,9 milhões (lazer e saúde);
- Formação: R$ 38,1 milhões (o elo que mais precisa de tração para garantir a continuidade do talento no nosso ecossistema).
O gigante adormecido: A pessoa física
No CPF, o potencial é inexplorado. O potencial total de doações incentivadas no Brasil chega a R$ 9 bilhões, mas em 2024 as doações de pessoas físicas para o esporte somaram apenas cerca de R$ 20 milhões. Falta conexão entre quem quer ajudar e bons projetos curados.

Quem está liderando o jogo (Top 5 Investidores)
Algumas corporações já entenderam o esporte como ativo estratégico. As cinco empresas que lideraram o volume de aportes via Lei de Incentivo ao Esporte, de acordo com dados extraídos do painel “Total Aportado por Pessoas Jurídicas”, foram:
- Vale (R$ 74 milhões)
- Nubank (R$ 60 milhões)
- Shell (R$ 42 milhões)
- Rede (R$ 13,7 milhões)
- Toyota (R$ 13 milhões)
Conclusão
O esporte é um ativo de alto impacto social, mensurável e com uma narrativa de marca imbatível. O mercado já entendeu que o ESG (sigla em inglês para práticas empresariais focadas em critérios ambientais, sociais e de governança) é o caminho. Agora, falta profissionalizar a ponte e transformar a burocracia do incentivo em estratégia de investimento.
Na sua visão, o que ainda trava as empresas de utilizarem 100% do potencial das leis de incentivo ao esporte?
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
Diego Bartolo é cofundador e diretor de marketing e de vendas da Incentiv, plataforma especializada em captação de investimento incentivado e de patrocínio. Formado em Administração pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e com MBA pela Universidade de São Paulo (USP), possui 15 anos de experiência na área e já trabalhou com marcas como Google, Nubank, Siemens e Coca-Cola
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Se temos projetos de excelência precisando de fôlego e uma lei disponível que não onera o caixa das companhias, por que o número de empresas que utilizam esse recurso ainda é tão baixo?
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