Pesquisa aponta risco de ludopatia de apostador brasileiro e perfil de consumo no setor

A segunda edição do Relatório de Visão do Mercado, estudo sobre o comportamento dos apostadores brasileiros, realizada pela empresa de tecnologia financeira Paag, identificou sinais preocupantes de ludopatia entre os usuários de plataformas de apostas no país.

Segundo o levantamento, 11% dos apostadores gastaram entre R$ 100 e R$ 1.000 no segundo trimestre de 2025. Isso equivale a 6,6% a 65,9% do salário mínimo. Essa pequena parcela de clientes de plataformas de jogos de azar equivale a mais de 42% do dinheiro apostado.


Operações acima de R$ 1.000 responderam por 0,5% do total, mas geraram quase 19% do valor movimentado. No outro lado da balança, apostas de até R$ 20 representam 47% do volume total de palpites registrados pelas bets que processam pagamentos com a Paag.

“Independentemente do montante depositado na plataforma, é responsabilidade de toda a indústria adotar processos efetivos para prevenir a ludopatia”, destaca João Fraga, CEO da Paag, em entrevista à Máquina do Esporte.

“Isso inclui desde a conscientização em torno do tema ao monitoramento ativo do comportamento do usuário para que, ao menor sinal de possível vício, possam ser tomadas as devidas medidas, incluindo a restrição do acesso à plataforma caso necessário”, completa.


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Não há nenhum estudo confiável sobre o índice de ludopatia entre os apostadores brasileiros, embora especialistas apontem o problema como um vício semelhante aos de cigarro, drogas e bebidas.

Projeto de lei sobre o tema, apresentado em 2023 pelo senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), aponta que o problema atinja de 1% a 1,3% da população do país, o que seria equivalente a 2,14 milhões a  2,78 milhões de pessoas. O texto, porém, não aponta nenhuma fonte para essa informação.

Metodologia

O estudo da Paag foi baseado em todas as transações financeiras processadas pela fintech entre abril e junho de 2025, abrangendo cerca de 30% do mercado brasileiro de apostas.

A análise considera dados operacionais das casas de apostas que utilizam a empresa como meio de pagamento.

“Os dados revelam padrões sobre o comportamento dos apostadores, cuja análise é fundamental para entender os rumos do setor regulado no país, o que também pode balizar as melhores políticas a serem estabelecidas”, diz Fraga.

Perfil

A maior parte dos apostadores está na faixa etária entre 25 e 34 anos (30,1%) e entre 35 e 49 anos (39%), concentrando 69,1% do volume total de apostas e mais de 70% do valor movimentado.

Esse perfil é semelhante ao de outros mercados regulados como nos Estados Unidos e em países da Europa. Segundo a empresa, em 2024, a faixa etária de adultos jovens representou 34,7% dos jogadores on-line no mundo. Nos Estados Unidos o índice foi bem semelhante, com 34% de apostadores entre 25 e 34 anos.

“No Brasil, essa predominância reflete um público financeiramente mais estável e digitalmente ativo, com familiaridade com métodos de pagamento instantâneos”, aponta o executivo.

“Nosso perfil local converge com essa tendência global e mostra uma maturidade digital e financeira comparável a outros mercados regulados”, acredita.

Regiões

São Paulo lidera o mercado nacional, com 23,5% do volume de apostas e 23,1% do valor transacionado. A Bahia e Sergipe, por sua vez, apresentaram a maior taxa per capita de transações, com mais de 19 mil apostas por 100 mil habitantes.

“O crescimento no Nordeste chama atenção, mas não chega a ser uma surpresa: a região já abriga grandes operadores e casas de apostas consolidadas”, comenta Fraga.

Regiões como Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Paraná e Santa Catarina registraram os maiores tickets médios do país, apesar de um volume menor de operações.

“O que a pesquisa reforça é que o mercado brasileiro está se expandindo de forma consistente em várias frentes, e não concentrado apenas nos grandes centros”, analisa.

Marketing

A taxa de recorrência dos usuários caiu de 36,4% no trimestre anterior para 21% no segundo trimestre de 2025, o que indica desafios para as plataformas em manter o engajamento da base já conquistada.

“Principalmente no que diz respeito à taxa de retenção, a queda do índice de usuários recorrentes aponta desafios no engajamento contínuo da base já conquistada pelas plataformas”, avalia Fraga.

Segundo o CEO da Paag, os dados podem ser utilizados pelas casas de apostas para desenvolver ações de marketing mais eficazes, com foco na retenção e na personalização da experiência do usuário. No entanto, o executivo ressalta que a pesquisa possui um recorte temporal.

“É um panorama de somente um trimestre e é necessário observar quais serão os desdobramentos nos próximos meses”, pondera.

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Estudo da Paag analisa 30% do mercado nacional e revela comportamento por faixa etária, região e valor das apostas
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