A 27ª rodada da Premier League terminou com vitória do Manchester United por 1 a 0 sobre o Everton, no Hill Dickinson Stadium, nesta segunda-feira (23). Embora os Red Devils enfrentem questionamentos esportivos, o Everton pode lidar com impacto financeiro mais intenso a partir da próxima temporada.
A liga substituirá as atuais Regras de Lucro e Sustentabilidade (PSR – Profit and Sustainability Rules) pela Razão de Custo do Elenco (SCR – Squad Cost Ratio). Nesse cenário, ampliar receitas comerciais fora de campo passa a influenciar diretamente a competitividade esportiva.
O que muda com a SCR e o fim do patrocínio de apostas na parte frontal
O PSR limitava o prejuízo acumulado em três anos a 105 milhões de libras. Já a SCR determina que os clubes destinem no máximo 85% da receita aos custos de elenco, sobretudo salários e transferências.
O modelo segue lógica semelhante ao Fair Play Financeiro da UEFA (União das Associações Europeias de Futebol), que impõe teto de 70% nas competições continentais.
Além da nova métrica, a Premier League proibirá publicidade de casas de apostas na parte frontal das camisas. A medida afetará 11 dos 20 clubes a partir de 2026/27.
A vice-presidente do West Ham, Karren Brady, afirmou: “significará uma redução de cerca de 20% em suas receitas comerciais totais”.
Diante disso, clubes buscam alternativas comerciais, inclusive com apoio de agências especializadas, prática comum nos Estados Unidos e ainda limitada na Inglaterra.
Patrocínios de camisas na Premier League nesta temporada
Veja abaixo os patrocínios das casas de apostas aos clubes ingleses:
| Clube | Patrocínio de Casas de Apostas |
|---|---|
| Aston Villa | Betano |
| Bournemouth | bj88 |
| Brentford | Hollywood Bets |
| Burnley | 96.com |
| Crystal Palace | NET88 |
| Everton | Stake.com |
| Fulham | SBOTOP |
| Nottingham Forest | Bally’s Corportation |
| Sunderland | W88 |
| West Ham United | Boyle Sports |
| Wolves | DEBET |
Agências, investidores americanos e diversificação de receita
Metade dos 44 principais clubes ingleses — Premier League e Championship — pertence majoritariamente a investidores dos Estados Unidos. Por isso, cresce a busca por modelos comerciais aplicados naquele mercado.
Dados do setor indicam que marcas americanas representam 61% do investimento global em patrocínio esportivo. Entretanto, apenas uma em cada seis parcerias no futebol europeu envolve empresas dos EUA.
A Playfly Sports lidera esse movimento. A Premier League e cerca de metade dos clubes da primeira divisão já firmaram parcerias com agências. Em 2023, o índice girava em torno de 10%.
Dan Lipman, co-diretor administrativo da Playfly na Europa, disse: “Os proprietários americanos envolvidos na Premier League também são os mesmos dos times em outros esportes. A empresa trabalha com todas as equipes da NBA, MLB, NHL, e esses empresários viram a sofisticação com que tratamos essas receitas comerciais: a abordagem até agora, a abundância de marcas e a conectividade que fornecemos”.
Dan Lipman acrescentou: “Não é uma tendência isolada que, à medida que esses proprietários investem no futebol europeu, eles estão recorrendo a agências. Muitos executivos vêm a um jogo no Reino Unido e comentam sobre a falta de marcas nos anúncios e como a ativação é limitada. Nos EUA, é totalmente diferente. Com a chegada do SCR e as apostas saindo das camisas, a primeira pergunta a ser resolvida é onde preencher essa lacuna na receita”.
Até então, diretores comerciais fechavam contratos com base em relações pessoais. Contudo, o uso de dados assume papel estratégico semelhante à evolução do scouting tradicional para análise estatística.
Kieran Maguire disse: “Alguns clubes da Premier League com grandes orçamentos adquiriram o hábito de usar agências para terceirizar sua diversificação fontes de receita”.
Como funciona a expansão comercial e influência dos EUA
Em agosto, o Crystal Palace anunciou a SunExpress como parceira aérea oficial, primeiro acordo do tipo desde 1991. A Playfly estruturou a negociação com base em modelo aplicado nos Estados Unidos.
A NFL registrou crescimento de 14% na receita anual. A MLB alcançou 2,1 bilhões de libras em 2024. Já o patrocínio da NBA avançou 8%, segundo a SponsorUnited.
Dan Lipman afirmou: “Um proprietário dos EUA entra, eles contratam um diretor comercial compatriota que já fez isso para eles no país, que contrata uma agência americana para ajudá-los a ver patrocínios”. Em seguida, completou: “Essa é a evolução”.
O Tottenham nomeou Alex Scotcher como diretor comercial. Todd Kline atuou em função semelhante. Kate Theobald trabalhou anteriormente no New York Yankees.
Impacto regulatório
Sobre o impacto regulatório, Kieran Maguire disse: “A mudança no regulamento significa que os clubes podem gastar 85% das receitas com custos de jogadores, e, portanto, estão sob pressão extra para gerar essa receita adicional”.
Dan Lipman afirmou: “A receita comercial dos clubes do Big Six é maior do que a de transmissão. É cerca de 40-60% da total”. Depois, declarou: “Não há uma equipe que não esteja buscando apoio de patrocínio externo porque essa é a maior influência que podem ter. Os maiores cheques virão dos EUA”.
Por fim, concluiu: “Quando estamos trabalhando em um projeto com uma equipe que pode gerar dezenas de milhões em receita bruta anual, isso tem um impacto significativo no orçamento deles para salários de jogadores, e, em última análise, afetará sua capacidade de recrutar”.
O Arsenal executa estratégia para ampliar receitas e renovou acordo com a Emirates, além de renomear o centro de treinamento para Sobha Realty Training Centre. Dessa forma, Especialistas observam movimentações semelhantes em Chelsea, Tottenham e Liverpool.
Mike Schreiber disse: “Haverá mais espaço para publicidade — seja dentro da transmissão ou dentro dos estádios. Mais anúncios em mais lugares. Isso é algo que existe nos EUA e está mudando aqui”.
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