A Paramount Skydance virou favorita e está próxima de concluir a aquisição da Warner Bros. Discovery (WBD) por US$ 111 bilhões, incluindo dívidas. A mudança no cenário ocorreu após a Netflix anunciar que desistiu de aumentar sua oferta anterior, que era de US$ 82,5 bilhões.
O Conselho da WBD, que inicialmente havia recomendado a proposta da Netflix, passou a classificar a oferta da Paramount como “superior”. A proposta revisada da empresa elevou o valor por ação para US$ 31, superando os US$ 27,75 oferecidos pela Netflix.
O acordo inclui uma taxa regulatória de rescisão de US$ 7 bilhões caso a fusão não seja aprovada, além de uma multa de US$ 2,8 bilhões que a WBD deve à Netflix pelo encerramento do compromisso anterior. David Zaslav, diretor executivo da WBD, afirmou que a união com a Paramount criaria um “valor tremendo” para os acionistas.
Diante do tamanho assumido pela nova empresa, o negócio ainda precisa passar pela aprovação de órgãos regulatórios tanto nos Estados Unidos, pela Comissão Federal de Comértcio (FTC, na sigla em inglês) e pelo Departamento de Justiça. Já na Europa, a constituição do conglomerado necessita de aval da Comissão Europeia, que tem fama de ser mais rigorosa.
Netflix desiste
Em resposta à decisão do conselho da WBD, a Netflix divulgou um comunicado assinado pelos co-CEOs Ted Sarandos e Greg Peters, oficializando que não aumentará sua oferta pela WBD, deixando o caminho livre para a Paramount.
Segundo o comunicado, o custo necessário para igualar os valores apresentados pela Paramount tornou o negócio financeiramente desfavorável para a plataforma de streaming. Os executivos afirmaram que a companhia manteve a disciplina financeira durante o processo licitatório.
Embora vislumbrassem benefícios na gestão das marcas da Warner e na contribuição para a indústria do entretenimento, eles ressaltaram que a transação era vista como um diferencial estratégico a um preço justo, e não como uma necessidade operacional indispensável a qualquer custo.
No documento, a Netflix também reforçou a solidez de seu crescimento orgânico e o desempenho de seu catálogo atual. A empresa confirmou a intenção de investir aproximadamente US$ 20 bilhões em filmes e séries ao longo de 2026. Além disso, a plataforma planeja retomar o seu programa de recompra de ações como parte da estratégia de alocação de capital.
A empresa finaliza o posicionamento reiterando o foco em expandir os negócios de forma lucrativa. O objetivo declarado é manter a geração de valor para os acionistas a longo prazo, impulsionada pelo serviço de streaming e pela expansão da oferta de entretenimento.
Contexto
A desistência da Netflix também ocorreu em meio a um cenário de forte pressão política em Washington. Recentemente, Sarandos foi submetido a questionamentos em audiência antitruste no Senado, onde parlamentares republicanos criticaram o conteúdo da plataforma e o alinhamento ideológico da empresa.
Além disso, o presidente Donald Trump utilizou suas redes sociais para exigir a saída de Susan Rice, ex-funcionária dos governos Obama e Biden, do conselho administrativo da Netflix.
A Paramount, por sua vez, contou com o apoio de garantias financeiras pesadas para consolidar sua oferta. Larry Ellison, cofundador da Oracle e pai de David Ellison (CEO da Paramount), garantiu um compromisso de capital de US$ 45,7 bilhões. A estratégia foi reforçada por uma campanha para assegurar aos acionistas que a Paramount teria mais facilidade em superar obstáculos regulatórios do que a Netflix.
Esportes
Caso a transação seja aprovada pelos órgãos reguladores, a Paramount passará a deter um dos portfólios esportivos mais valiosos do mercado. A combinação permitiria à empresa consolidar direitos de transmissão tanto nos Estados Unidos quanto em territórios internacionais (incluindo o Brasil).
Os ativos esportivos da WBD incluem os direitos domésticos de MLB, NHL e o March Madness (torneio norte-americano de basquete universitário), que coincidentemente, divide com a CBS Sports, o que unificaria o torneio em uma só empresa. Também é detentora dos direitos de TV dos Jogos Olímpicos na Europa, através do canal Eurosport, e da Premier League no Reino Unido (TNT Sports UK).
Já a Paramount, com CBS Sports e Paramount+, detém os direitos da NFL nos Estados Unidos (jogos da AFC), com transmissão do Super Bowl em alternância com outras emissoras, além de futebol americano e basquete universitário (já citado). Neste ano, também assumiu os direitos domésticos do UFC, em contrato que vai até 2032.
O novo conglomerado também abarcaria a operação da TNT Sports na América Latina. No Brasil, os principais direitos que passariam para as mãos da Paramount são a Champions League e o Campeonato Paulista.
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Proposta de US$ 111 bilhões é considerada superior por WBD; plataforma de streaming diz que valor deixou de ser atraente
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